Dois flamencos para ir em Madrid: um tradicional e outro descolado

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Desde 2010 o flamenco é declarado patrimônio cultural imaterial da humanidade pela Organização das Nações Unidas. Com origens que remontam às culturas ciganas e mourisca, e ainda com influências árabe e judaica, o flamenco mistura música, canto e dança com uma emoção tocante. No início o flamenco consistia apenas de canto, sem acompanhamento. Depois, começou a ser acompanhado por violão, ou guitarra, palmas, sapateado e dança. Mais recentemente outros instrumentos como o cajón e as castanholas foram introduzidos, assim como violino, celo e flauta. A cultura do flamenco é associada principalmente à região da Andaluzia, na Espanha, e tornou-se um dos grandes símbolos da cultura espanhola.

Em Madrid estive em dois flamencos bastante diferentes um do outro: um super tradicional, que é exatamente o que fazia parte do meu imaginário sobre o estilo musical, e outro mais descolado, no subsolo de um bar, onde até mesmo o público presente participava batendo palmas e cantando “Olé” – expressão tradicional no flamenco, que manifesta emoção e entusiasmo.

O primeiro espetáculo a que assisti foi no Las Tablas, bem ali na Plaza de España. Apesar da localização bastante turística, o Las Tablas é muito tradicional, bem pequeno, discreto e intimista. Nós brasileiros estamos acostumados com alguns programinhas “pega turista” de Tango na Argentina, e por isso pesquisei muito antes de ir a uma apresentação de flamenco na Espanha, pois queria algo realmente clássico. E encontrei o Las Tablas, que está em quarto lugar no TripAdvisor na sessão “Vida noturna” e tem resenhas ótimas online.

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Há shows todos os dias (os únicos dia de folga são em 24 de dezembro e 1º de janeiro). As apresentações são renovadas mais ou menos a cada 15 dias, então se você voltar lá numa segunda viagem à Espanha é bem provável que encontre um espetáculo completamente novo. O Las Tablas existe há onze anos e é mantido pela Marisol e pela Antonia, muito queridas e que se apresentam no palco com uma vivacidade e uma entrega incríveis.

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O ingresso no Las Tablas custa 27 euros por pessoa e dá direito a uma bebida. Eu tomei uma sangria deliciosa e bem servida. Se quiser pedir mais bebidas, cada uma custa cerca de 3 euros. Os sanduíches custam cerca de 5 euros e as saladas uns 10 euros. Há também tábuas de queijos e de jamón, ou a opção de comprar o ingresso com um jantar. No Las Tablas o flamenco contava com uma pessoa no violão (Juan José Ramos), uma na voz (Juan Debel, com uma voz incrível!) e havia três dançarinos (a Marisol e a Antoia, e um era convidado da noite). Os estilos de flamenco apresentados foram: alegrías, tientos, tangos, soleá e bulería. Me encantei, e sugiro tentar um lugar na primeira mesa, à beira do palco. O Las Tablas fica na Plaza de España, 9.

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O segundo flamenco que fui em Madrid era muito descontraído e autêntico e eu o descobri por acaso. Eu estava rodando pelos bares do bairro La Latina, quando resolvi entrar no La Taranta – e foi um tiro certeiro! Toda a decoração remete a touradas e flamenco. No andar de cima é um bar normal, bastante animado, com música baixinha.

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E no andar debaixo é onde rola o concorrido flamenco. Adorei porque o espaço é bem pequeno, então a música ecoava e ficava bem marcante, e todo mundo cantava junto. Era muito animado! A diferença do anterior é que não há apresentação formal de dança (por vezes alguém ficava de pé e dançava por uns segundos). Mas tem que chegar cedo para conseguir um lugar ali, as mesas são limitadas. Acompanhe pela página deles no Facebook para saber o horário e dias das apresentações.

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O La Taranta fica na Calle Cava Baja, 25. Pelo que entendi, não é cobrada uma entrada para o flamenco, paga-se o que se consome. E aqui há mais opções do que consumir, visto que trata-se de um bar que, como plus, oferece shows de flamenco. Estava lotado no dia em que fui, mas pedi para conhecer pelo blog e eles me deixaram ficar em pé lá no cantinho curtindo um pouco. Mas, por regra, ninguém pode ficar em pé, somente quem tem mesa ali. Que clima animado! Ótima pedida para uma noite divertida entre amigos.

 

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Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

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