Faz tempo, aliás, faz bastante tempo que não saio para uma viagem um pouco mais longa. Colocando na ponta do lápis, faz mais de dois anos, desde que abri minha empresa e comecei a trabalhar como louca! Sim, nos primeiros meses eu achava que ia ter um treco de tanto trabalho que dá começar do zero.

Para quem já foi nômade vivendo cada hora num canto e viajando apenas com a passagem de ida, posso te dizer que esses dois anos pareceram uma eternidade! Por isso inventei uma viagem mais desafiadora, fugindo um pouco de rotas tão turísticas, onde vou começar pela Rússia, descendo parte da Transiberiana até a Mongólia, e depois seguindo para alguns Ãos. Serão apenas dois meses e meio, mas já é algo, né?

E, AAAAI MINHA DEUSA, eu já embarco hoje! Já contei que tô indo sozinha pra essa aventura?

Você não será o primeiro a perguntar como surgiu a ideia dessa viagem. Eu já sabia que esse ano sim ou sim (como dizemos aqui no Chile, onde moro atualmente) eu faria uma viagem mais “longa”. E queria um lugar onde eu ficasse bastante tempo sozinha, para tentar voltar a escrever para o blog – eu ando num bloqueio criativo eterno que tá foda. Daí joguei no Google os melhores destinos para visitar em 2019 e descobri uma lista da Lonely Planet que, entre alguns lugares mais conhecidos, trazia o Quirguistão.

Quirguistão, Casaquistão, e o que mais?

Eita porra! Então quer dizer que o Quirguistão é legal? Dei zoom num mapa e “descobri” esse pequeno país na Ásia Central, e que está entre os mais seguros para se visitar no mundo. E quando digo isso, é porque é segurança a nível Canadá, Estônia, Noruega e Suécia. Mais seguro que França, Alemanha, Espanha ou Reino Unido.

E o que tem ali por perto? Hum, olha só!, tem o Casaquistão. E será que lá vai ser perigoso? Bora lá, “Kazakistan is safe?”, enter. Uau, olha só essa capital chamada Astana! Super modera! Ops.. parece que já não tem mais esse nome e agora em 2019 passou a se chamar Nursultan – nome do antigo presidente que renunciou em Março. Mas essa história pretendo contar mais pra frente rs

Check. Bora incluir esses dois países em meu roteiro. Ali do lado tem o Usbequistão, que é um pouquinho mais fechado. E o Tajiquistão, bem pequenininho. E também o Turcomenistão que, ih caraca, é tão fechado (ou mais) como a Coreia do Norte. Entrar ali é difícil e caro. Mas… quem sabe? A pergunta que até então estava no ar era… Tá, mas e por onde começo essa viagem?

Rússia, Mongólia, China: a Transiberiana

Volta a fuxicar o Google Maps, arrasta pra cá, arrasta pra lá. Lembrei de uma vontade antiga de fazer a Transiberiana. Com 9.289 km, abrangendo oito fusos horários e que precisa de vários dias para realizar uma viagem completa nesse trem. Ah, além de terceiro mais longo serviço contínuo do mundo. Hum… Olha ali a Rússia, bem em cima do Casaquistão. E eu queria um tempo sozinha comigo mesma para voltar a escrever, né? Parecia que as horas infinitas dentro de um trem russo seriam o cenário perfeito!

Foi nesse meio tempo que descobri que existem três rotas desse trem: a Transiberiana (mais conhecida), a Transmongoliana (para mim a mais interessante) e a Transmanchuriana (quase ninguém ouve falar). Como uma típica viajante que quer abraçar o mundo escolhi começar na Rússia, atravessar a Mongólia e terminar na China.

No entanto meus planos começaram a mudar quando fui vendo que o visto chinês seria mais complicadinho, além de caro. E que para tirá-lo eu já precisava das passagens de entrada e saída do país compradas, além de hospedagens reservadas. Cortei de vez a China do roteiro quando tentei diversas vezes comprar o trem de Ulan Bator, capital da Mongólia, para Pequim, e foi impossível concluir a compra.

Abri o Skype e liguei direto na companhia russa pra entender o que houve. Num inglês básico, me informaram que aquela rota estava temporariamente fechada. Dei um Google e não encontrei nenhuma informação a respeito. Perguntei a uma amiga que estava lá, e ela disse que não sabia de nada. Como faltavam apenas 3 semanas pra eu viajar (sim, comprei as passagens em cima da hora), desisti da China e decidi terminar minha rota de trem na Mongólia mesmo. Tá ruim não, né?

E o roteiro?

A verdade é que eu tenho o roteiro mais ou menos na minha cabeça, reservei pouquíssimas coisas e vou determinar o ritmo da viagem de acordo com minhas demandas de trabalho com a Fui Gostei Trips – meu motivo de tanta dedicação nos últimos 20 meses. Sei os lugares que quero passar e tenho uma ideia dos trechos que deverão ser feitos de trem, avião ou ônibus. Já comprei todos os trechos de trem internos da Rússia com a Russian Railways (direto pelo aplicativo deles para celular, que agora tem uma versão em português).

