Guia carioca de hostels: os melhores de Botafogo

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Botafogo é um bairro que vem despontando cada vez mais como destino cool e de bom gosto no Rio de Janeiro. Deixou de ser uma parte renegada da Zona Sul carioca e conquistou novos visitantes e moradores, atraídos pelo ar descontraído da região. Ao mesmo tempo em que preserva um clima de bairro de interior, com as padarias antigas, os vendedores de rua, pequenas vilas com casinhas charmosas e lojas tradicionais, tais como alfaiatarias, o bairro também tem atraído restaurantes estreladíssimos, bares descolados, ateliês de designers conceituados, festas que misturam moda, arte e gastronomia, museus novinhos, hostels de primeira, hoteis de rede, gente antenada.

Até mesmo o jornal O Globo publicou recentemente, na Revista de Domingo, uma matéria destacando Botafogo como o novo Soho carioca, ou comparando-o a Palermo, bairro descolado de Buenos Aires. Chegou a apelidar nosso bairro queridinho de BotaSoho – e eu adorei! É bem verdade que Botafogo está crescendo e aparecendo, a cada dia abre um lugar novo, ficando até difícil acompanhar todas as novidades. Tenho uma relação bem próxima com o bairro. Fiz faculdade ali e depois tive um namorado que por anos morou no bairro. Talvez por isso me identifique tanto com as ruazinhas que sempre levam a uma vista linda do Cristo Redentor.

Para ajudar o turista, ou até mesmo o morador de outros bairros do Rio, andei investindo um bom tempinho para explorar os melhores points de Botafogo. E estou criando um guia que pretende direcionar a tudo o que o bairro traz de bom.  Me hospedei nos melhores hostels da região, venho rodando nos museus, selecionando cafeterias, lanchonetes, restaurantes, livrarias, cinemas, festinhas. Aos poucos, pretendo estender essa proposta a outros bairros cariocas – e conto com a ajuda de vocês para saber quais as maiores necessidades e curiosidades sobre a cidade maravilhosa e para me dar dicas do que explorar também 😉

Vamos lá. Primeiro vou começar por um dos pontos principais de uma viagem: onde se hospedar. E é inegável que, de uns três anos pra cá, Botafogo tem atraído hostels cada vez mais organizados e modernos, que fogem absolutamente do antigo conceito de albergue velho e bagunçado. Esqueça isso! É possível se hospedar na Cidade Maravilhosa sem gastar uma grana absurda e prezando por conforto, localização e bom atendimento – e se sentindo em casa. Visitei, como convidada, alguns hostels da cidade e indico aqui cinco que estão localizados em Botafogo. Pode confiar, essa não é uma simples pesquisa de Google. Eu dormi em todos eles para garantir que ninguém vai cair em furada – e fiz um garimpo  transparente para vocês. Selecionei os melhores e me preocupei em atender a diferentes gostos e bolsos, permitindo que o viajante escolha seu destino de acordo com o próprio estilo.

HOSTEL MEIAI
De primeira, o nome desse hostel parece meio esquisito. Mas, quando você descobre o significado dele, é conquistado logo de cara pelo lugar. Meiai é uma abreviação de “May I help you?”. Não é fofo? E o casarão é lindo! Não tive reclamação nenhuma de absolutamente nada do Meiai. Todo o atendimento foi sensacional, a equipe estava bem preparada para tirar qualquer dúvida, ajudar a organizar passeios, apresentar os cômodos da casa. Sem falar na decoração, onde tudo foi pensado nos mínimos detalhes.

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O Meiai possui quatro quartos compartilhados, para 4, 6, 8 ou 14 pessoas. Estão disponíveis também três suítes, sendo duas para casal e a Master, que acomoda até 4 hóspedes. Me hospedei nessa última e me senti em casa. O quarto é espaçoso e todos os móveis são produzidos com pallets, o que dá um toque rústico ao ambiente. O banheiro é relativamente pequeno, mas bem novinho e muito limpo. Oito banheiros individuais e coletivos estão espalhados pelos corredores da casa, que conta ainda com um bom espaço para leitura e convívio social, além de dois computadores à disposição do hóspede e WiFi gratuito em todos os ambientes do hostel.

