Jeffreys Bay, 2 dias no paraíso dos surfistas na África do Sul

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Se você é minimamente ligado em esportes, deve ter ouvido falar no ataque de tubarão a um surfista durante um campeonato mundial numa praia da África do Sul. Foi em Jeffreys Bay, o paraíso do surf na África e cidade que tive a sorte de conhecer quando percorri a Garden Route, rota na costa do país sul africano.

Esta foi minha última parada depois de ter passado por Cape Town, Wilderness e Stormsriver e antes de pegar um voo em Port Elizabeth para seguir viagem. Eu fui para Jeffreys Bay para dormir apenas uma noite. E me encantei tanto com a cidade e com meu hostel que decidi ficar mais uma noite – e com direito a um upgrade para uma suíte de frente para o mar!

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Eu havia chegado a Jeffreys Bay num sábado morta de cansaço depois de fazer trilhas de mais de cinco horas no Tsitsikamma National Park. Me lembro da hora em que cheguei ao meu hostel, o Island Vibe Backpackers, e fiquei impressionada com o vistão de frente pro mar! Eu havia reservado um quarto privativo, sem banheiro. Estava tão cansada que mal tomei banho, comi qualquer coisa e logo depois dormi – nem consegui aproveitar a festa que rolou no hostel até de manhã!

Sim, o Island Vibes é beeeem animado nos fins-de-semana. Conte em encontrar muita gente jovem e bonita lá. De dia é surf, sandboarding, praia, sol. À noite, música e cerveja. Ah, e beerpong também, porque não pode faltar num party hostel.

Mas eu perdi. E quando acordei no dia seguinte, estava chuviscando. Putz! Não acreditei… Eu estava ali para curtir a praia e fazer aulas de surf. Voltei pra cama, dormi e acordei com um puta sol! Era um milagre. Não pensei duas vezes. Corri na recepção, cancelei o transfer que me levaria naquele dia mais tarde para Port Elizabeth e pedi para estender minha diária. E, por causa do blog, ganhei um upgrade para uma suíte com varanda de frente pro mar. Me belisca que esse dia estava bom demais pra ser verdade!

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Fui tomar um café da manhã {recomendo a salada de frutas e os wraps servidos no restaurante do hostel} e agendei minha aula de surf. Como ainda teria aí umas duas horinhas livres, fui até o centrinho conhecer a cidade e dar uma volta nas famosas outlets de Jeffreys Bay. Não sou muito de fazer compras viajando, mas vou confessar que me perdi aqui. Pense nas melhores marcas de surf. Agora imagine que as lojas de fábrica de todas elas ficam em Jeffreys Bay. Eu comprei camiseta por 25 reais, vestidinho por 40, casaco por 60. Uma loucura! O que me salvou foi ter aula de surf logo na sequência, senão eu ia perder um dia inteiro de loja em loja.

Larguei minhas sacolas no quarto do hostel, lancei um biquíni e fui me juntar ao grupo que ia se arriscar nas ondas de Jbay. Não era a primeira vez que eu levava um show de caldos – eu já fiz umas aulas em Búzios há uns anos atrás. Então coloquei minha prancha embaixo do braço e fui crente que ia surfar ao menos umas 5 marolinhas.

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Coitada de mim. Estava tão cansada do batidão de trilhas e passeios de bike dos dias anteriores, que mal conseguia ficar em pé na prancha. A aula durava duas horas. Eu nadava, nadava, remava, remava. Esperava a onda. E, quando ela vinha, cadê a força na perna pra subir rápido e me equilibrar? Por fim, fiquei só na diversão. Quando a onda vinha, eu pegava tipo jacaré, mas de barriga na prancha. Hahaha Até o instrutor desistiu de mim! Mas não vou negar que foi divertido e que valeu a pena. Eu não podia ir embora de Jbay sem fazer aulas de surf. Ou sem pagar uns micos no mar.

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Eu contratei a aula de surf no meu hostel mesmo, que também oferece sandboarding, passeios a cavalo na praia e “Township tours”, onde o turista pode ter um contato mais próximo com a comunidade local. Como havia chovido, eu não pude fazer o sandboarding. E na real, depois daquelas duas horas me matando no mar, eu queria mesmo era tomar uma cerveja e curtir o bar do hostel.

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Foi engraçado que, quando voltei pro hostel, me toquei que não haviam deixado toalha para mim no meu quarto. Fui na recepção, morreeeendo de frio, solicitar uma, quando ouvi um grupo de brasileiros conversando e um deles perguntou “Você que é a Carla?” ~ cara de espanto. “Sim”, respondi. “Você que pegou a mochila da Mystila por engano no aeroporto?”.

Hahahaha Cara, era inacreditável que essa história ainda estivesse rendendo. Se você perdeu essa parte emocionante da minha viagem, não deixe de ler esse post aqui – vai por mim, eu garanto que você vai se divertir com essa maluca desligada aqui em plena África.

Os meninos estavam com a Mystila – sim, a que trocou as mochilas comigo – no aeroporto de Joanesburgo e acompanharam todo o drama de tentar me ligar enquanto eu estava incomunicável na Suazilândia. E sei lá como me reconheceram. Mundo pequeno é bobagem.

Voltei pro quarto, tomei um banho e fui pro bar tomar uma cerveja e comer qualquer coisa. Quem eu encontro no balcão do bar já tomando todas? Os quatro brasileiros que estavam na recepção mais cedo. E como brasileiro no exterior vira ímã, claro que terminei a noite bebendo com eles, tirando foto pra mandar pra Mystila e reclamando que o bar do hostel fechava cedo em pleno domingo (não é um absurdo?!). Como rendeu essa noite…

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E também quase perdi a hora para fazer meu checkout no dia seguinte. Infelizmente nesse dia acabou minha trip pela Garden Route. Eu fui para Port Elizabeth, onde peguei um avião para Joanesburgo, em um transfer oferecido pelo meu próprio hostel. Esse transfer é beeem caro, sorte que eu consegui carona com uma menina.

Quando tentei me informar na recepção do hostel sobre ônibus locais que levassem até Port Elizabeth, que ficava a apenas 80km dali, me disseram que era perigoso. Achei meio estranho, mas acabei não arriscando por ter conseguido a carona. Se você já teve essa experiência por lá, me conta aí nos comentários. Vai ser legal para ajudar outras pessoas viajando por conta própria na África do Sul. O restante do trajeto desde Cape Town eu fiz com a Baz Bus, uma van que te busca na porta do seu hostel e te deixa na porta do hostel seguinte. Achei que vale muito a pena, além de ser seguro e excelente pra conhecer outros mochileiros. Conto mais sobre esse transporte aqui.

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Leia também meu roteiro (com preços!) dos 28 dias em que mochilei pela África

Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação – e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

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