Bovec, a cidade dos esportes na Eslovênia e point desse rio cor de esmeralda

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Bovec é uma boa base para quem quer explorar o Triglav National Park, o maior do país, e conhecer o Rio Soca, que atrai turistas do mundo todo. Sim, gente de tudo quanto é parte vai até esse cantinho da Eslovênia, onde vivem apenas 1700 pessoas, para conhecer esse rio mais conhecido como Emerald River por causa de sua cor verde bem viva. A Eslovênia é um país com uma natureza muito rica, e cada cidadezinha pode te surpreender.

E o melhor é que em Bovec, além de muitas trilhas e passeios que te colocam em contato direto com essas belezas, há ainda muiiitas outras opções de esportes, como kayaking, fly fishing, paragliding, biking, slackline (aliás, é lá que fica o maior slackline da Europa!). Bovec fica em um vale, cercado pelas mais altas montanhas do país (a maior chega a 2.864 metros), e coladinho na Itália – cerca de uns 10km da fronteira.

O QUE FAZER

Cheguei a Bovec à noite a partir de Bled. Primeiro peguei um trem de Bled para Most na Soci (4,28 euros com a Slovenske zeleznice, uns 50 minutos de viagem) e depois um ônibus de lá para Bovec (5,60 euros com a Avrigo, cerca de uma hora de viagem).

No dia seguinte acordei cedo para aproveitar o máximo da cidade. Primeiro dei uma volta no centrinho de Bovec, que estava morrrto, morto. Juro que eu acho que eu era a única turista na cidade. Nem o centro de informações turísticas estava aberto (fui para lá em Dezembro, e a alta temporada é entre abril e outubro, sendo que a altíssima é mais no verão).

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A cidade estava tão adormecida que não consegui achar nem mesmo um motorista ou agência que me levasse para conhecer alguns dos pontos principais de lá, que ficam nos vilarejos próximos. É que nessa época do ano não há transporte público que leve até esses lugares, e ainda por cima era um domingo, ou seja, estava tudo fechado mesmo. E não dá para fazer tudo a pé em um dia. Uma coisinha ou outra até dá, principalmente para quem curte fazer trilhas. Mas o ideal é ir de carro (ou ônibus) até algum ponto e de lá fazer a trilha, principalmente porque alguns trechos são de estradas que não têm nem acostamento ou área para pedestres – ou seja, se vier um carro, mal dá para se proteger.

Em meio a esse impasse, a recepcionista do meu hotel (Obrigada, Bárbara!) ficou com pena de mim e, como eu era sua única hóspede (true story), ela fechou a recepção por uma horinha e me levou, no carro dela, até alguns pontos turísticos. Mais um anjo da viagem que me apareceu pelo caminho! Ela salvou meu dia em Bovec.

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Começamos indo ao forte Kluze, a 4km do centro de Bovec – mas estava fechado. Em alta temporada tem até um barzinho no terraço. Esse forte foi construído em 1471 pela República do Vêneto e renovado pelos Habsburgos no século 17. Ele teve muita importância durante as invasões turcas e as guerras napoleônicas, bem como durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje em dia possui exibições, um museu da Segunda Guerra e um centro cultural.

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De lá, circulamos de carro pelo vilarejo Soca parando em alguns pontos à beira do Rio Soca para encontrar partes ensolaradas que rendessem uma foto digna de um rio que é conhecido como Emerald River. Tá certo, Dezembro não é mesmo a época ideal para conhecer o Soca com sua verdadeira cor como vi em fotos. E a Bárbara ficava falando “Ai, que pena!!! O Soca está tão raso e tão feio para você hoje!”. E eu só pensando… “Cara, se ele tá feio, não consigo imaginar como ele fica quando está bonito de verdade”. Vejam algumas fotos e se concordam comigo se ele não é lindão até em dias mais ou menos.

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Nesse rio, entre abril e outubro, muuuuita gente vem para praticar kayaking. Mas também para fly fishing, canyoning, ou mesmo apenas para dar um mergulho calmo e curtir a natureza. Infelizmente quando fui lá estava marcando 7 graus negativos! Mal dava para me aguentar tirando as fotos. Acho que se espirrasse um pingo de água do rio em mim, eu virava uma pedra de gelo na hora.

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Nossa próxima parada foi Boka Waterfall (endereço: Log Čezsoški), bem famosa por ser a maior do país, mas que estava… fuén fuén fuén… quase sem água. Em alta temporada é uma queda d´água enorme, e muita gente vai até lá para tirar fotos. Suas águas acumulam no alto da montanha Kanin, caem de uma altura de 106 metros e depois descem por mais 30 metros entre pedras inclinadas.

