Simplicidade indiana e sorrisos sinceros: como Trivandrum me conquistou

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Como já contei por aqui, cheguei há dois dias à Índia para uma viagem de duas semanas pelo Estado de Kerala ao lado de outros 29 blogueiros do mundo a convite do Departamento de Turismo de Kerala. Nossa primeira parada foi a cidade de Trivandrum – uma maneira mais fácil de chamar a capital do estado, Thiruvananthapuram. Por trás desse nome complicadinho estão pessoas carinhosas. Mais curiosas sobre mim que eu mesma sobre elas. Que me param pedindo fotos. Que diminuem o passo para sorrir para minha câmera ávida por registrar esse modo de vida tão peculiar. Que se oferecem para ajudar. Que param e me pedem ajuda. Que às vezes mal falam inglês. Mas cujo olhar transmite tudo o que eu mais tenho gostado de sentir: simplicidade e paz.

Hoje pela manhã acordei às 6h para ver os pescadores saindo para alto mar. Desci as escadarias do meu hotel até chegar à sua praia reservada aos hóspedes. Me aproximei quietinha pela areia. Mais de 20 homens preparando suas redes e seus barcos. O silêncio tomava conta. Apenas a música vindo do mar se misturava ao burburinho hindi. A vestimenta dos homens me chamava a atenção – aqui no Estado de Kerala todos eles usam estas cangas amarradas na cintura num formato que lembra uma fralda larga.

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Fui meio tímida, receosa em tirar fotos e ser mal recebida. De longe fiz um sinal de Ok e apontei para minha câmera, numa tentativa de iniciar um contato por mímica. Um dos pescadores se aproximou de mim. Para minha surpresa, me perguntou em inglês de onde eu era. Respondi “Brasil” e ele retrucou: país lindo! Ali conversamos um pouco e perguntei se teria problema eu ficar por ali para fazer umas fotos. Ele disse que eu era mais que bem vinda. Se virou e foi continuar o trabalho.

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Fiquei observando a forma como eles levavam aquele barco grande e pesado até o mar: todos se juntavam em uma de suas pontas, forçando para que ele girasse, girasse e girasse até que chegasse à beira da água.

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Alguns cliques e giros depois, mais um pescador se aproximou de mim. E falou sem cerimônia: Vai lá ajudar a empurrar o barco! Balbuciei com vontade de ir, mas meio sem saber como me juntar ali ou o que fazer. Veio o incentivo: “Corre lá e empurra! Mas me dá sua câmera aqui. Onde eu aperto pra tirar fotos também?”

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Eu corri. Me esforcei pra ajudar a empurrar o barco de madeira. Como era pesado!!! Quando voltei, ele me mandou ver as fotos. E falou todo orgulhoso: Estão lindas! Quando o barco finalmente embalou no mar, eles me convidaram a voltar à noite, quando retornasse da pesca. “Vai ter peixão! Fica bom pra foto! Pode voltar!”.

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À tarde foi a vez de visitar, dessa vez não mais sozinha, o templo Sree Padmanabhaswamy. O início de sua construção data do século 15 e ele é o templo hindu mais rico do mundo em termos de ouro e pedras preciosas! Não é permitido entrar nem fotografá-lo de perto (parece que há um tesouro guardado lá dentro), mas ele é muito bonito e vale a pena chegar mais perto para observar seus detalhes. Este templo seria uma réplica do Adikesava Perumal localizado em Kanyakumari.

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Mas, mais rico que visitar este templo, foi estar mais uma vez próxima desse povo tão autêntico e de sorriso no olhar. Eles adoravam um flash. Faziam pose, se abraçavam, chegavam perto da gente.

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Mais uns passos à frente, um trânsito louco típico da Índia. Tuks tuks, motos carregando às vezes quatro pessoas ao mesmo tempo sem capacete, bicicletas, muita gente andando pela rua. Buzinas aos montes. Um contraste com o pacífico templo logo no quarteirão atrás. Mais indiano, impossível.

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Algumas curiosidades que aprendi hoje ao longo do dia:

– Quando se diz “Namastê”, expressão indiana que significa “o Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você”, deve-se unir as duas mãos, como em sinal de oração, mas com o cuidado de manter os dois polegares apontados para nosso peito e os demais oito dedos apontados para a pessoa à nossa frente. Isso tem um significado de respeito e quer dizer que estamos mais preocupados com o outro que conosco

– A comida por aqui, como eu já sabia, é extremamente carregada na pimenta. Para aliviar a ardência na boca, fuja da água! Esse líquido apenas vai ajudar a espalhar a sensação picante. Se a coisa apertar pro seu lado, beba leite ou iogurte – para parecer um local, peça “curd”, um iogurte tradicional deles que você pode tanto colocar um pouco sobre a comida a fim de aliviar a pimenta, ou mesmo tomar uma colherada pura após mastigar algo picante demais. O alívio é quase imediato

Depois de tantos aprendizados, terminamos nosso dia com um pôr do sol de frente para a praia de Kovalam, tomando primeiro uma água de coco, depois um tchai indiano. E assim abrimos a temporada do Kerala Blog Express 2016. Mais 13 dias nos aguardam por aí. Amanhã temos programado um passeio em uma “casa-barco” pelos famosos Backwaters de Kerala, uma cadeia de lagoas salobras e lagos paralelos à costa do Mar Arábico e alimentados por 38 rios. São mais de 900km de labirintos em vias navegáveis que passam por pequenas vilas. Vamos dormir em uma destas “casas-barcos” e estou realmente ansiosa por esse passeio, um dos mais procurados e comentados nesta região da Índia.

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Aliás, você sabia que Kerala foi eleita entre os “50 destinations of a lifetime” pela National Geographic Traveler? Continuem acompanhando por aqui e pelas redes sociais. Sempre que der, venho para atualizar as notícias e trazer fotos desse lugar encantador. Namastê!

Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação – e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

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