Buenos Aires: dicas para quem se hospeda no Microcentro

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Buenos Aires é uma cidade que sempre atraiu muito os brasileiros. É chamada a Europa da América do Sul por sua arquitetura e clima. Mas, ultimamente, duas coisas têm atraído ainda mais nós, turistas: as promoções de passagens aéreas, com preços mais baixos que em muuuuuitos vôos domésticos, e a crise financeira que se instalou no país, o que está fazendo com que nosso dinheirinho seja super valorizado por lá. Para se ter uma noção, de todos os estrangeiros que chegam a Buenos Aires, 30% são brasileiros.

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Na semana passada fiz um roteiro chegando por Buenos Aires, passando por Colonia del Sacramento, e voltando por Montevideo (quem me segue no Instagram e no Twitter acompanhou tudinho: @fuigosteicontei ). Vou separar por tópicos as dicas aqui para facilitar na busca dos leitores. Nesse post vou dar dicas básicas para quem se hospeda no Microcentro de Buenos Aires: sugestão de hotel, onde trocar dinheiro com boa cotação, restaurantes, como se locomover.aDSC_0493

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HOSPEDAGEM NO MICROCENTRO DE BUENOS AIRES

Viajo muito usando o programa do Bancorbras. Quem não conhece, sugiro clicar no link. Particularmente acho que vale bastante a pena, principalmente porque eles têm uma rede bem ampla em todo o mundo. Oportunamente escreverei um post sobre o Bancorbras. Basicamente funciona assim: você adquire títulos e tem direito a um determinado número de diárias nos hoteis conveniados – são mais de 4.000 no Brasil e no exterior.

Para a época em que viajei para Buenos Aires, as melhores opções de hospedagem oferecidas pelo programa eram no Microcentro. Escolhemos o hotel Rochester Concept, na Calle Maipu. Achei a localização excelente no centro, pois, ao mesmo tempo em que está numa rua mais tranquila, não está longe do movimento, o que nos garante segurança. A Calle Florida fica a apenas uma quadra, as Galerias Pacífico a cerca de três quadras, o Obelisco a cerca de quatro, além de diversas lojas, restaurantes, lanchonetes, casas de câmbio, metrô. Você encontra de tudo ali. E mais: sabe Puerto Madero, região revitalizada e super charmosa de Buenos Aires? Está a menos de 15 minutos andando a partir do hotel.

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O Rochester Concept é novíssimo e tem uma decoração moderninha e clean. Meu quarto era bem compacto e o dividi com minha mãe. Para duas pessoas, ele é Ok. Não há tanto espaço para as malas, mas nós nos viramos bem para três dias. Acredito que para muitos dias seja mais complicado. Além disso, o quarto possui uma iluminação indireta que às vezes pode atrapalhar dado o espaço pequeno. Mas nada disso teve um grau alto de importância na nossa viagem nem nos atrapalhou, apenas cito para que conheçam melhor as instalações do Rochester.

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As camas e roupas de cama eram excelentes e de ótima qualidade. A arrumação do quarto também foi impecável, bem como o atendimento e o café da manhã. Vale destacar uma funcionária que preparava omeletes e panquecas todos os dias de manhã para os hóspedes. Um mimo, né? Além disso, o doce de leite servido era fenomenal e casava muitíssimo bem com as medialunas (como falar em Argentina sem falar em dulce de leche!!!!).

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Um detalhe: o hotel cobra pelo uso do WiFi nos quartos, sendo free apenas na recepção. Mas é aí que dou uma dica show! Como meu quarto era logo no terceiro andar e de frente para a entrada do hotel, usei a internet da recepção todos os dias de dentro do meu próprio quarto, pois ela funcionava muito bem lá. A quem interessar possa (tem alguém que não quer isso? hahaha), me hospedei no quarto 306 😉

Pontos de atenção do Rochester:
– o ar condicionado não é controlado de dentro do quarto. Ele é ligado automaticamente quando se chega a uma determinada temperatura. E precisamos pedir, ligando para a recepção, para desligarem, se for o caso, ou religarem. Meu quarto era bem fresco (viajei na primavera) e pedi para desligarem o ar por uma noite e ficou uma temperatura agradável.
– o box do banheiro não tem proteção de vidro em toda sua extensão. Ou seja, se você for um pouco menos cuidadoso, fatalmente molhará todo o piso.

