Meu primeiro voo de balão – sobrevoei o Deserto do Atacama!

0

Foi preciso voltar ao Atacama uma segunda vez para realizar este sonho: voar de balão! Como alguns de vocês já sabem, vim pro deserto de novo trabalhar com Turismo e logo no meu segundo dia aqui fiz uma boa venda de voos de balão na minha agência. O resultado? A empresa para a qual vendi, a Balloons Over Atacama, me convidou a voar com eles como uma forma de agradecimento.

Juro que eu não esperava isso logo na minha primeira semana de volta aqui! Fiquei suuuuper ansiosa e nem o frio me desanimou. Eles combinaram de passar para me buscar às 6h da manhã. Me enchi de casacos e fui! Vi o dia nascer por trás do Licancabur, o vulcão mais imponente e enigmático de todo o deserto, enquanto o pessoal armava o balão.

Croissants, chá e café foram servidos para nos ajudar a esquentar um pouco o corpo. O cenário era muito mais lindo do que eu esperava, e o balão muito maior do que eu poderia imaginar. Enquanto eles acendiam o fogo e enchiam o balão, minha mão tremia de frio para filmar e fotografar tudo – era Inverno no deserto, e a temperatura estava lá embaixo!

Mas esse frio logo passou quando começamos o voo. Aquecidos pela chama do balão, o piloto nos dava as instruções. Coisa bem simples, só ao final, na hora de posar, é que deveríamos nos sentar, guardar todos os nossos objetos (câmeras, celulares, luvas) nos bolsos e segurar firme. Ouvi isso com o balão já no ar, completamente estável, me sentindo absolutamente segura, e pensei “deve ser esses exageros de segurança, se bobear dá até pra eu ficar com o celular na mão pra filmar a descida”.

E relaxei. O visual era maravilhoso! Éramos apenas 8 pessoas num balão com espaço para até 16. Não tive medo algum, o balão não balançava, e quanto mais ele subia, melhor enxergávamos toda aquela imensidão do deserto. A luz do amanhecer dava um toque especial às fotos. Eu não queria nem piscar. Por quase uma hora sobrevoamos o deserto num silêncio de contemplação e deslumbre.

Foi quando começamos a descer, e descer, e descer. E o piloto avisou “todos sentados e segurem firme”. Ainda bem que eu guardei a goPro e o celular no bolso!

O fundo do balão bateu numa primeira árvore e deu um mini tranco. Dei aquela risadinha nervosa, de quem não sabe se foi proposital ou não. Mais uns poucos segundos e batemos numa segunda árvore. Nesse momento nosso balão começou a virar de lado e chegou ao solo. Só que ele estava virando cada vez mais de lado, e de lado, e de lado. Eu só falava alto pro meu amigo que estava ao meu lado “o balão está virando! O balão está virando!”. Meu gorro voou da minha cabeça. Não tive coragem de soltar a mão pra segurá-lo.

Uns 8 segundos de susto passaram duraram uma eternidade até que o balão realmente pousou. E não apenas pousou, como pousou DE LADO no chão. Sim, eu estava deitada de costas com as pernas dobradas quando o balão pousou, na exata posição em que o piloto nos orientou ficar: sentados no banco de madeira segurando o bastão à nossa frente.

Foi quando o piloto olhou pra nossa cara de susto e começou a rir. Explicou que aquele era um procedimento normal de pouso. E pediu nossas câmeras para registrar aquele momento. A adrenalina estava a mil e eu só conseguia rir! Rir, rir e rir sem parar!

Que voo incrível, que experiência, que lugar! Eu já estava feliz o suficiente quando me deparei com uma mesa com champanhe, frios, nozes. Todos juntos brindamos com taça em punho pelo voo de sucesso. Eram 8h da manhã de uma quarta-feira.

Dali eu fui direto trabalhar, ainda deslumbrada com aquele começo de dia. Esse é um passeio caro, bem caro. Mas, se você puder, não deixe de fazer! É uma lembrança que vou levar comigo pra sempre.

Serviço: eu voei com a Balloons Over Atacama, que cobra entre 250 e 300 dólares pelo voo (a depender da época do ano). Minha dica é você reservar logo pros seus primeiros dias aqui em San Pedro de Atacama, pois às vezes pode acontecer do voo ser cancelado por ventos fortes, e assim você ainda terá tempo para remarcar seu passeio com tranquilidade antes de ir embora 😉

Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

Leave A Reply