Experiência gastronômica no Bacalhau do Tuga, o melhor restaurante de Arraial do Cabo

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Numa sexta-feira à noite cheguei sozinha ao Bacalhau do Tuga, em Arraial do Cabo, RJ. Me apresentei para o funcionário que me recebeu, disse que minha mesa era para cinco, mas que meus amigos estavam atrasados. Ainda era cedo, umas 20h, e por isso pude escolher onde me sentar. Fui para perto da janela esperar pelos demais. Nisso me vem a Bianca, a mulher do Tuga, falante e enchendo o ambiente. Por cada mesa que passava, cumprimentava os clientes – muitos pelo nome. Até que chegou a mim. Ofereceu logo uma bebida para quebrar o gelo, numa forma do copo me fazer companhia, e acabei aceitando a sugestão dela. Caip de Amêndoa Amarga. Fui mais pela curiosidade que qualquer outra coisa. Até hoje busco a amargura dessa bebida, onde nem o limão foi capaz de quebrar o doce delicado do licor, num casamento perfeito que dispensou açúcar ou adoçante. E ali já comecei a me apegar ao Tuga – o restaurante, não o chef, que fique claro.

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Já passava de meia hora que só o licor me fazia companhia naquela mesa grande e a Bianca voltou. Insistiu para que eu provasse o Prego no Pão, que seria apenas uma entradinha para abrir o apetite. Me veio um pão francês grande com um filé saborosíssimo e mostarda escura para acompanhar, e ali já jurei que esse seria o meu jantar. Achei que eu não tinha condição de comer mais nada depois daquilo. Quanta inocência…

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Finalmente meus amigos chegaram! E com eles, uma porção de prego, dessa vez em pedacinhos e com bastante molho para mergulhar o pão. E mais uma Caip de Amêndoas Doces, digo, Amargas, claro! O que é bom merece repeteco. Na hora de escolher os pratos principais foi um parto, por assim dizer. As opções, e sugestões da Bianca, pareciam tão apetitosas que a essa altura eu já nem lembrava das pregoadas que haviam passado pela mesa. Fomos de Peixe com Banana para todos (prato típico da cidade).

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A panela de barro veio fervilhando, com um cheiro que invadiu a mesa. O tempero era algo absolutamente inesquecível! Pedaços de banana misturados ao molho levemente picante eram um abraço na alma. Mas o mais incrível mesmo foi a combinação da farofa de coco, crocantezinha, com a maciez do peixe e da banana.

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Terminado o jantar, o Tuga e a Bianca nos convidaram a conhecer o quintal dos fundos, onde iniciavam a construção de um lounge (já li no TripAdvisor que foi inaugurado e que está um sucesso!!!). Uma árvore enorme, a brisa e a lua cheia não me deixaram dúvidas de que aquele ali prometeria ser o espaço mais disputado da casa – que a essa altura estava com todas as mesas lotadas e fila de espera.

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Retornando à mesa, foi a vez de se deixar levar pela sobremesa. Fui de Baba de Camelo – esses portugueses são uns marqueteiros mesmo, usam uns nomes bem diferentes só para a gente ficar curioso e pedir de tudo. E ainda bem que não decepcionam, pois veio à mesa um doce de leite cremoso com raspas de limão que é para ninguém colocar defeito!

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Foi assim que terminamos a nossa noite de sexta num restaurante mais que agradável e, além disso, estrelado. O Bacalhau do Tuga ganhou o “Our Pick” em toda a Região dos Lagos do maior guia do mundo, o conceituado Lonely Planet, que ainda classificou o restaurante como número 1 dentre 214 selecionados da Região Sudeste (foi mal, São Paulo!) e o 3º melhor do Brasil! Ah, é o número 1 no TripAdvisor também entre os restaurantes de Arraial do Cabo. Não espere por luxo, mas por comida boa. É muita moral, gente.