Minha percepção geral: me hospedaria lá novamente sem problemas! Para mim, pontos importantes num hotel são bom atendimento, instalações Ok, cama boa, chuveiro bom, café da manhã legal. Nestes pontos, o Rochester me atendeu muitíssimo bem e não deixou em nada a desejar, pelo contrário, me agradou em cheio.

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CÂMBIO PARALELO EM BUENOS AIRES
Pesquisei muuuuuito onde trocar meu dinheiro no câmbio paralelo com segurança. A diferença é bem grande em comparação à cotação oficial, gente. O peso argentino está sofrendo uma depreciação quase diária, provocando uma mudança constante no câmbio de Buenos Aires. Para se ter uma noção, troquei pouco dinheiro no aeroporto quando cheguei (apenas por precaução, mas vi que não era necessário, pois o real está muitíssimo bem aceito lá, inclusive com taxistas), pagando 3,5 por real – e eu sabia que esta não era uma boa cotação.

Eu já havia levado anotada uma dica de onde trocar dinheiro no paralelo – e chega a ser irritante andar pela Calle Florida com tanta gente oferendo câmbio sem parar. Tome bastante cuidado ao entrar em galerias que não conheça. Não ouvi nenhum relato específico, mas sabemos da movimentação de notas falsas na cidade. O endereço que levei foi de uma agência de turismo na Calle Florida, 656, chamada PB Oficina 7. E sabe quanto pagaram no meu real lá? 5,3! Mais de 50% a mais do que no câmbio oficial. A experiência foi bastante tranquila, entrei na galeria, me dirigi à loja e disse que queria trocar dinheiro. Eles fizeram as contas na minha frente, abriram um bolo imenso de notas, trocaram as moedas, e saí dali segura. Tanto que no dia seguinte voltei para trocar mais.

Algumas lojas também ofereceram para fazer o câmbio, mas muitas vezes havia a exigência de efetuar uma compra na loja, pagar em reais ou dólares, e só aí eles dariam o troco em peso, já usando a cotação paralela. Achei desnecessário, visto que eu tinha a dica certeira de onde ir. Antes de viajar, li muito também que o dólar estava mais valorizado por lá. Mas não comprei dólar no Brasil, pois era época das eleições aqui e, devido à especulação, o dólar estava altíssimo. E acabou que, para mim, não fez a menor diferença. O real estava sendo muito requisitado em todos os lugares, com cotações ótimas e quase nada inferiores à do dólar. Considerando-se que se perde dinheiro duas vezes ao fazer dois câmbios (real -> dólar e depois dólar -> peso argentino), eu indicaria, com base nas cotações atuais (outubro 2014), não comprar dólar e levar real.

Atenção: ainda que seja cena comum nas ruas de Buenos Aires, trocar dinheiro no câmbio paralelo é contravenção. No entanto, é uma atividade corriqueira tanto entre cambistas, como entre visitantes, e que acontece às claras. Ainda assim, recomendo cautela.

ONDE COMER NO MICROCENTRO
Minha primeira dica é o Sipan Cevichería Peruana, indicação que peguei no queridíssimo Viaje na Viagem e que amei! Pequeno, aconchegante, com atendimento sensacional, uma comida espetacular, drinks maravilhosos. Eu realmente gostei muito. E o melhor: ficava a uns 5 minutos andando a partir do meu hotel, o Rochester Concept. Achei bastante tranquilo ir e voltar caminhando, pois, mesmo à noite, havia movimento. Indico muito o ceviche misto, bem como o pisco sour da casa. O restaurante resgata as cinco cozinhas peruanas: criolla, de cevicherías, chifa (fusão peruano-chino cantonesa), nikkei (fusão peruano-japonesa) e arequipeña, esta uma novidade na casa. O Sipan fica na Calle Paraguay, 624, esquina com Florida. Tem também duas filiais em Palermo e uma em Punta del Este.

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Outro restaurante que gostei bastante da proposta foi o PicNic, que fica na Florida, 102. Ele se apresenta como um fast food saudável, oferece culinária vegetariana, tem uma decoração descolada, tem tanto sanduíches, sucos e saladas prontos, como outros pedidos feitos na hora. Ótimo para uma refeição mais leve e rápida.