Por fim, a Bárbara me deixou numa trilha que levava até outra queda d´água, a Virje – essa, sim, estava lindona. Do vilarejo mais próximo, Pluzna, até Virje Waterfalls deu uns 20 minutinhos andando, num trajeto bem de boa. E quando cheguei lá, uau!, que cor de água. Cadê meu biquíni, meu povooo!!! Imaginem isso no verão. Tirei umas fotos, sentei, curti, deixei a hora passar sem pressa

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Depois foi a vez de voltar para Bovec. Deu mais ou menos uns 40 minutos andando até a cidade em ritmo bem tranquilo.

Algumas distâncias, a partir do centro de Bovec até esses lugares que visitei, para vocês terem uma ideia do trajeto que percorri:

Bovec – Kluze: 6 km

Bovec – Boka Waterfalls: 7 km

Bovec – Pluzna: 3 km

Bovec – Soca: 11 km (mas há diversos pontos de parada à beira do Rio Soca nesse caminho até o vilarejo de mesmo nome, não precisando percorrer todos os 11 km)

Outros lugares que indico muitíssimo ir, mas que a Bárbara não teve tempo de me levar: The walks of Peace (Bovec foi profundamente destruída durante a Primeira Guerra Mundial, e aqui você pode ver um pouco dessa realidade e dessa história) e Celo – Battles of Isonzo (região que abrigou 12 batalhas entre os exércitos austro-húngaros e italianos na Primeira Guerra Mundial e que hoje é um museu a céu aberto com lembranças dessa época, como fortificações, cavernas, trincheiras de fogo, os restos de equipamentos militares e cemitérios. Até Ernest Hemingway cita este local em um de seus livros, A Farewell to Arms). Ambos ficam bem próximos um do outro, e a cerca de 20 km do centro de Bovec. E no inverno pegue a Telecabine Kanin, que te leva até o topo da montanha mais alta, onde as pessoas fazem ski ou snowboard (quando fui era final do Outono e ainda não havia neve suficiente). Veja também aqui alguns dos eventos que acontecem em Bovec.

Na volta a Bovec almocei no Gostilna Martinov Hram, de comida tradicional eslovena. Comi nhoque com molho de queijo de ovelha e de sobremesa Bvec Krafi – ambos super tradicionais na região.

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E depois dei minha última voltinha pelo centro da cidade. Não deixe de observar a arquitetura uniforme das casas de Bovec: com essa escada lateral, e uma mini varandinha onde fica a porta principal – sim, meio complicado de explicar. Tente entender pelas fotos:

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À noite fui para Postojna, para conhecer a Postojna Cave e o Predjama Castle, que contarei no próximo post.

ONDE FICAR

Bovec é uma cidade bem pequenininha, e o ideal é estar ali no centrinho de tudo, próximo âs agências de turismo, aos restaurantes, ao mercado, aos transportes públicos. Eu fiquei no Sanje Ob Soci, hotel novinho, bem localizado (5 minutos do centro), super bonito e com uma vista incrível.

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Meu quarto era bem apertadinho – mas como eu estava viajando sozinha e passei apenas uma noite lá, foi super de boa. O café da manhã está incluído na diária e é ótimo, com omelete feito na hora para você, diversos docinhos, sucos, pães, frios.

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Também há quartos maiores, até mesmo com mini cozinhas, ideais para famílias ou grupos de amigos.

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Há ainda um wellness center, com sauna, hidromassagem, massagem relaxante.

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Para fazer sua reserva no Sanje Ob Soci, clique aqui.

Para pesquisar mais hospedagens em Bovec, clique aqui.

O QUE COMER

Algo bem típico em Bovec são os queijos de ovelha, cuja produção e tradição vêm lá de 1300 e lá vai fumaça. Compre os seus nas lojinhas do centro (que estavam fechadas quando fui). Ou experimente as iguarias em restaurantes. Um prato bem tradicional chama-se Compe an Skuta, que é batata descascada cozida com creme de queijo de ovelha.

Experimente também o doce Bovec Krafi, que é uma massa beeem fofinha recheada com pera, canela e manteiga derretida. Deliciooooso! É uma das sobremesas mais características de Bovec desde o século 19.

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QUANTO CUSTA

Bom, como vocês viram, não consegui pegar táxi ou ônibus, nem reservar passeios turísticos. Então não sei os preços.

– 1 diária em hotel no centro de Bovec: a partir de 40 euros

– 1 cerveja em restaurante: 2,50 euros

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Atenção, leitor: Viajei para a Eslovênia com apoio do Slovenian Tourism Board, o departamento de turismo do país, que me apoiou com acomodação nas quatro cidades que visitei.

Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

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