Wilderness, o vilarejo da costa da África do Sul onde eu poderia viver para sempre

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Hoje meu escritório é na praia. Sim, literalmente. É desse lugar aqui na foto abaixo que estou escrevendo esse post para vocês – da praia de Wilderness, um vilarejo pertencente a George, na costa da África do Sul, localizado na Garden Route – rota que vai da Cidade do Cabo a Porto Elizabeth.

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Estou percorrendo essa rota, que possui 800km, e decidi parar aqui antes de ir para meu destino seguinte apenas para quebrar a viagem e ela não ficar muito longa. Mas eu não tinha ideia do paraíso que eu viria a encontrar.

Começou quando meu shuttle da Bazbus {transporte que estou usando para percorrer a Garden Route e que me busca na porta dos meus hostels e me deixa no hostel seguinte} me avisou: “Carla, chegamos ao seu destino! Aqui é o hostel Wilderness Beach Backpackers“. Estava chovendo, estava frio, mas nada disso impediu de eu cair de joelhos por esse lugar.

Ele era exatamente o que eu estava esperando: um paraíso bem discreto, num vilarejo, com uma praia deserta, num lugar tranquilo e sem muita movimentação de turistas.

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Fiz Check in no hostel e me levaram para conhecer meu dormitório. A menina avisou “sua cama é no segundo andar, mas acho que você não vai se importar porque a vista de lá é mais bonita”.

Uau! Sério? Jura? Eu não acreditei. Era um quarto enoooorme com 16 camas que foram ofuscadas pela varandona. Cheguei mais perto, abri as portas de correr e me deparei com uma praia maravilhosa. Estava nublado, estava um tempo esquisito, e mesmo assim eu fiquei ali no vento admirada com aquele visual. Era impossível não me hipnotizar.

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Varanda humilde do meu quarto... 💙
Varanda humilde do meu quarto… 💙

Apenas larguei minha mochila ao lado da cama e desci para o bar do hostel. Naquele frio de chuva fina eu não teria muito o que fazer e já eram umas 4 da tarde. Então decidi me sentar em uma das mesas, pedir uma cerveja e atualizar o blog.

Aquela era noite de pizza no forno a lenha. 85 Rands davam direito a uma pizza enorme, que caiu muito bem depois de eu já ter tomado 5 long necks de cerveja.

A música ambiente era empolgante. Fiquei ali refletindo e pensando o quanto sou abençoada de viver esses momentos. Mais que abençoada, fiquei feliz comigo mesma por não esperar as coisas acontecerem e simplesmente comprar minhas passagens aéreas e me jogar no mundo. É isso e muito mais que me espera por aí, e é isso que me motiva a não parar de explorar cada país que posso.

Depois de escrever, beber, editar vídeos, comer, postar fotos, me veio o sono. Fui para meu dormitório de 16 camas e dormi cedinho!

No dia seguinte às 7:30 eu já estava de pé. De pé e novamente prostrada naquela varanda do quarto. Admirando o visual e vendo um tímido sol aparecer. Nem acreditei! Me arrumei correndo e desci pra recepção.

Parecia que hoje seria mesmo dia de sol. Pedi as dicas básicas do que fazer ali por perto e me mandei.

Primeiro fui até a praia. Vaziiiiia. Deseeeeerta. Caminhei pela areia dura em direção a uma tal caverna que me indicaram conhecer.

Peguei a pequena trilha, que ia sobre antigos trilhos de trem margeando o mar e levavam até um túnel. O túnel parecia completamente escuro e me deu um medinho {principalmente de encontrar algum bicho ali dentro}. Mas bastaram alguns passos para enxergar a luz do outro lado.

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E quando terminei de atravessar o túnel me deparei com um cenário deslumbrante. Eu não acreditava no que eu estava vendo e descrever aqui vai ser bem difícil.

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A tal da caverna é a casa que um homem construiu ali, nas pedras, de frente pro mar. E é a casa mais incrível que eu já vi na vida. Não tem nada de luxuosa. Mas ela surpreende. Sua decoração minuciosa com muuuuitas conchas e vários objetos inesperados se une harmoniosamente. À frente da casa, uma mesa convidativa, onde já imaginei um jantar entre amigos.
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Eu estava ali fotografando e o dono chegou. Perguntou se eu queria entrar pra conhecer a casa por dentro. “Claro que sim!”. E fui. E uau!

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Os detalhes são tantos. Tudo sob iluminação de velas. Do teto ouvia os pingos de água da caverna úmida. O labirinto que se formava trazia surpresas. Na saída, uma caixinha para contribuição ao dono da casa. Eu estava tão extasiada que minha vontade era dar muito mais do que eu podia!

Antes de ir embora o parabenizei e contei que foi a casa mais incrível em que já entrei. E depois fiquei ali em frente observando o mar e pensando em como a vida pode ser tão simples e agradável. Realmente precisamos de muito menos do que pensamos para sermos felizes.

