O que fazer em Berchtesgaden, cidade linda entre a Alemanha e a Áustria

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Em quase seis meses morando na Europa, consegui visitar mais de 70 cidades em 22 países. Mas Berchtesgaden foi a mais inesperada de todas. Eu nunca tinha ouvido falar de lá até ganhar uma promoção com duas diárias em um super hotel nessa cidade – o Best Western Berghotel Rehlegg.

Vi as fotos do hotel e ele se mostrava muito charmoso e romântico – mas mais afastadinho do centro. E numa mini cidade alemã onde não devia ter nada para fazer. Pensei: “Perfeito, vai ser um fim-de-semana para descansar nesse inverno rigoroso, fazer uma sauna, mergulhar naquelas piscinas aquecidas, ver um filminho, curtir o hotel em si, escrever no blog”.

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Não parece o plano perfeito numa cidadezinha sem grandes atrativos turísticos?

Hum…doce ilusão. Eu, blogueira curiosa que só, que me amarro em planejar todas as minhas viagens no maior cuidado, fui pega completamente desprevenida nessa linda cidade europeia.

Numa manhã acordei com calma e preguiça. Enrolei na cama. Tomei meu café da manhã. Fiz umas fotos em volta do hotel. Sem pressa. Voltei para o quarto e, despretensiosamente, na falta do que fazer, joguei no Google “o que fazer em Berchtesgaden”. Nada. Insistente, tentei em inglês “what to do in Berchtesgaden”.

Putz! Vejam só o que esse cantinho chamado Berchtesgaden esconde…

O QUE FAZER EM BERCHTESGADEN

De cara, achei um blog gringo  listando dez (Sim, d-e-z!) coisas imperdíveis para se fazer na cidade. Um outro listava sete. E o guia Lonely Planet descrevia Berchtesgaden mais ou menos assim: “Encravado na Áustria e emoldurado por seis cadeias de montanhas formidáveis, Berchtesgadener Land é um recanto lindo de morrer na Baviera, rico em mitos e lendas. Uma delas diz que os anjos que receberam a tarefa de distribuir as maravilhas da terra foram surpreendidos por uma ordem de Deus para que todas ficassem aqui”.

Ca-ra-ca. A calmaria deu lugar a uma sensação de ansiedade. Já havia “perdido” um tempo precioso no hotel e agora precisava escolher o que fazer no que restava do meu dia – considerando que meu tempo estava ainda mais curto já que no Inverno anoitece mais cedo.

Optamos pelo passeio de barco no lago Konigssee (Top One no TripAdvisor). E, pela falta de planejamento, perdemos o ônibus que passava em frente ao nosso hostel. O próximo viria em uma hora mais ou menos. Estávamos a cerca de 10km do centro. Ok, sem pânico – “it´s all about the journey, not the destination”. Decidimos ir passeando a pé curtindo a paisagem à beira do rio Wimback, com uma cor verde lindíssima mesmo em pleno Inverno (fiquei sonhando com o Verão nesse lugar!). Tentamos até algumas caronas (prática comum e bem vista em muitas cidades da Europa), mas os alemães foram duros e não pararam para nós. Os minutos foram passando e, quando nos demos conta, já era quase hora do ônibus vir. Corremos até o ponto seguinte e o tomamos lá.

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O bus nos deixou no terminal no centro da cidade, e de lá tomamos outro até Kognisee (que fica a uns 15 minutos do centrinho da cidade). O lugar é realmente um encanto e esse lago é conhecido como o mais limpo e claro de toda a Alemanha. Próximo de onde sai o barco há diversos restaurantezinhos, cafeterias, lojinhas de souvenir.

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Quem faz a travessia de barco é a Bayerische Seen-Schifffahrt. O ingresso para o passeio custa xx euros por pessoa e você pode baixar gratuitamente um aplicativo para celular que serve como guia para o passeio de barco – já que o guia propriamente dito só falava tudo em alemão. Tive a impressão de que éramos os únicos forasteiros ali. Porém o aplicativo não ajudou em nada – ele só funcionava com um fone de ouvido conectado ao celular, certamente para não incomodar os demais passageiros. Mas… convenhamos. Não é todo mundo que carrega um fone de ouvido no bolso quando sai para turistar. E claro que eu não tinha nenhum ali. No final das contas não entendemos bulhufas do que era dito, então resolvemos apenas curtir a paisagem – o que não deixava de ser uma ótima opção.