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E foi por isso que voltei lá no sábado. Não dava para parar em outro lugar! Eu até tentei escolher outro restaurante, em nome da diversidade de dicas para o blog, mas não rolou. Preferi me aprofundar na dica certeira. E por isso faço questão de deixar cada um de vocês com mais dúvida ainda na hora de escolher seu prato no Tuga.

Nesse dia chutamos o balde. Pedimos a famosa Costelinha ao Barbecue e a irreverente Feijoada de Frutos do Mar. Uma mistura aparentemente nada a ver ao paladar, eu tinha certeza que não ia dar certo comer dos dois. E, quando os pratos chegaram à mesa, ficamos até com vergonha, pois ia sobrar muita comida e seria um desperdício.

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A Costelinha desbanca – e de muiiiiiiito longe – a do Outback. Esqueça a grande rede! Fique com a do Tuga, é algo inexplicavelmente bom. E a Feijoada… Gente, juro que achei que isso não fosse rolar. Frutos do mar com feijão, achei a coisa mais esquisita do planeta. Experimentei só para contrariar minha convicção inicial de que costelinha não combinava com frutos do mar. E repeti. E repeti de novo. E peguei mais um pedaço da costelinha para fechar a noite. E, quando vi, devoramos os dois pratos inteiros, sem deixar sobrar mais nada, nem aquele último pedacinho que todo mundo fica sem graça de pegar. Detonamos tudo!

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Não sei explicar o tempero que o Tuga usa nesses pratos. É simplesmente divino! Mas posso tentar explicar o tempero que ele deu à vida dele. Ele e a Bianca se conheceram novos, se dividiram entre Portugal (de onde ele é) e Brasil (nacionalidade dela). Quando vieram para cá, o dinheiro mal daria para pagar as contas. Mas eles abriram o primeiro restaurante, no fundo de casa, num espaço muito simples. E foi com uma culinária incomparável, muita criatividade e empenho que conquistaram o paladar de cada cliente. Havia até o desafio “Se você não gostar, não precisa pagar”. O tal do marketing português que falei aí em cima.. Fisgaram todo mundo pelo estômago, esses danados! Hoje eles estão numa casa maior – e não pretendem expandir muito mais, pois a prioridade é preservar a qualidade do que servem.

Eles têm guardada a primeira resenha que receberam no TripAdvisor, que foi parte importante do boca-a-boca que os levou a ficarem tão localmente conhecidos. E o que mais me encantou ali foi a simplicidade de ambos, a felicidade que se percebe na cumplicidade deles. Sem o Tuga na cozinha não vai ter comida desse padrão. Sem a Bianca fazendo seu papel de relações públicas com cada cliente, o Tuga também perderia parte de seu charme e clima intimista, como se estivéssemos na casa de amigos. E senti que estávamos. O casamento perfeito, eu diria. Sortudos somos nós.
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Nesse dia fui embora com uma garrafa de Licor de Amêndoas Amargas embaixo do braço – um presente do casal querido. Me desculpem, leitores, mas desse jeito vai ser difícil diversificar as dicas de restaurantes de Arraial. Mas prometo, de pés juntinhos, me especializar cada vez mais nos pratos magníficos servidos no sensacional Bacalhau do Tuga, a fim de não deixar ninguém sem opção do que comer nessa cidade paradisíaca. Here´s the deal!

Bacalhau do Tuga
Endereço: Praia dos Anjos, Arraial do Cabo
Tel: (22)2622-1108 / (22)9209-2525
E-mail: bacalhaudotuga@gmail.com

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Atenção, leitor: este é um post não patrocinado. Estive no Bacalhau do Tuga como um convite e com o objetivo de conhecer seus serviços e divulgá-los no blog. Sou absolutamente transparente com relação a minhas impressões sobre o local e parcerias realizadas. Obrigada pela confiança!

Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

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  1. Pingback: Pousada da Prainha, recém reformada, é opção em Arraial do Cabo, RJ | Fui, gostei, contei | por Carla Boechat

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