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Outra comodidade é o Guilhermina Bar, que fica no primeiro andar e num espaço terceirizado, mas que mantém a mesma qualidade do Meiai, tanto no atendimento como nas comidas e bebidas. A carta de cervejas importadas é bem interessante. Gostei do risoto de camarão e da pizza na pedra. Mas o que ganhou meu coração de verdade foi uma sobremesa: a torta de maçã com sorvete de creme e melaço de cana. Uau!!! A melhor que já comi na minha vida. Eles abrem também para o almoço e têm preços bem justos.

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A hospedagem no Meiai inclui o café da manhã – com frutas, pães, sucos, leite, café, geleias, manteiga, queijo, presunto – e também roupas de cama e toalha. A localização é ótima, estando a cerca de cinco minutos andando do Metrô de Botafogo e entre as duas principais ruas do bairro, a Voluntários da Pátria e a São Clemente.

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Para fazer sua reserva no Meiai, clique aqui.

INJOY HOSTEL
Esse foi um hostel especial em meio aos muitos onde me hospedei. Localizado numa vila em Botafogo (já contei que sonho em morar em uma?!), somente em dar uns poucos passos adentrando por essa ruazinha sem saída já é possível perceber que o burburinho da movimentada rua São Clemente fica para trás e que se está prestes a chegar num lugar tranquilo. Aberto há pouquíssimo tempo, em junho desse ano, o Injoy está com instalações perfeitas, novíssimas e tem uma decoração super alto astral. O interessante dele é sua proposta diferenciada: é hostel, tem decoração de hostel, pegada de hostel, clima de hostel, mas não possui quartos compartilhados. Todos os 16 quartos são suítes com banheiro privativo, ar condicionado, TV, cofre, cabideiro, mesinha de trabalho, toda a roupa de cama e de banho – e ainda disponibilizam um locker grande do lado de fora do quarto.

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O público-alvo do Injoy são os executivos que vêm para o Rio a trabalho, mas que não querem abrir mão de estar bem localizados, num ambiente descolado e de qualidade, sendo bem atendidos e conhecendo gente nova. Como se sabe, muitos viajam sozinhos, e poder contar com um lugar com ambientes para socialização além de uma equipe muito bem treinada e estrutura impecável, isso sim, é um achado no Rio de Janeiro. Além disso, o metrô fica a menos de 800 metros do Injoy, o que é importantíssimo para evitar o trânsito pesado para o centro da cidade e muitos pontos turísticos.

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Detalhes que me encantaram: sempre há café e bolo à disposição do hóspede, and for free, darling! O bolo de abacaxi, no dia em que me hospedei lá, estava delicioso. Molhadinho e com pedaços da fruta, foi feito pela Yasmim, que fica na recepção. Livros, revistas e jogos estão à disposição do hóspede. Outra surpresa foi me deparar com miquinhos na árvore em frente ao hostel. E não somente um ou dois, mas muitos. Também adorei saber que estou numa rua que, apesar de estreitinha e vazia, é super tranquila e protegida por dois seguranças durante as 24 horas do dia. O café da manhã, incluído na diária, foi bem variado, com destaque, é claro, para os bolos fresquinhos e feitos em casa.

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Para fazer sua reserva no Injoy, clique aqui.

OZTEL
Ao adentrar no Oztel, você é recebido pelo bar do hostel. Ótima recepção para quem quer se distrair e relaxar, né? O enorme balcão de cimento dá o tom intimista e recebe algumas festas bem bacanas (siga o perfil deles no Facebook para saber de todas!). Prove os drinks e sandubas. Tanto a gerente Andressa como mais duas funcionárias são chefs de cozinha, então sempre há umas comidinhas mais elaboradas. A proposta aqui é integração e curtir o espaço, ouvindo uma boa música.

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O Oztel é um hostel de pegada alternativa, com peças assinadas por renomados artistas, e está fora da rota dos outros citados neste post. Ele fica mais afastado do metrô de Botafogo, mas mais próximo da Lagoa Rodrigo de Freitas e da Cobal do Humaitá. A decoração é ótima, bem humorada, com ótimas sacadas. As suítes são divididas por temas – Paquetá, Fantasia, entre outras.

