Victoria Falls, qual lado visitar: Zim ou Zam?

0

Existe um lugar na África que merece muito sua visita. Estou falando da Victoria Falls (ou Cataratas de Vitória). Ela é considerada a maior queda d´água do mundo, com uma extensão de 1708m e uma altura de 99m. Eu estive lá em Outubro desse ano e o lugar é realmente incrível.

E se você está planejando ir lá, deve prestar atenção a um detalhe. Assim como as Cataratas de Iguaçu ou a Niagara Falls, ela também fica dividida entre dois países: Zimbábue e Zâmbia. Por isso a divida é conhecida como lado “Zim” ou “Zam”. Eu estive dos dois lados, e aqui nesse post vou dar dicas básicas do que fazer, onde ficar, onde comer e falarei também sobre a burocracia de imigração para brasileiros em ambos os lados.

victoria-falls-zimbabue4

Victoria Falls pelo lado Zim

Onde ficar

Quando estive lá, eu optei por me hospedar no lado do Zimbábue, na cidadezinha chamada Victoria Falls e que foi projetada para atender o turismo. É um lugar pequeno, mais charmoso e de fácil circulação.

Me hospedei em dois lugares lá. Na primeira noite fiquei no Rainbow Hotel, que foi a última hospedagem de um overland tour de 8 dias que fiz com início na África do Sul e término no Zimbábue. Depois me hospedei por duas noites no Shoestrings Hostel – fiz minha reserva pelo site do Hostelworld. É o hostel mais animado da cidade (nos fins de semana há festa sem hora para acabar). Peguei uma suíte privativa com uma amiga.

Desde ambas hospedagens eu estava a poucos passos do comércio principal da cidade.

Onde comer

Em uma das noites jantamos no Mama Africa, com música e comida locais. É um restaurante mais turístico, mas que eu curti bem o clima. No cardápio há até carne de elefante! Morri de dó, não tive coragem de comer. Mas experimentei a tal da sadza, prato super típico na África e que é basicamente um purê de arroz. Como não tem um gosto marcante, normalmente vem com um molho mais apimentado, e também outros acompanhamentos, como carne.

Moeda

A moeda oficial no Zimbábue é o dólar americano. Depois de um período de inflações malucas, o país decidiu adotar o dólar para estabilizar a economia. Então, mesmo que você vá sacar dinheiro num ATM, a única opção será retirar dólar.

O que fazer

Vixi, tem muuuuuuitas atividades em Victoria Falls! O problema é que elas são bem caras (sério, não dava para achar nada que custasse menos que 125 dólares).

O que sai mais em conta mesmo é visitar o parque nacional de onde se vê as Cataratas. A entrada custa 30 dólares, e em uma hora você consegue ir a todos os mirantes com vista para as cataratas tranquilamente. Eu fui e, claro, vale a pena. Ah, e dá para ir caminhando desde o centrinho da cidade até a entrada do parque.

Victoria Falls

Outro passeio lá suuuuper famoso é o rafting pelo rio Zambezi. Dizem ser um dos mais emocionantes do mundo! Mas custava 125 dólares por pessoa, e eu acabei não fazendo. Também é possível saltar de bungee jump da ponte que liga o Zimbábue à Zâmbia (160 dólares) ou sobrevoar as quedas de helicóptero (era quase 200 dólares). Veja aqui uma lista das atividades oferecidas no parque nacional das Cataratas de Victoria.

Quando visitar 

A boa notícia é que, no lado Zim, as cataratas nunca secam, nem mesmo na época de seca, que foi quando eu estive lá. Eu fui em Outubro, e ainda assim era possível se maravilhar.

No entanto, a melhor época para visitar a Victoria Falls pelo lado Zim é de fevereiro a maio, porque é bem depois da temporada de chuvas e ela está bem cheiona. O problema é que essa não é a melhor época, por exemplo, para fazer safáris ali por perto, como em Botsuana. Então se a ideia é unir essas duas atividades, o ideal seria ir de junho a agosto – as cataratas ainda estarão bem volumosas.

Porém eu tenho uma dica: há um passeio no lado Zam incrível demais e que só pode ser feito durante a época de seca, que vai de Outubro a Novembro. Mais abaixo eu conto o que é 😛

Veja uma parte das Cataratas totalmente seca
Veja uma parte das Cataratas quase totalmente seca

Visto para brasileiros

Esse é um detalhe que você precisa prestar bastante atenção. Brasileiros necessitam de visto para entrar no Zimbábue, e ele custa 30 dólares. No entanto, se você pretende fazer base no Zimbábue, atravessar um dia para conhecer as cataratas do lado da Zâmbia, e depois retornar, precisará de um Visto de Dupla Entrada, e este custa 45 dólares. Veja mais aqui.

Eu tirei meu visto de Dupla Entrada lá na hora mesmo, sem complicações.

Victoria Falls pelo lado Zam

Eu fiz apenas um bate-volta de um dia para o lado da Zâmbia, por isso minhas dicas aqui serão mais curtas. A cidade do lado Zam onde você pode fazer base para visitar as cataratas é Livingstone. Eu passei uma tarde lá e não gostei muito como um lugar para ficar uns dias – por isso infelizmente não tenho dicas de onde ficar lá. É uma cidade sem grandes atrativos, mais pobre e meio caótica. É claro que eu curti pelo lado cultural da coisa, mas ainda assim indico se hospedar no lado Zim, na cidade de Victoria Falls.