No entanto, tentei diversas vezes comprar o trecho internacional que cruza da Rússia para a Mongolia, porém por alguma razão meu cartão não está sendo aceito (o mesmo que usei para comprar todos os trechos internos). Então deixarei para comprar ao chegar em San Petesburgo e estou rezando pra ter boas almas por lá que falem inglês – se você não sabe, na Rússia quase ninguém fala inglês. Na última vez em que estive lá, em 2016, foi perrengue atrás de perrengue para me comunicar. Mas o Google Tradutor tá aí pra isso, né? rs

Meu roteiro que já está todo planejado e reservado está assim até o momento:

  • 01/06: Santiago x St Petersburgo 16:35 de avião (R$2.600 + 10.000 milhas pela Smiles viajando com a Avianca e com apenas uma escala em Roma, tanto na ida como na volta)
  • 04/06: início da Transmongoliana, de San Petersburgo a Kazan às 15h30 em segunda classe (RUB 6.310)
  • 05/06: chego a Kazan às 13:58
  • 07/06: de Kazan a Yekaterinburg às 15:55 em segunda classe (RUB 3.449)
  • 08/06: chego a Yekaterinburg às 07:59
  • 10/06: de Yekaterinburg a Krasnoiarsk às 21:49 de segunda classe (RUB 4.344)
  • 12/06: chego a Krasnoiarsk às 10:07
  • 13/06: de Krasnoirsk a Irkutsk às 17:57 de segunda classe (RUB 4.074)
  • 14/06: chego a Irkutsk às 14:01
  • 17/06: de Irkutsk a Ulan Ude às 08:03 de segunda classe (RUB 4.295)
  • 17/06: chego a Ulan Ude às 14:39

Se liga no trajeto que vou fazer de trem:

A partir daqui está bem em aberto, e minha ideia é atravessar dia 18/06 de Ulan Ude, ainda na Rússia, para Ulan Bator (custaria RUB 5.111 na segunda classe pelo que vi no site). Na Mongólia penso em ficar no mínimo uma semana, aproveitando para visitar o Deserto de Gobi. Quem me conhece aí deve estar pensando “mais um deserto?”. Hahaha… apesar de levar mais de dois anos vivendo no Deserto do Atacama, é bom conhecer desertos novos também, né? Rs

E depois da Mongólia, meu plano é ir de avião de Ulan Bator para Nursultan (antiga Astana), e de lá começar a descer o Casaquistão, depois Quirguistão e quem sabe mais algum Ão.

Imprevistos antes da viagem

Cheguei no aeroporto ontem, dia 01/06, para pegar meu voo com a Alitalia, porém foi cancelado por problemas mecânicos e remarcado apenas para hoje. Estou aqui num hotel bem irado perto do aeroporto de Santiago bancado pela companhia aérea, esperando para embarcar amanhã. Isso apertou bastante o tempo que eu teria em San Petesburgo, então estou pensando na possibilidade de remarcar todos os meus trens da Transiberiana para não ser tão corrido.

Eu volto dia 15 de Agosto para o Chile, quando termina essa minha viagem. Que, diga-se de passagem, já está cheia de emoção antes mesmo de começar! Ontem eu fui comprar dólares aqui no centro de Santiago e na volta, ao subir as escadas do metrô, tropecei em meu próprio chinelo e caí de mau jeito em cima da minha mão direita.

O resultado: fraturei o rádio, ossinho no punho e precisarei ficar três semanas com o braço engessado. Não é a primeira vez que preciso imobilizar meu braço direito, e nem a segunda (a primeira foi em um acidente de carro no Brasil e a segunda ao saltar de bungee jumping na Croácia). Mas, graças a Deus, essa é de longe a vez que está sendo mais tranquila. Tenho mobilidade, não está doendo muito e estou me virando suuuuper bem. O que fiz foi tirar mais coisas do meu mochilão para ele estar bem leve e ser mais fácil de carregar. E bola pra frente!

Rapaz, que falta de sorte a minha em viagens, né? Sempre quebro algo. A última vez tinha sido ano passado ao escorregar numa escada de hostel na Costa Rica e fissurar um osso do pé. Qualquer dia desses meu nome estará na lista negra das empresas de seguro de viagem!

Tirando os contratempos iniciais de minha viagem, e aí? O que achou do roteiro? Tem dicas desses lugares? Se sim, ME CONTA PELAMOOOOR, pois não encontro muitas coisas na internet! E se quiser acompanhar a trip, eu devo compartilhar algo no Instagram do blog ou em meu Instagram pessoal.

8 Comentários

  1. Estou adorando ler sobre sua aventura.
    Tenho 71 anos e sempre sonhei fazer viagens como a sua.(sonho de uma noite de verão. Dos anos 70) Sendo assim estou viajando com vc.e curtindo muito.
    Amei sua maneira de escrever e aguardo ansiosa por novos capitulos.Sorte.Chegue bem.😘

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