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Agora, algo que me chamou atenção em Buenos Aires foi a dificuldade em encontrar sorveterias!!! Me lembro que da outra vez que fui, em 2011, havia muitas. Dessa vez, até mesmo quando estava dentro de um taxi, esticava meu pescoço atrás de alguma, pois queria experimentar outras além da Freddo. Acabou que a única diferente que conheci foi a Abuela Goye, simplesmente maravilhosa e a apenas duas quadras do meu hotel, bem na Calle Florida! Tomei o sorvete de chocolate amargo com doce de leite – uma coisa! E o alfajor deles também é sensacional, muito melhor que o Havanna!

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Por fim, impossível ignorar o Gran Café Tortoni. Espetáculo de lugar! Havia lido algumas resenhas falando do mal atendimento e da fila por lá. Não me deparei com nada disso, talvez porque tenha ido numa terça-feira à tarde e estivesse mais vazio. Aqui minha dica é: se não estiver com muita fome, peça sanduíches para dividir. Experimentei um sanduíche de miga com queijo roquefort e nozes, que era muitíssimo bem servido. Para acompanhar, ainda caí na besteira (ah, que besteira boa!) de pedir um chocolate quente com churros, pensando que fosse pequeno. Que nada! Vinha uma xícara com o chocolate delicioso e mais uma jarrinha extra para repor a bebida, além de três churros de tamanho considerável acompanhados de doce de leite. Uma loucura! Tudo delicioso.

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Sem falar no ambiente do Gran Café Tortoni, lindíssimo, uma joia secular em meio ao Microcentro. Me senti numa Confeitaria Colombo argentina. E mais: uma amiga, a Fernanda, do blog Tá indo pra onde, me disse que uma vez assistiu a um show de tango no subsolo do café. Olha só que sorte. Então, quando for lá, pergunte ou pesquise sobre esse show. Uma pena que eu só soube depois, pois seria uma oportunidade incrível. O Gran Café Tortoni é realmente um must go em BsAs.

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Um detalhe nos restaurantes de Buenos Aires: eles cobram “cubierto” por pessoa. Não entendi exatamente o que seria, me explicaram que é um serviço de mesa, mas além dele depois ainda temos que pegar os 10% do serviço. É como se você pagasse para usar os talheres e o prato. Bizarro.. rs. A taxa independe do seu consumo, sempre consta no cardápio do restaurante e é obrigatória.

COMO SE LOCOMOVER NO MICROCENTRO
Todas as dicas que dei aqui, fiz a pé, pois realmente era bem perto. Fiz um print do Google Maps para vocês se localizarem bem, com base no hotel onde fiquei, o Rochester Concept. Destaquei alguns dos pontos turísticos, como Obelisco, Teatro Colón, Gran Café Tortoni, Casa Rosada, Galerias Pacífico. Como se pode perceber, deu para fazer tudo andando numa boa.

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Mas, gente, é inegável: o taxi em Buenos Aires sai muito barato para a gente. Eu sou do tipo que gosta de usar o transporte público de um lugar, pois assim me sinto dentro da rotina dos moradores, mas lá, pelo tempo mais curto de viagem, acabei recorrendo apenas aos taxis. E foi bem tranquilo, viu! Na maioria das vezes usei taxi de rua – fique de olho apenas para ver se não estão te enrolando e dando muitas voltas. Antes de sair do hotel, eu sempre conferia no Google Maps o percurso que faríamos para tentar me localizar (Ok, nem sempre eu conseguia, mas valia  a intenção). Por exemplo, numa noite em que fui do Microcentro até Palermo Hollywood, paguei o equivalente a 20 reais ou menos de taxi, sendo que é uma distância considerável, em que levei mais de 20 minutos para chegar ao destino.

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A quem preferir usar transporte público, o metrô (ou Subte, como os argentinos chamam) custa apenas 5 pesos argentinos e tem uma linha que atende bem diversos pontos turísticos da cidade. Somente os ônibus que achei mal conservados, então eu não indicaria tanto.

WIFI GRÁTIS
Para terminar, complemento com uma dica de onde utilizar WiFi grátis quando estiver perdido pelo centro de Buenos Aires: na imensa e ótima loja Falabella, na Calle Florida, esquina com Av Córdoba. Só tome cuidado para não querer comprar tudo lá dentro enquanto aproveita a internet (aconteceu comigo, hehe).

Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação – e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

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