Guia com os principais museus de Santiago do Chile

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Costumo separar os museus de Santiago em duas partes: os que contam a vida de Pablo Neruda e os demais. Difícil ir ao Chile e não querer conhecer as casas onde viveu o intrigante poeta – uma mais linda do que a outra. Mas que tal explorar os outros museus também? Desde os basicões aos mais elaborados, dou dicas de passeios paralelos para fazer quando visitar cada um deles. Há alguns que julgo im-per-dí-veis. Esses eu assinalei com um *asterisco, mas nem seria necessário, dada a minha empolgação ao escrever sobre eles. Vamos lá?

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Museo Histórico Nacional – Ótima parada durante uma visita ao centro histórico de Santiago. Localizado em frente à Plaza de Armas (o marco zero da capital), é um prédio em estilo neoclássico que já foi sede do Congresso Nacional e abriga quadros, objetos de época, livros e documentos raros. Dali, você pode ir andando para o Mercado Municipal, com restaurantes de mariscos mil e lojinhas de souvenir. O museu não abre às segundas-feiras e possui entrada grátis aos domingos.

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Museo Nacional de Bellas Artes – A sede atual foi construída em 1910 para simbolizar a comemoração do centenário da Independência do Chile. Seus jardins originais acabaram se transformando no Parque Florestal, que também merece um pouco do seu tempo. Se quiser dar uma de “local”, pode deitar na grama do parque para descansar um pouco. É limpa, não precisa de canga, nem nada – e vc vai ver gente de todo tipo jogada ali, desde os engravatados tirando uma “sesta” até estudantes usando as mochilas como travesseiro. E prove os churros das carrocinhas dali – são uma delícia! Voltando a falar do museu, o MNBA possui um acervo riquíssimo e fica instalado em um prédio maravilhoso. Não abre às segundas-feiras e a entrada custa 600 pesos (estudantes e idosos pagam 300 pesos). Grátis aos domingos.

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Museo Chileno de Arte Pré Colombino– Possui um dos mais completos acervos de arte pré-colombiana do continente, com cerca de duas mil peças dos indígenas que habitavam a América antes da chegada de Colombo por aqui. Tudo é muito bem conservado e elucidativo. É bem interessante para conhecer um pouco dos costumes antigos desse povo, além de ter uma estrutura linda. Fica perto da Plaza de Armas e pode ser conjugado à ida ao Museo Histórico Nacional. Funciona de terça a domingo e a entrada custa 3 mil pesos. Estudantes e idosos pagam mil pesos.

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Museo de La Moda* – Esse é para as fashionistas de plantão! Único museu de moda da América Latina, fica no bairro de Vitacura e pode ser conjugado com uma visita ao shopping Las Condes, mais elitizado e menor que o gigantesco shopping Parque Arauco. A última exposição, “Volver a los 80”, terminou em dezembro. A próxima tem data prevista para o segundo semestre desse ano e será inspirada na década de 60, com peças que pertenceram a Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn, Elvis Presley, John Lennon e Marilyn Monroe. A entrada custa 3.500 pesos chilenos, sendo que para estudantes e idosos o valor cai para 2.000 pesos chilenos. Às quartas-feiras e aos domingos há um preço promocional de 1.800 pesos chilenos para o público em geral. Para visitas guiadas, agende um horário com antecedência pelo site sem acréscimo de valor.

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Museo de Artes Visuales– Que localização! Vá para passar uma tarde nessa região de Lastarria e dedique um tempo especial à charmosíssima Plaza Mulato Gil de Castro. Se não for pelo museu em si, vá pelo café que fica no primeiro andar – é um charme à parte. Depois, caminhe pelas ruas laterais e conheça os diversos ateliês de designers chilenos – bolsas, vestidos, acessórios que só existem ali! É um ótimo programa para sair do foco turístico e conhecer um lado mais rústico de Santiago. Se vc estiver com sorte, ainda vai se deparar com uma feira de rua com livros antigos, quinquilharias e etc. Para finalizar, vá andando para a Calle Jose Victorino Lastarria (nem cinco minutos dali). São vários restaurantes e bares, incluindo becos e galerias fofos onde vc pode escolher a dedo onde quer terminar o seu dia. Agradável para tomar um vinho, uma cervejinha, bater papo, beliscar, jantar, fazer um lanche, tomar um café, que seja. Mas não perca essa oportunidade!

