Trilha de 3 dias para Machu Picchu – dormindo em fazendas de café do Valle Sagrado!

1

É claro que eu vim ao Peru e ia visitar Machu Picchu, né. A única questão era “como” eu iria fazer isso. É que as opções para sair de Cusco e ir até lá são infinitas e para todos os bolsos. Entre as principais, estão:

Eu estava louca para ir por trilha. Mas confesso que estava com “medinho” da Salkantay (o Caminho Inca a gente nem cogitou, porque precisava ter reservado muito tempo antes). Meu medo não era por causa do percurso, até porque estou acostumada a fazer trilhas, mas era mais pelo frio. Se eu já estava morrendo de frio com os 5 graus de Cusco à noite, imagina pra dormir em barracas durante a trilha. A expectativa é que estaria negativo – imagina o frio pra acampar! O fato de não ter garantia de que eu poderia tomar banho durante 4 dias de caminhada também me desanimou.

Pesquise preços e opções de hospedagem em Cusco aqui!

Comecei, então, a buscar outras opções menos radicais. Foi quando encontrei a agência Responsible Travel no TripAdvisor. Tinha uma galeeeeera elogiando eles, e vi no site que eles também ofereciam uns tours mais diferenciados. Entrei em contato com o Alejandro, gerente de lá, e ele sugeriu de fazermos um tour que se chama “La aventura del café puro“, que duraria 3 dias e 2 noites. A proposta desse tour é dormir por 2 noites em fazendas de café (que, aliás, produzem um dos melhores grãos do Peru) e fazer 3 dias de caminhada. Os dois primeiros seriam mais tranquilos, e o último seria mais puxado (é o mesmo último dia da trilha Salkantay!).

Super curti a ideia, ainda mais que a Responsible Travel trabalha com grupos pequenos, e eles foram suuuper atenciosos. Dois dias antes de fazermos a trilha, o Rosbert, que trabalha lá, foi até nosso hotel nos explicar tudinho como seria e responder nossas dúvidas. Achei isso super fofo da parte deles. Foi nesse dia, aliás, que ele contou que o grupo seria formado apenas por mim e meu namorado (mais o guia). Olha que legal, super exclusivo!

Num resuminho, nosso guia Miguel nos buscou no nosso hostel no primeiro dia, de lá fomos de carro até Santa Maria, uma cidadezinha do Vale Sagrado, e ali perto começamos a trilha. Dormimos duas noites em fazendas de café, sendo que no segundo dia ainda visitamos as termas de Santa Teresa, e no terceiro dia chegamos andando até a Hidrelétrica. Nossos serviços com a Responsible Travel terminaram aqui, pois seguimos para Águas Calientes (cidade base para ir a Machu Picchu) por conta própria. Mas, se você quiser, eles organizam isso também, reservando seu hotel em Águas Calientes e até providenciando um guia para te acompanhar em Machu Picchu.

O valor cobrado pela Responsible Travel para este tour que eu fiz inclui transporte desde Cusco até Santa Maria; guia bilíngue; dois pernoites em fazendas de café; almoço e jantar no primeiro dia; café da manhã, almoço e jantar no segundo dia; e café da manhã no terceiro dia. Há alguns gastinhos extras, como locomoção, alimentação, água, entrada nas termas de Santa Teresa, que não estão incluídos. Sugiro levar pelo menos uns 80 soles por pessoa a mais para essas despesas até chegar na Hidrelétrica.

Clique aqui para ver o preço do tour “La aventura del café puro” e algumas informações adicionais! (referente a maio de 2017)

Vou contar para vocês aqui, então, como foi a minha experiência com eles. Eu super recomendo essa agência, pois eles são muito profissionais, atenciosos, meu guia foi excelente, a comida e a acomodação oferecidas eram ótimos. Sou só elogios a eles! <3

Primeiro dia – Cusco x Santa Maria x Huacayupana

No primeiro dia de tour, o Miguel, nosso guia, nos buscou às 7h da manhã em nosso hostel. Um táxi, então, nos levou até outro carro, onde viajamos umas 4 horas até Santa Maria (nesse percurso se chega até mais de 4.000m de altitude, e depois desce mais um pouco). Logo no início da viagem, paramos para tomar café da manhã na estrada (era um lugar caro pros padrões peruanos e meio turistão). Mas tinha frutas, sucos, sanduíche, omelete, quebrava bem um galho. Eu tomei um suco, meu namorado comeu um sanduíche e tomou uma vitamina.

