5 mitos e curiosidades sobre a Transylvania

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Viajar para a Romênia e estudar mais sobre a Transylvania foi um aprendizado e tanto para mim! Havia muitas histórias e lendas que eu nem mesmo podia imaginar, e só indo até lá para poder vivenciar tudo isso. Se você também tem vontade de conhecer esse pedacinho (nem tão) sombrio do mundo, pode começar por esse post. Depois de ler bastante, conversar com muita gente de lá, ir a tours guiados… Compilei tudo o que achei de mais curioso aqui. Com certeza vai ajudar a responder as infinitas perguntas que recebi sobre ter visto o Drácula por lá ou não… 😛

  • Existiu um Drácula de verdade e ele não era um vampiro

Sim, se você está indo para a Transylvania esperando ver vampiros… Ops. Sinto em dizer que eles nunca existiram de fato na Romênia e não passaram apenas de uma boa dose de imaginação de Bram Stoker, autor do livro Drácula. Mas não se desaponte. Existiu um Dracula de verdade muito mais medonho, na minha opinião, que o do livro de terror, ops, romance.

A história real (a que aconteceu meeeeesmo) é que Bram Stoker se inspirou em Vlad Tepes, que em romeno significa “Vlad, o Empalador”, mas cujo verdadeiro nome era “Vlad III, filho do Dragão”, para criar o personagem vampiresco que bebia sangue das pessoas. Vlad Tepes foi Príncipe da Valáquia, atual região da Romênia, e filho de Dracul, que em romeno significa Demônio. E, ainda em romeno, “son of Dracul”, ou filho do demônio, significa Dracula – daí o nome do personagem. Quanta informação, né!

Vlad Tepes, ou Dracula, ou O Empalador, teve fama em toda a Europa por volta do ano 1450 pela forma como aniquilava seus inimigos: perfurava seus corpos em espetos gigantes de madeira e os deixava agonizando por dias até que morressem. E depois que morriam, os corpos eram deixados lá à mostra, sendo comidos por bichos, como uma prova do que acontecia com quem cometia crimes em seu reinado. Ele teria matado mais de 60 mil pessoas assim. Ele tinha sede por sangue. E dizem que de forma literal: reza a lenda que ele bebia o sangue de suas vítimas ou o usava como molho na comida ou no pão – Ahhh, agora a história do vampiro bebedor de sangue começa a fazer algum sentido!!!

Vlad Tepes, o verdadeiro Dracula
Vlad Tepes, o verdadeiro Dracula
  • Não existe o castelo do Drácula do livro

“Tá de sacanagem, eu não acredito nisso!”. Pois é. E se você também está indo pra Transylvania esperando visitar o castelo do livro que você leu… Ops. Você não vai encontrá-lo de fato. Mas embarque em todas as lendas que rodeiam esse drama e sua ida vai valer a pena.

Depois que o livro foi lançado como uma história que se passava na Transylvania, deu-se início a uma caça ao castelo real de Drácula em toda a região. Foi encontrado, então, um lugar muito parecido com a descrição do autor. Estamos falando do Castelo de Bran, que fica na pequenina vila também de nome Bran, e que hoje em dia está aberto a visitação. Mas Bram Stoker nunca esteve lá, o livro não cita diretamente esse castelo e, na verdade, nunca se passou nenhuma história vampiresca por lá. É um castelo comum que levou fama de ser o do Drácula. E hoje atrai milhares de turistas todos os anos em busca de vampiros, fantasmas e afins.

O que dizem é que Bram Stoker teria recebido de um amigo um postal com a foto do Castelo de Bran, meio sombrio e envolto por uma floresta sinistra, e então, a partir dessa imagem, somada à história medonha de Vlad Tepes, teria desenvolvido toda a narração de terror que se passa na Transylvania. A Romênia soube usar muito bem essa história e levou para o mundo sua fama de país dos vampiros. Uma bela jogada de marketing que deu muito certo! E que, sim, vale muito a pena ir conhecer de perto.