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Museo de la Memoria y los Derechos Humanos* – Chocante. O Museo de la Memoria destrincha a ditadura chilena, mostrando objetos usados nas torturas, cartas de crianças que ficaram órfãs e vídeos reais da época e com depoimentos de pessoas torturadas. Estive lá quatro vezes e a sensação era inebriante a cada visita. É inevitável vivenciar essa crueldade com tanta transparência e não lembrar que no Brasil tudo ainda é segredo de estado. Não deixe de ir. Foi inaugurado em 2010 e é interativo, moderno e espaçoso, com biblioteca, lanchonete e estacionamento. Sua localização não é tão estratégica para os turistas, mas pode-se chegar de metrô tranquilamente. A entrada é grátis.

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Agora é a hora de se encantar com a história de Pablo Neruda…

La Chascona* – Única casa de Pablo Neruda em Santiago, tem esse nome em homenagem à amante Matilde, que se tornou sua terceira mulher e com quem o poeta viveu o resto de seus dias. A casa foi construída ainda em segredo e lembra um navio. Neruda era um enamorado pelo mar, embora nunca tenha aprendido a nadar. A casa foi alvo de depredações no golpe militar, mas reconstruída em 1990, quando Pinochet saiu do poder. Ali pertinho fica o Cerro San Cristóbal, que tem uma vista espetacular da capital chilena, além de uma catedral da Imaculada Conceição, a padroeira de Santiago. Terminado o passeio, vá ao Pátio Bellavista (nem dez minutos andando dali), onde estão diversos restaurantes e lojinhas de artesanato local, tudo da melhor qualidade. Na rua ao lado, Calle Constitución, também há diversas opções.

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La Sebastiana* – Conhecida entre os turistas como a principal atração de Valparaíso, fica a 117 km de Santiago. Quando Neruda estava procurando uma casa para comprar na região, recorreu a um amigo com as seguintes indicações : “que não estivesse nem muito acima, nem muito abaixo do morro; que fosse tranquila para que pudesse escrever e descansar; solitária, mas não em excesso que não se escutasse os vizinhos nem os visse se assim não o quisesse; original, sem ser desconfortável; nem muito grande, nem muito pequena; que ficasse longe de tudo, mas que ainda assim próxima à civilização; independente, mas com comércio nas redondezas; e, além de tudo, muito barata”. Nascia ali mais uma obra prima do poeta chileno. Na entrada, recebemos um rádio que narra a história do lugar, dividida por cômodos. Super interessante e incentiva que vc faça a visita no seu próprio ritmo, podendo pausar ou repetir as gravações quando quiser. A cada casa de Neruda, eu me impressionava com a quantidade de quinquilharias que ele acumulava. E a vista para o Oceano Pacífico? Ele realmente era um apaixonado pelo mar. Uma vez em Valparaíso, aproveite e estique até Viña del Mar (15 minutos de carro). As duas cidades são lindas, sendo Valparaíso uma zona portuária marcada pelas casinhas coloridas nos morros e vida cultural bem rica, e Viña del Mar uma região mais elitizada, com cassino e ótimos hotéis e restaurantes.

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Isla Negra– Encantamento. Definitivamente, a melhor casa de Pablo Neruda. Grande, com uma vista mais linda ainda do mar, uma área aberta enorme para admirar toda aquela vista e coleções infinitas de “coisas”. Digo assim, pois Neruda considerava-se um “coisista”, gostava de guardar lembranças de viagens ou presentes que ganhou quando embaixador do Chile. E se apegava mesmo a cada um dos objetos, dando-lhes nomes e posições de destaque em casa. Uma das salas, acredite, é dedicada à coleção de conchas de todas as partes do mundo. Infinitas, de todas as cores e tamanhos. Foi em Isla Negra que Neruda viveu o resto de seus dias ao lado de Matilde e a casa guarda várias declarações de amor do poeta à la chascona. Se distraia também pela exposição de arte no hall do museu, que abriga ainda “El Rincón del Poeta”, um café-restaurante especializado nas receitas do próprio Neruda. Que tal o caldo de côngrio, que mereceu um poema com a descrição da receita deste prato típico chileno e que está escrito nas paredes do lugar? Isla Negra fica 120 km distante de Santiago, 60 km depois de Valparaíso.

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Todos os museus de Neruda funcionam de terça-feira a domingo e custam cerca de 4 mil pesos. Estudantes e idosos pagam 1.500 pesos.

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Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

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