 O que fazer no lado Zam

Para mim, o principal atrativo aqui é a famosa Devil´s Pool. E esse é o tal passeio que eu disse que só é possível fazer durante a época de seca. É um pouco caro, mas eu achei imperdível se você curte um pouquinho de adrenalina. A Devil´s Pool é simplesmente uma piscina natural no ALTO das Cataratas de Victoria e À BEIRA das quedas. Fiz questão de ir pois é algo que eu acho que não encontraria em nenhum outro lugar do mundo. E o visual lá de cima é incrível demais!

É lá em cima que fica a Devil´s Pool!
É lá em cima que fica a Devil´s Pool!

Existem duas maneiras de se chegar lá, por trilha ou de barco. Indo de barco naturalmente sai mais caro. Eu fui com a agência Tongabezi. Ela oferece um serviço mais exclusivo, e o trajeto é feito de barco. Custa 98 dólares por pessoa nos horários da manhã (à tarde o valor sobe para 158 dólares) e inclui o transporte de barco, os guias, o mergulho na Devil´s Pool e um café da manhã super chique lá no alto das cataratas. Não foi necessário pagar a entrada no parque do lado Zam (que custa 20 dólares, mas que nessa época do ano não valia a pena, pois estava tudo seco).

Mas no lado Zam também há muito mais que fazer, como kayaking, rafting, rapel, passeios de helicópteros. Veja algumas opções oferecidas pela agência Tongabezi aqui.

A travessia do lado Zim pro lado Zam

Táxis não têm permissão para atravessar a ponte do lado Zim pro lado Zam, nem vice-versa. Portanto, o trajeto mais simples é pegar um táxi no centro de Victória Falls até a fronteira (o meu custou 5 dólares), atravessar a ponte a pé (tem cerca de 1km e dali é possível ver as quedas do lado da Zâmbia em épocas de cheia), passar pela imigração, e depois pegar outro táxi até o parque (custa cerca de 10 a 15 dólares, pois é mais distante). Esse trâmite todo me tomou cerca de uma hora.

Escambo na Zâmbia

Esse é um fato curioso que achei que valia trazer para o blog. Algo me chamou muito a atenção na primeira loja em que entrei em Livingstone. Eu estava numa daquelas tendas bem pequenas que vendem souvenirs quando um vendedor viu um prendedor de cabelo em meu punho e na mesma hora falou “Minha irmã tem o cabelo muito comprido e aqui eu não consigo achar isso para comprar! Dá para mim, por favor! Pode pegar qualquer souvenir meu em troca”. Claro que meu “alerta de golpe” logo despertou. Mas ele estava falando sério, eu podia pegar qualquer souvenir simples em troca de meu prendedor de cabelo. Então eu ofereci mais 3 dólares para levar um souvenir grande. Ele aceitou na mesma hora e ficou muito feliz.

Paralelamente, outro vendedor estava em cima da minha amiga. Ele perguntava se ela não tinha uma caneta para dar para ele, pois a irmã estudava e não tinha caneta nem papel. E disse que ela poderia pegar qualquer souvenir em troca. E ela pegou.

livingstone-zambia

Saindo dali, fomos caminhar por uma área com várias lojas de rua. Estávamos carregando nosso tênis na mão pois ele estava molhado. To-do-ven-de-dor nos parava para perguntar “Você quer trocar seu tênis??”. Hahaha Imagina que eu iria trocar! Meu tênis novinho de corrida…

Por fim, eles começaram a apelar. “Poxa, você não tem nada para trocar… Olha aí na sua mochila, deve ter algo que você queira trocar pelos meus souvenirs”.

Eu ainda não entendi por que eles valorizavam tanto QUALQUER objeto de estrangeiros (será que eles vendem depois dizendo que era de uma brasileira ou sei lá?), mas o que eu posso contar é que o escambo é uma coisa muito forte na Zâmbia. Prepare-se para negociar dessa maneira. Se você entregar qualquer coisa para eles, mesmo que seja uma caneta, o preço de qualquer souvenir despencará. Achei tudo isso muito louco.

Moeda

Diferentemente do Zimbábue, a Zâmbia possui sua moeda própria chamada kwacha. Porém, como Livinstone está bem próximo da fronteira, todo mundo ali aceita dólar.

Visto para brasileiros

Brasileiros também precisam de visto para entrar na Zâmbia, então não se esqueça de incluir este custo em seu orçamento. O visto normal de entrada única custa 50 dólares. Mas se você está indo apenas visitar a Victoria Falls num bate-volta, indico pegar o Visto de Trânsito, que custa 20 dólares e é válido por um dia (foi o que eu fiz, e eu tirei meu visto lá na hora da travessia). Veja mais aqui.

Leia mais sobre minha viagem pela África aqui:

28 dias na África: roteiro completo África do Sul, Suazilândia, Botsuana, Namíbia, Zimbábue

Wilderness – o vilarejo da África do Sul onde eu poderia viver para sempre

Primeiro dia na África – perdi minha mochila com tudo dentro

Um fim de semana na Suazilândia – o menor país do Hemisfério Sul

Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

Leave A Reply