Selfie na porta do Castelo de Bran
Selfie na porta do Castelo de Bran
  • O verdadeiro Dracula nem é da Transylvania

Peraí que agora deu um nó na minha cabeça… E de onde Bram Stoker tirou que ele era de lá?! Bom, o autor não tirou nada na verdade. Como eu falei aí em cima, ele nunca tinha pisado na Romênia, tinha ouvido de terceiros sobre a história horrenda de Vlad Tepes, mas também tinha visto umas fotos das florestas e dos castelos sombrios da Transylvania. Ué, se é apenas uma ficção, por que não misturar tudo e criar uma narrativa ainda mais assombrosa?!

Deu certo. Hoje todo mundo visita castelos na Transylvania que nada têm a ver com o verdadeiro Dracula e castelos na Valáquia, outra região da Romênia, que nada têm a ver com o livro de Bram Stoker. Todo mundo saiu ganhando no final 😀

  • Sim, existe um castelo do verdadeiro Dracula

É um castelo do Dracula. Mas não é um castelo do Drácula, hehehe. Explico: não é onde se passou a história do livro, mas é, de fato, o lugar que carrega boa parte da história do Dracula real, o Vlad Tepes.

Você encontra esse castelo na fortaleza de Poenari, na cidade de Pitesti, uma instalação militar que teria sido palco de batalhas sangrentas e de alguns dos famosos e temidos empalhamentos durante o reinado de Vlad Tepes. Como, depois de ler até aqui, você já deve imaginar, a cidade de Pitesti nem mesmo fica na região da Transylvania, mas sim na região da Valáquia.

Visitar esse castelo é uma forma de se aproximar dos bastidores do filme vivenciando histórias reais, e não apenas imaginárias.

  • O verdadeiro Dracula ainda é admirado por muitos romenos como um herói

Sim, minha gente. Até hoje. Vlad Tepes, o Dracula que realmente existiu, era um defensor do Catolicismo e é lembrado como o corajoso cavaleiro que lutou contra o expansionismo islâmico na Europa. Sozinho ele teria fundado 5 monastérios. Mas, ao longo de 150 anos, sua família teria sido responsável pela fundação de mais de 50.

É uma história um tanto controversa para um homem tão cruel como ele, mas é que naqueles anos acreditava-se que doações religiosas apagariam seu passado e te abririam as portas para o céu.

E mais. Muitos romenos se orgulham de Vlad Tepes pela sua coragem em praticamente zerar a criminalidade nessa época medieval. É que ele teria sido bem sucedido em criar ordem e justiça num país antes sem leis. Ele era tão, mas tão temido, que todos andavam super na linha para não acabar na mira de Vlad. Portanto, até hoje na visão de muitos romenos, ele foi um herói cujos fins justificavam os meios.

Não consigo olhar mais que 5 segundos para essa imagem. Vlad Tepes durante uma refeição admirando suas vítimas empaladas...
Não consigo olhar mais que 5 segundos para essa imagem. Vlad Tepes durante uma refeição admirando suas vítimas empaladas…

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Muito do que contei aqui eu aprendi no Walkabout Free Walking Tour de Brasov (super indico). Interessante, né?! Agora que já sabemos um pouquinho mais sobre a real história dos múltiplos Draculas, vou desmitificar mais uma coisinha: a Transylvania não é nada sombria, vampiresca ou fantasmagórica – palavras de uma pessoa absolutamente medrosa e que se impressiona com qualquer coisa. Eles bem que se esforçam. Mas a verdade é que as cidades dessa região são MUITO fofas! Acompanhem nos próximos posts 😉

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Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

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  1. Pingback: Brasov, na Transylvania: o que fazer, onde ficar, como chegar, o que comer e beber, quanto custa, é seguro? | Fui, gostei, contei | por Carla Boechat

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