Chegando a Santa Maria, fechamos com mais um motorista para nos levar até a entrada da trilha em mata fechada (a outra opção seria andar até lá pouco mais de uma hora, o carro custou 15 soles pra 3 pessoas). Também aproveitamos que paramos ali para separar uma parte de nossas roupas, colocar numa bolsa separada e enviar com um motorista até a Hidrelétrica, nosso último destino. Nos custou 10 soles, e é uma boa vantagem de ter vindo com a agência, pois eles tinham alguém de confiança para levar e também para receber nossa bolsa na Hidrelétrica. Fizemos isso porque pelo percurso a pé iríamos carregar nossa mochila nas costas, e na mochila tinha coisas que não precisaríamos usar durante a trilha (roupas que levamos para usar depois, em Machu Picchu, por exemplo). Foi muito bom para aliviar o peso que iríamos carregar. Não aconselho tentar fazer isso por conta própria, só confiamos de enviar nossas bolsas com roupas porque nosso guia conhecia pessoas pelo caminho para nos ajudar.

Chegando à mata fechada, começamos a caminhada, e em 10 minutos foi o primeiro ponto de descanso, numa casa que fica no caminho.

Depois em mais uma meia hora andando (subindo), tem a Casa del Mono, da dona Justina. Ali era pra ficarmos 20 minutos apenas, mas curtimos tanto que ficamos mais de uma hora. Ela tem um quati baby de estimação e também um macaquinho (motivo do nome da casa), uma arara, cachorro, gato.

Ali ela produz barra de cacau puro, e também um chocolate 90% cacau + 10% mel que era muuuuito bom (custava apenas 5 soles). Ela tem uma área bem preparada pra receber turistas. Produz café também. E tem roupas de cholita para quem quiser vestir e tirar fotos. É um lugar bem agradável pra recuperar o fôlego e dar boas risadas com a dona Justina e todos os seus animais.

Dali seguimos caminhando mais 1h30 até a casa do Alejandro, a 1.800m de altitude. Teve bastante subida também, e chegamos lá já no fim da tarde. O caminho era lindo!

O Alejandro, de acordo com a programação do tour, iria nos oferecer almoço e jantar. Mas como já chegamos lá bem tarde, acabamos combinando com ele de preparar apenas nosso jantar, enquanto tomávamos um banho.

A casa do Alejandro, na verdade, é uma fazenda cafeeira que produz um dos melhores grãos de café do Peru! Ele exporta para a Europa, e seu café realmente é uma delícia. O lugar é bem simples, nada de ostentação, mas o nosso quarto (eu e meu namorado ficamos numa suíte separada da casa) era super confortável, limpinho, com boa roupa de cama, banheiro bom, toalhas.

Depois do banho quentinho, foi a hora de ir comer. O jantar servido dava para comer com os olhos! A arrumação do prato era linda, e a mulher do Alejandro preparou para mim um prato especial vegetariano, com legumes cozidos com ovos e arroz que estava delícioso! Antes teve uma sopa de quinoa maravilhosa, e ao final uma sobremesa que levava álcool, que eles disseram que seria bom para a digestão.

Sério, tudo muito gostoso e tão bem preparado. Dormimos muito bem depois desse jantar.

Segundo dia – Huacayupana x termas de Santa Teresa x Lucmabamba

Quando acordamos, bem cedinho, o Alejandro já estava nos esperando para mostrar a plantação de café deles. Nós participamos ativamente de toda a preparação do cafezinho que tomamos nesse dia. Vimos como era feita a colheita (tudo manual, sem máquinas!), depois aprendemos a separar os grãos bons, moemos, torramos e por fim apreciamos uma xícara de café orgânico fresquíssimo.

Acompanhado do super café da manhã que nos foi servido – com direito a guacamole, aipim frito, chips de banana, pão, queijo, suco. Olha aí embaixo que prato lindo para um café da manhã! Estávamos bem alimentados para seguir a caminhada.

Esse segundo dia foi tranquilo, e com paisagens maravilhosas. Até as termas de Santa Teresa foram umas cinco horas de caminhada, com bastante parada, inclusive para se refrescar num rio que estava no nosso caminho – de dia estava bem quente (fizemos essa trilha em maio).

O visual das montanhas era um espetáculo! E paramos muitas vezes para tirar fotos e fazer vídeos pro nosso canal no Youtube. Teve uma parte nesse dia que foi bem tensa também, que é uma travessia de um rio que se faz numa espécie de bandeja pendurada num cabo de aço. Parece que a ponte que tinha ali caiu, e os moradores improvisaram essa travessia aí com esses cabos de aço. Só que a parada é super alta, e é uma distância não tão curtinha assim que tem que atravessar. Quando tem um morador lá para ajudar, até que é mais “tranquilo”. Mas quando não tem… a coisa fica bem preocupante!

Quando chegamos lá, não tinha morador nenhum. Então combinamos que meu namorado iria primeiro, depois eu iria e ele ia me ajudar, e por fim o guia iria sozinho. O Renato, coitado, foi morrendo de medo, mas foi. Aí quando ele acabou de chegar do outro lado, depois de alguns momentos de tensão, vieram uns moradores. Então, quando eu fui, já tive ajuda. Tanto que fomos eu e o guia juntos na bandejinha. A parada é sinistra! Mas todo mundo passa por ali, então o jeito é confiar (uma pena que não consegui tirar foto, fiquei tensa sem saber se fotografava ou filmava. Mas tem vídeo e em breve coloco aqui pra vocês!).

