Gastronomia atacamenha: as comidinhas do Deserto de Atacama que você pode, e deve!, provar

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Quem pensa no deserto mais árido do mundo costuma imaginar um ambiente inóspito, sem a biodiversidade e os recursos necessários para uma produção regional de alimentos. Mas é aí que mais uma vez o Atacama nos surpreende! Não somente existem vários ingredientes locais, como a cultura indígena soube aproveitá-los muito bem, proporcionando uma deliciosa gastronomia atacamenha.

Toda região tem as suas particularidades de solo e clima, que definem a agricultura que ali vai ser praticada. No Altiplano, onde as condições são um tanto extremas, acontece o mesmo. Mas ainda sim os atacamenhos souberam driblar as adversidades e cultivar alimentos. No povoado de Socaire, inclusive, é possível ver terraças de cultivo, um conhecimento herdado dos incas.

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A base da culinária são os grãos, como as favas, o trigo e a quinoa, e também o milho e a batata. Durante muitos anos, as únicas carnes consumidas eram as dos camelídeos que aqui vivem, como a lhama e o guanaco.

É claro que, nos tempos globalizados de hoje, qualquer tipo de insumo chega a San Pedro, por mais longe e isolado que seja o povoado. Essa dificuldade de acesso é um dos motivos pelos quais as coisas costumam a ser mais caras aqui do que no resto do país.

Mas você não veio para o Atacama para comer as mesmas coisas que comeria no Brasil, né? Então confere uma listinha dos ingredientes que você com certeza vai encontrar em San Pedro e que você definitivamente deve experimentar.

Chañar

O chañar, parecida com uma castanha, é a frutinha da árvore de mesmo nome, bastante presente na região. A partir dela se faz um xarope, usado em sobremesas ou para adoçar comidas. Na gastronomia mais moderna, se usa em pratos agridoces, como no frango com molho de chañar do restaurante Adobe. Fora da culinária, o chañar é utilizado em cosméticos, como em sabonetes, e até na decoração. Dica: experimente o sorvete de chañar chips da sorveteria Babalu (tem duas na Caracoles, a principal rua do povoado).

Rica rica

A típica erva rica-rica cresce em arbustos, somente em altitudes elevadas, geralmente a partir dos 3.000m sobre o nível do mar. Por ter um cheiro bem característico, é muito utilizada para aromatizar pratos e também bebidas, como no pisco sour e na cerveja. Um restaurante que faz usos muito criativos dessa erva é o Baltinache, especializado na cozinha atacamenha e mapuche (do sul do Chile), uma espécie de fusion cuisine indígena. Dica: experimente o pisco sour de rica rica, servido em vários restaurantes da cidade, como o Solcor, que fica na rua Calama.

Coca

A folha de coca todo mundo conhece por suas propriedades energéticas e por ajudar a encarar a altitude. Você pode encontrá-la a venda em saquinhos na Feria Artesanal, na pracinha da cidade. Apesar de ser muito utilizada em chás e para mascar, na culinária seu uso é reduzido. Dica: experimente as balinhas de coca vendidas nas lojinhas, que são bem docinhas e baratinhas! 

Algarrobo

O algarrobo, que em português se chama alfarroba, é uma leguminosa, parecido com uma vagem. Entre os meses de setembro e novembro, algumas ruas de San Pedro, principalmente as mais distantes do centro, ficam cheia dessas frutinhas no chão. Delas se fazem a farinha de algarrobo, que é altamente nutritiva e pouco calórica. Também são utilizadas na produção da chicha, uma bebida alcoólica consumida em cerimônias atacamenhas. Dica: o restaurante Ckunna (que eu adoro!!!) tem pratos com esse ingrediente, fica na rua Tocopilla.

Quínoa

A quínoa é o grão andino por excelência. Dentre os vegetais, é considerada a de maior valor nutricional. Até a chamam de grão de ouro! Um dos seus preparos mais gostosos é o quinotto, o risoto de quinoa. Dica: um excelente lugar para experimentar um quinotto ma-ra-vi-lho-so é o restaurante Solcor, que falamos logo acima.

> Dica valiosa: para experimentar todos esses ingredientes de uma vez só, dê uma passadinha na sorveteria Babalu, na Caracoles. Lá eles fazem sorvete desses sabores e de outros mais convencionais. Sem contar que é o ideal para se refrescar do calor do deserto.  

Batatas roxas

O povoado de Socaire é o local onde muitos dos alimentos servidos nos restaurantes de San Pedro são cultivados. Uma das culturas mais diferentonas da região são as papas moradas, ou batata roxas. Seja em pedaços ou num purê cremoso, é uma delícia! Curiosamente, são poucos os restaurantes que servem essa iguaria, mas vale perguntar para os garçons.

Carne de lhama

Experimentar carne de lhama é uma unanimidade entre os viajantes carnívoros. De textura suave e sabor marcante, está presente em vários preparos, como sopas, empanadas e até o famoso a lo pobre, com batatas-fritas e ovo frito (dá-lhe colesterol!). Dica: na cidade, os restaurantes Bendito Desierto, Ayllu e Delícias del Carmen oferecem uma variedade de pratos com lhama. A experiência mais autêntica, no entanto, é experimentar a carne no famoso espetinho do povoado de Machuca, visitado no tour ao Geyser El Tatio.

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Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

Discussion2 Comentários

  1. Oi Carla,
    Adorei as dicas dos cardápios,já conheço vários desses,mas sempre que passamos pelo Chile,pelo deserto,é maravilhoso experimentar coisas novas.
    Obrigada por tantas dicas,Beijos

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