Como comprar ingressos pro Teatro Bolshoi, em Moscou – em cima da hora e MUITO barato!

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Ok, antes de mais nada, minha primeira dica é: não compre ingressos para uma apresentação no Teatro Bolshoi, em Moscou, na Rússia, em cima da hora. Compre online com ao menos um mês de antecedência! Você evitará dor de cabeça, também pagará barato e garantirá seu lugar – onde você escolher – num dos teatros mais lindos do mundo.

Mas… Se você é como eu… Enrolado, deixa tudo pra depois, gosta de viver com emoção. Bom, nesse caso eu também tenho uma dica que pode salvar sua noite de gala na capital russa. Aconteceu comigo e pode dar certo com você.

Vamos à minha aventura:

Eu já estava com essa viagem a Moscou programada há cerca de um mês, havia entrado várias vezes no site do Teatro Bolshoi para conferir preços e opções de apresentações, vi que os preços eram super acessíveis, mas ficava de falar com minha amiga que estaria viajando comigo, enrolava, e no fim acabei não comprando. Cheguei a Moscou depois de semanas viajando e, logo no primeiro dia, lembrei que não tínhamos garantido nosso ingresso pra um dos balés mais famosos do mundo! A primeira coisa que fizemos foi nos dirigir à bilheteria para tentar descolar um ingresso de última hora.

Resultado: tudo esgotado!

Óbvio que foi uma decepção e tanto para mim e para minha amiga. E tudo ficava particularmente ainda mais difícil porque na Rússia quase ninguém fala inglês, nem mesmo na capital. Ficamos ali com aquela cara de desanimadas com a vida, quando um menino russo viu que estávamos meio perdidas e veio conversar com a gente. Ele era novo, nos contou que estudava Medicina em Moscou e que também estava ali para comprar ingressos para o Bolshoi naquela noite.

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“Mas os ingressos já estão esgotados”, resmunguei. Foi quando ele me contou que diariamente a bilheteria lateral do Bolshoi (não a principal! Uma num prédio ao lado. De frente para o Bolshoi, observe um prédio à sua esquerda. É ali). abre um lote extra de ingressos para estudantes às 15h (parece que são cerca de 80 ingressos!). Nossos olhinhos brilharam quando ele disse isso e nos chamou para ir até lá com ele.

Mas só que, quando chegamos lá, já estava uma fila enorme e todos os ingressos do dia haviam sido distribuídos. Havia ainda alguns cambistas (sim, tem cambista em qualquer canto desse mundo) vendendo ingressos por preços como 40 ou 50 euros. Eu me recusei a pagar, poque era quase 10 vezes o preço que estava sendo vendido antecipadamente pelo site.

Tudo bem. Naquele dia turistamos e no dia seguinte antes mesmo das 15h já estávamos lá na porta da bilheteria para tentar a sorte novamente (procure por qualquer pessoa que esteja parada ali na frente com uns papeis em mãos). Foi assim que encontramos uma menina parada ali, e por sorte ela falava inglês. Expliquei nossa situação (“moça, eu vim lá do Brasillllll, ajuda a gente”) e disse que estava ali para comprar os ingressos de estudante. Ela se desculpou e disse que esses ingressos eram válidos apenas para estudantes russos. Mas que naquele dia o movimento estava bem fraco, então ela achava que sobrariam ingressos – e que, quando isso acontece, esses ingressos extras são vendidos. Ela me disse para deixar meu nome com ela e retornar às 18h. Ela não estaria lá, mas eu deveria ir direto até a bilheteria.

Às 18h em ponto eu já estava lá, mas dessa vez havia um tumulto de gente no saguão. E ninguém, absolutamente NINGUÉM, falava inglês. Fui cutucando o povo daqui, me espremendo dali, até que consegui chegar à bilheteria. Quando comecei a explicar para a atendente que meu nome estava lá para comprar os ingressos que haviam sobrado, ela fez cara de paisagem e começou a falar comigo em russo!

Nessa hora dei uma mini desesperada… Comecei a olhar e volta e perguntar em voz alta “Anyone here speak English, pleeeeeeeease???” (Alguém aqui fala inglês, por favoooooor). Ninguém! E eu não arredei o pé da bilheteria para ceder lugar a outra pessoa por nada, enquanto eu não conseguisse me fazer entender ali. Foi quando uma menina se aproximou de mim e disse que falava “um pouco” de inglês. Expliquei para ela que meu nome estava na lista de ingressos que sobraram, dei meu nome, falei o nome da menina com quem eu havia conversado mais cedo, disse que estava garantido que meus ingressos estariam separados. Ela traduzia tudo para a atendente, que continuava com aquela cara de paisagem.

Por fim, a atendente perguntou quantos tickets eu queria. Falei que queria dois, “apenas dois!”. E perguntei quanto custava. A menina traduziu para mim o valor em rublos (moeda da Rússia): 200 rublos por ingresso. Tentei fazer uma conversão mental para ter ideia do preço em euros ou reais, mas no meio daquela confusão foi impossível, eu simplesmente tirei o dinheiro da carteira e paguei. Paguei e saí dali segurando meus dois ingressos como se fossem um tesouro.

Quando cheguei lá fora, avistei minha amiga e saí correndo para contar que havia conseguido! Começamos a pular e gritar para comemorar, quase escorregando naquela neve toda na frente do Bolshoi. Aí então resolvemos converter o valor e descobrir quanto havíamos investido naqueles ingressos. Resultado: na cotação da época, dava algo em torno de DOIS EUROS! Sim, dois euros por ingresso.

Bom, a essa altura você já imagina que nós duas estávamos pior que pinto no lixo, né. Pulávamos mais ainda sem acreditar que finalizaríamos nosso mochilão na Europa com um balé no Bolshoi. Nós não sabíamos nem qual seria a apresentação. Não tivemos nem tempo de ir até o nosso hostel para nos arrumarmos como a ocasião pedia. Ficamos ali mesmo, fazendo hora para entrar num dos teatros mais maravilhosos em que já estive na vida. Nossa maquiagem foi um sorrisão na cara.

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Assim que nossa entrada foi liberada, fomos explorar o local. Pessoas muito bem arrumadas, um salão super bonito vendendo bebidas e petiscos. E nós de bota, calça jeans, blusão de frio. Não estávamos nem aí! Tínhamos comprado nosso ingresso dignamente como todo mundo ali. Compramos até uma taça de vinho para brindar tamanha sorte! E, quando deu a hora, subimos para assistir ao balé.

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Claro que nossa localização não era a melhor de lá. Ficamos no alto, na lateral. De vez em quando eu precisava esticar o pescoço um pouco pra dar conta de enxergar o cantinho do palco. Mas foi lindo! Foi incrível! Foi mágico! Até o banheiro era um luxo.

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Com certeza uma experiência que ninguém deve perder na vida. Por isso, vou repetir minha dica inicial: se você também faz questão de ir a um balé no Bolshoi, compre seu ingresso com antecedência aqui. Mas, se por algum motivo você chegar lá e resolver tentar a sorte como nós, taí em cima o passo-a-passo da mutreta. Pode ter certeza que, se tudo der certo como deu para nós, sua estreia no Bolshoi terá muito mais emoção e carregará aquele saborzinho de conquista que nós duas jamais esqueceremos.

Em Moscou, me hospedei no Sputnik Hostel & Personal Space. Lindo, bem localizado e super bem organizado. Leia mais sobre ele aqui. Ou faça já sua reserva nele clicando aqui.

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Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

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