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É um passeio bem calmo e bonito, e leva até uma pequena ilha onde estão a Igreja de São Bartolomeu e dois restaurantes (entre Abril e Outubro há ainda uma segunda parada chamada Salet, mas que não estava aberta quando fomos). O barco para ali por uns dez minutinhos e, se você quiser ficar mais que isso na ilha, pode pegar o próximo que vier. Como estava bem frio, apenas desci, fiz algumas fotos da Igrejinha, e retornei no mesmo barco que nos deixou lá. E fiquei encucada com a comoção dos passageiros em torno da tal Igreja. Parecia que o papa estava ali, tamanho o número de cliques. O barco indo embora e as pessoas se contorcendo para continuar fotografando a Igreja. Tudo bem que ela era realmente fofa e o fato de estar numa ilha mais afastada dá um ar de algo exclusivo, mas… longe de mim querer subestimar a beleza do lugar, só que se tinha algo tãããão especial, nem o Google soube me contar. Era impressionante!

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Esse é um passeio bastante concorrido em épocas mais quentes, então recomenda-se chegar bem cedo para garantir seu lugar no barco. Ali perto tem também um cable car que leva até a montanha Jenner, que no inverno funciona como pista de esqui. É possível comprar os tickets do passeio de barco + do cable car juntos, e eles saem mais baratos, mas para isso ambos precisam ser feitos no mesmo dia.

Após nosso passeio de barco, entramos em um dos pequenos restaurantes dali para comer alguma coisa enquanto fazíamos hora para nosso ônibus de volta. Tomamos uma sopa bem gostosa e quentinha. E, chegada a hora, retornamos para o centro de Berchtesgaden.

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Como já estava anoitecendo, fomos conhecer o bar Braustuberl, um dos melhores e mais tradicionais da cidade. Era domingo e quase todas as mesas estavam reservadas para aquela noite. Lá funciona assim: até 18h é tipo um buffet (e mais barato), e depois é somente a la carte. Infelizmente só tivemos tempo de tomar uma cervejinha, mas a vontade de ficar lá para jantar foi grande, pois as comidas estavam com uma cara ótima e o lugar era super acolhedor. Recomendo demais ir!!!

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Nessa noite voltamos para nosso hotel e fomos direto para a piscina aquecida. Como só tínhamos nós lá, ainda levamos o computador, colocamos um filme e ficamos submersos assistindo rs. Depois jantamos no restaurante do próprio hotel, que também era muito acolhedor. A carta de cerveja deles é ótima e a música ambiente ajudava a relaxar naquela noite fria de Inverno.

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Infelizmente no dia seguinte tivemos que deixar Berchtesgaden. Mas não sem antes aproveitar o super café da manhã do hotel, que tinha até espumante. Essa é uma cidade que entrou na minha lista de “preciso voltar um dia”, em especial em meias estações tipo Primavera ou Outono (li que no Verão fica lotada e é muito quente para se fazer algumas atividades).

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Isso aí foi o que consegui fazer no meu diminuto tempo na cidade. Mas conto a seguir quais foram os passeios que mais fiquei com vontade de fazer em Berchtesgaden caso eu tivesse um tempinho extra:

– The Eagle´s Nest: é simplesmente uma casa que pertenceu a Hitler e a atração mais procurada da cidade. Ela fica beeeeem no alto e teria a melhor vista da região. Foi um presente que Hitler ganhou em seu aniversário de 50 anos em 1939. Foram necessários 13 meses apenas para construir a estrada que leva até lá e mais um ano para construir o chalé em seu topo, com 3 mil trabalhadores em ação noite e dia. No interior da casa há uma lareira que foi presente do ditador italiano Mussolini. O lugar foi transformado em um restaurante em 1952 de onde se tem uma vista em 360 graus e, em dias de tempo bom, é possível ver até mesmo Salzburgo. Para visita-lo é necessário tomar um ônibus especial. Eu não fui lá porque estava fechado. Funciona apenas de Maio a meados de Outubro, por causa da estrada sinuosa que leva até o alto e se torna perigosa com a aproximação do Inverno.