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Já os quartos compartilhados são muito bem preparados para atender à necessidade do viajante, além de bastante espaçosos. No total, são 6 suítes; 1 quarto misto feminino com 6 camas; 1 quarto misto com 6 camas; 2 quartos mistos com 8 camas e outro misto com 14 camas. Todos têm ar condicionado e lockers individuais. Um banheiro é reservado para a ala feminina e os outros 5 são mistos. Os espaços são bem trabalhados, limpos e funcionais. Realmente adorei os detalhes e o fato de não precisar ficar esmagada dentro de um quarto compartilhado!

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A roupa de cama está incluída na diária, mas a toalha não (R$7 pelo aluguel). Traga também seu cadeado para o locker, pois eles não alugam ou vendem mais o acessório. Outro ponto interessante é o café da manhã, incluído na diária e servido na área do bar. Há sucos, pães, frios, frutas, café, leite, geleia caseira, manteiga e um bolo de chocolate delicioso – comi umas duas fatias! Dois computadores estão à disposição do hóspede, bem como livros e revistas. Outro espaço que achei muito legal foi a lavanderia comunitária, bem organizada e bonitinha.

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Para fazer sua reserva no Oztel, clique aqui

CONTEMPORÂNEO HOSTEL
O Contemporâneo fica num casarão na Rua Bambina, em frente a uma república onde rolam festas hiper animadas madrugada afora. E o próprio Contemporâneo conta com um bar bem legal, que está em obras e reabre até novembro, mas que ferve nas noites de quinta a sábado, chegando a fechar a rua em algumas vezes, unindo seu público ao do albergue em frente e formando uma festa só. Bom para quem gosta da zueira!

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Mas, além disso, ele conta com uma estrutura legal de quartos compartilhados e suítes. São 3 quartos com 4 camas, sendo um feminino e dois mistos; 3 quartos femininos com 6 camas; 2 quartos mistos com 6 camas; 1 quarto misto com 9 camas; e 6 suítes privativas com banheiro, sendo 3 júnior e 3 de luxo. No andar de cima há um banheiro compartilhado feminino, e no de baixo um masculino. Não vou mentir, achei o banheiro feminino bem bagunçado e mal conservado, mas recebi a explicação de que houve algum problema com uma das funcionárias no dia, e que por isso estaria daquele jeito. Enfim, o hostel me pareceu bastante organizado nos cômodos restantes, portanto pode ter sido um caso isolado.

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Os quartos no geral são, apesar de simples, muito bem cuidados nos detalhes. Os quartos femininos são rosa ou lilás, o que cria uma identificação. Todos os quartos compartilhados contam com tomada, abajur e uma cestinha para objetos pessoais ao lado de cada cama, tudo individual. Confesso que acho isso essencial num albergue, pois tenho mania de dormir com meu celular carregando ao lado da cama. No dia em que estive lá, me hospedei no quarto feminino misto de 4 camas – ele é bem apertadinho. Como era baixa temporada e o Contemporâneo estava vazio, fiquei sozinha no quarto. Assim que cheguei, recebi minha roupa de cama + toalha limpinhos para preparar minha cama – não é cobrado nenhum valor extra pelos utensílios, estão todos incluídos na diária. Mas preste atenção neste detalhe: apesar dos quartos contarem com lockers, é essencial que você tenha em mãos seu próprio cadeado. O Contemporâneo até costuma vender cadeados na recepção, porém no dia em que estive lá, eles estavam esgotados.

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A casa de vez em quando recebe exposições de artistas que espalham seus quadros e obras pelo hostel. E um detalhe me chamou a atenção: o café da manhã é estendido aos sábados e domingos – vai até 13h, ao invés de 11h, como nos dias de feira. Ótima inciativa! Aliás, o café da manhã é servido onde à noite funciona o bar, e num esquema bandejão que achei bem funcional. Frutinhas, pão, suco de laranja, frios, manteiga, café. O básico para me acordar e manter bem disposta por algumas horinhas!