Feita essa travessia, estávamos bem perto das termas de Cocalmayo, mais conhecidas como as termas de Santa Teresa. Foi um ótimo jeito de terminar o dia. Almoçamos lá mesmo, e depois ficamos curtindo as águas quentinhas (tem um paredão de pedra ali que impede que bata sol, então faz aquele frio gostoso pra curtir a piscina quente). O lugar tem uma infra-estrutura legal, com vários restaurantezinhos, banheiro, mesas, espreguiçadeiras. A entrada ali custa 5 soles.

Dali, o Miguel negociou um carro para nos levar até a casa do Henrique, o próximo produtor de café que iria nos receber. Acho que esse percurso levou cerca de uma hora até lá, e pagamos o valor de 20 pesos por pessoa.

Chegando, ainda andamos mais uns 20 minutos até a casa, e já era noite quando finalmente fomos recebidos. Todos ali eram muito simpáticos, e se viam realmente felizes em nos receber. Perguntavam sobre como tinha sido nosso dia, de onde éramos, diziam que amavam ouvir pessoas falando em português pois acham nossa língua linda. Foi uma recepção muito legal.

Nosso quarto aqui também era uma graça, bem confortável, espaçoso, com um bom banheiro, boa roupa de cama, toalha.

Depois de tomar banho, fomos jantar. E mais uma vez a comida estava deliciosa. De entrada, uma sopinha de banana que estava boa demais (Renato até repetiu!). De prato principal, uma truta deliciosa. Terminamos o jantar batendo papo e tomando chá pra esquentar um pouquinho. O frio estava bem agradável!

Foi engraçado que, quando fomos dormir, tinha uma aranha no banheiro (não era venenosa). Eu levei um susto, e saí correndo pra pedir ajuda. Eles foram lá e a mataram. Bom… Nós estávamos em meio à mata, né! Uma fazenda. Então pode ser que encontremos alguns bichinhos por ai rsrs

Nesse dia dormimos cedo, pois o terceiro dia de trekking seria o mais puxado, e queríamos estar descansados.

Terceiro dia – Lucmabamba x Hidrelétrica

Acordamos tensos com o dia pesado que nos esperava. Um passeio pela fazenda com o Henrique nos ajudou a  relaxar. Ele é mais um grande produtor de café do Peru, e exporta para muitos países, inclusive pra Ásia. Nos mostrou os vários tipos de café que ele planta ali, além de frutas e vegetais.

Terminado o passeio, fomos tomar café da manhã. Nem preciso dizer que também estava muito gostoso, com ovos cozidos, café fresco, suco, pães, queijo. Olhem que mesa linda:

Na despedida, o Henrique nos deu um cajado de madeira que ele talhou, para que nos ajudássemos na caminhada pesada que iríamos enfrentar.

O caminho desse dia era bem bonito, e também bem mais “turístico”. Ao contrário dos dias anteriores, em que éramos sempre os únicos nas trilhas, aqui sempre encontrávamos outras pessoas subindo e também tinha vários moradores oferecendo café da manhã pelo caminho. É que esse último dia é o mesmo último dia da trilha Salkantay, que é muito popular, como eu comentei lá em cima. Então há uma infra melhor pra receber todo mundo.

Nós começamos o trekking a 2.050m de altitude e chegamos a 2.900! Depois descemos tudo e chegamos de volta a 1.800m. Eu cansei bem na subida, mas, vai por mim, vale muito a pena! Levamos cerca de 3 horas pra subir, com várias paradinhas pra descansar.

E quando chegamos lá em cima, umas ruínas com um super visual para Machu Picchu e Wayna Picchu nos esperava! Ficamos ali quase uma hora, tirando fotos, descansando na grama, fazendo vídeos, admirando aquelas montanhas incríveis.

E aí foi a vez de descer. Era bem inclinado, e o joelho deu bem. A dica na descida é usar mais o calcanhar pra evitar forçar demais o joelho. Levamos mas umas duas horas pra descer. E depois ainda andamos mais cerca de 40 minutos até chegar na Hidrelétrica, onde paramos para almoçar. Tem umas tendinhas bem simples ali servindo comida. Escolhemos uma que o Miguel indicou e almoçamos rapidinho.

Aqui terminou nosso tour com a Responsible Travel, e nossa opção seguinte era ir andando ou de trem até Águas Calientes (hoje em dia também chamada de Machu Picchu Pueblo). Pelo cansaço, acabamos optando por pegar o trem (30 dólares para um trajeto de 30 minutos). E num próximo post conto mais sobre a ida para Águas Calientes e como conhecer Machu Picchu 😉

Pesquisa aqui as opções e preços de hospedagens em Águas Calientes!

Conheça os tours oferecidos pela Responsible Travel aqui!

Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

Discussion1 Comentário

  1. Pingback: Huaraz, Peru – dicas completíssimas de um dos lugares mais lindos da América do Sul | Fui, gostei, contei | por Carla Boechat

Leave A Reply