– Mina de Sal: Em funcionamento desde 1156, hoje é aberta a visitação. Vi fotos e me pareceu incrível. Você tomará um trenzinho e poderá visitar um lago subterrâneo. Uma pena que meu tempo na cidade acabou sendo tão curto, pois essa atração fica aberta o ano todo.

– Trilhas: Há infinitas opções de trilas em Berchtesgaden, algumas mais tranquilas, outras mais puxadas. Quanto arrependimento em não ter feito nenhuma! Não deixe de se informar no seu hotel sobre as melhores na época do ano em que estiver lá.

 

ONDE FICAR EM BERCHTESGADEN

Difícil seria eu não indicar o hotel onde eu fiquei, o Best Western Berghotel Rehlegg. Eu me encantei por ele. O atendimento foi impecável, fica numa região mais afastada e ótima para relaxar, é lindo, romântico.

O quarto era ótimo, a cama super confortável. Numa mesinha, meu nome com uma jarra de água e chocolatinhos. Roupão – um mimo que eu amo! E até mesmo uma mochila ótima que eles emprestam para quem vai fazer trilhas. Ah, e uma varandinha que dava de frente para a piscina aquecida a céu aberto do hotel!

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Havia também uma piscina aquecida interna. Não era pequena e havia espreguiçadeiras em volta. Perfeita!

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O hotel tem também um spa e área para relaxamento. Além de uma lojinha de roupas, acessórios, souvenir.

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O café da manhã era um espetáculo! Opções infinitas e até mesmo espumante!

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Por fim, o restaurante não deixou em nadinha a desejar. Aconchegante, com boas opções do que comer e uma ótima carta de cervejas. Era uma delícia terminar o nosso dia ali.

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O único ponto negativo do hotel poderia ser a sua localização – mas que se torna em uma vantagem quando se pensa na exclusividade e na tranquilidade da região em que ele está. São cerca de 10km do centro de Berchtesgaden, bem moleza para quem está de carro. E, para quem não está, eles contornam isso oferecendo um cartão que dá direito a pegar qualquer ônibus da cidade gratuitamente. E há um ponto pertinho do hotel. Nós utilizamos o ônibus direto e foi muito tranquilo (o único problema são os horários mais restritos).

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COMO CHEGAR A BERCHTESGADEN

Muita gente faz bate-volta a partir de Munique ou de Salzburgo. Mas realmente recomendo dormir na cidade no mínimo duas noites para aproveitá-la com calma. Ela tem um ritmo diferente, mais calmo, bem de cidadezinha do interior.

Há tanto ônibus como trem que saem de Munique ou de Salzburgo. Saindo de Salzburgo, a melhor opção é o ônibus de número 840 (veja os horários dele aqui), que é mais barato e ainda mais rápido que o trem.

Já de Munique a melhor opção é ir de trem, e a viagem leva cerca de 2h45. Você precisará pegar um trem até Freilassing, que fica na fronteira entre Alemanha e Áustria e de lá trocar para o que vai até Berchtesgaden. Sai mais barato se comprar o ticket de ida e volta juntos. Você pode conferir horários e preços aqui (site alemão) ou aqui (site austríaco).

Eu fui para Berchtesgaden a partir de Salzburgo e paguei 6,70 euros em uma passagem do ônibus 840. Comprei direto com o motorista e a viagem durou 50 minutos.

Dica: se você estiver num bate-volta a partir de Salzburgo, pergunte ao motorista sobre o ticket para um dia inteiro chamado Tageskarte All Day Pass, que cobre ida e volta e ainda os ônibus que você precisará pegar em Berchtesgaden.

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Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

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