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Aqui a minha dica especial é solicitar pelos quartos nos fundos do hostel. Como eu comentei, a rua vira uma festa à noite, o que provavelmente atrapalhará seu sono caso esteja hospedado no quarto da frente, que tem janela para a rua. Eu dormi nesse quarto de frente, mas o bar do Contemporâneo estava desativado para obras e era domingo, então não sofri com a barulheira de festa e gente conversando na janela.

Para fazer sua reserva no Contemporâneo, clique aqui.

RIO SOUL HOSTEL
De todos os que visitei, este foi o mais “simples” – e talvez por isso o que apresenta o melhor custo-benefício. As áreas comuns são bem decoradas, com uma convidativa sinuca no primeiro andar, e ainda dois computadores, TV, DVD e jogos disponíveis ao hóspede. No entanto, os quartos são mesmo básicos, sem muita decoração. Além disso, todos os banheiros são compartilhados – alguns apenas entre mulheres, o que é um ponto bem positivo.

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As opções de quarto no Rio Soul são: dormitórios compartilhados mistos com 6, 9, 12 e 14 camas; dormitórios compartilhados femininos com 8 e 15 camas; e duas suítes privativas, uma tripla e uma para casal – ambas com banheiro dentro do quarto. Todos os quartos possuem ar condicionado e o hostel oferece WiFi grátis.

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Me hospedei no quarto compartilhado feminino de oito camas. Minha estadia foi bem tranquila, porém tenho algumas observações. As duas tomadas ao lado de minha cama não estavam funcionando; o locker faz muito barulho para ser aberto, o que pode incomodar os demais hóspedes do quarto; o WiFi não funcionava no quarto. Além disso, a toalha e o cadeado para o locker individual (oferecido gratuitamente pelo hostel) não estão incluídos no preço da diária. O aluguel de toalha custa R$10 e do cadeado, R$15 – sendo ambos uma taxa única, para tempo indeterminado. O café da manhã está incluído na diária e conta com pães, geleia, manteiga, queijo, presunto, sucos, leite, café, frutas.

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A localização do Rio Soul é um ponto super positivo: duas quadras tanto do Metrô de Botafogo como da Praia de Botafogo, e ao ladinho do Botafogo Praia Shopping. Indico para pessoas que busquem uma hospedagem mais em conta, que prezem por limpeza e localização, mas que não se importem de estar num lugar simples, sem luxos ou decorações pomposas.

Para fazer sua reserva no Rio Soul, clique aqui.

Agora vamos a um resumão básico da minha percepção do perfil de cada um destes hostels:
-> Com quais mais me identifiquei: Meiai, Injoy e Oztel
-> Qual eu indicaria para um amigo festeiro: Contemporâneo
-> Quais eu indicaria para um amigo exigente e cricri: Meiai e Injoy
-> Qual eu indicaria para um amigo muquirana ou basicão: Rio Soul
-> Qual eu indicaria para um amigo descolado e antenado: Oztel

Em breve escreverei sobre dicas do que fazer no bairro! Aguarde e acompanhe. Para receber os posts novos direto no seu email, é só se cadastrar aqui no blog ou seguir nossas páginas no Twitter e no Instagram: @fuigosteicontei.

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Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

Discussion

  1. Olá Carla. Muito bacana suas dicas, estão sendo super úteis para minha programação de viajem. Porém, preciso fazer uma observação sobre o Rio Soul Hostel, ele não eh nada barato não. Entrei em contato hoje, a passaram a diária para da suíte no final do ano 600,00! Eh super basicão na estrutura e serviços, mas o preço não condiz com isso. Abçs

    • 600 reais por uma diária lá??? Q isso… O Rio está absurdamente inflacionado. Fiquei impressionada agora. Obrigada por complementar com sua experiência, Karla.
      Boa viagem pro Rio!

  2. Pingback: Onde se hospedar no Rio de Janeiro – bairro a bairro | Fui, gostei, contei | por Carla Boechat

  3. Oi, Carla!

    Bacana seu post. Encontrei ele durante uma pesquisa para meu blog When in Rio! Mas só uma observação: a maioria dos hostels que você citou fecharam, infelizmente: o Oztel, Meiai e o Rio Soul Hostel.

    Beijos,
    Manuela

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