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Dali voltei andando pelos trilhos do trem e fui até o centrinho tomar café da manhã na Green Shed, que me recomendaram muito. O lugar era lindo de morrer! Fofo toda vida e em cada detalhe.

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Comi um croissant com chocolate quente. Ao final ainda experimentei o brownie com castanhas. Tudo ficou em 70 Rands – como estou amando os precinhos da África do Sul! Se estiver em Wilderness, vá ali para tomar um café ou comer uma torta. E aproveite o ótimo Wi-Fi.

Depois dei uma volta pelo pequeno centrinho, que em 15 minutos pode ser todo percorrido. Há lojinhas de artesanato, cafés, restaurantes. Para internet gratuita, vá ao Milkwood Village, centro comercial onde também há lavanderia, correios, mercado, lojas.

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Depois desse tour, fui para a praia fazer hora enquanto esperava meu shuttle da Bazbus vir me buscar. E é onde estou agora escrevendo esse post. Está um ventinho gelado contrastando com o sol esquentando a pele. Não estou com coragem pra entrar no gelado mar do oceano Índico, mas só de estar de biquíni de frente pra ele, já não preciso de mais nada.

Trouxe um chip para celular da EasySim4u que me dá acesso ilimitado a internet em toda a África do Sul, o que está sendo ótimo, já que meu hostel oferece gratuitamente apenas 20 muitos de Wi-Fi a cada doze horas Rsrs.

Daqui sigo com a Bazbus para Stormsriver, minha próxima parada na Garden Route.

Acompanhem essa viagem maravilhosa pelas redes sociais! 💙 E se algum dia fizerem a Garden Route, não se esqueçam desse cantinho especial chamado Wilderness. Tenho certeza que você não irá se arrepender de vir aqui.

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Obs.: Eu reservei todos os hostels dessa viagem pelo site Hostelworld, que me apoiou nesse mochilão. É o melhor buscador de hospedagens pra encontrar os hostels mais incríveis do mundo!

Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação – e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

Discussion16 Comentários

  1. Olá, Carla.
    Bom dia. Tudo bem ?

    Estou com viagem marcada para semana que vem pra África e será que poderia me ajudar com o roteiro ?

    10/11 – 16/11 Cape Town
    16/11 – 17/11 hermanus
    17/11 – 19/11 wilderness
    19/11 – 21/11 knysna
    21/11 – 23/11 pletenberg bay
    23/11 – 25/11 Jeffrey’s bay
    25/11 – 27/11 Porto Elizabeth
    27/11 – 30/11 Cape Town

    Fiz os hostels ja

    O que achas do roteiro ?

    Grato

    • Olá, Clovis!
      Seu roteiro está ótimo! Você vai visitar ainda mais lugares do que eu na Garden Route. Se você conseguisse, eu apenas indicaria incluir Stormsriver ou um lugarejo próximo para que você possa conhecer o parque Tsitsikamma. Se você gosta de trilhas, lá há uma incrível que te leva a uma cachoeira que fica em frente ao mar. É longa, com quase quatro horas somando ida e volta, mas valeu muito a pena!
      Esse é um parque muito bonito lá.
      De resto, eu não mexeria em nadinha. Em Wilderness não deixe de visitar a casa na caverna. É impressionante!
      Boa viagem e aproveite muito!

      • Olá, Carla

        Bom dia. Obrigado pela sua rapida resposta. Será que você poderia indicar alguns passeios que posso fazer nas cidades que você visitou ? Vou dar uma olhada em Stormsriver.

        Obrigado pela dica.

        • Claro, Clovis.
          Em Cape Town eu fiz rapel na Table Mountain com a empresa chamada Abseil Table Mountain. Tb fiz lá um passeio ótimo de bike com a AndBikes. Lá tb fiz um passeio a Cape Peninsula com a Baz Bus e adorei! Vimos muitos pinguins no caminho e no final do dia visitamos o Cabo da Boa Esperança.
          Em Jeffreys Bay me hospedei no Island Vibes, e fechei com o próprio hostel minha aula de surf. Eles também oferecem sandboarding e outros passeios. Indico muito o serviço deles.
          Fiz a Garden route com a Baz Bus, excelente para quem se hospeda em hostels, pois eles te buscam na porta de um hostel e deixam na porta do hostel seguinte.

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  6. Carla!!!! tou apenas encantado com seu roteiro e suas dicas. vou colar em vc (no seu bloq). Quero ir em agosto e vou sugar todas as dicas daqui. desde ja muito obrigado.

  7. Olá Carla !
    adorei ler seus relatos !
    tinhas algumas dúvidas sobre a Suazilândia mas elas foram esclarecidas !
    estou indo com um amigo para a Africa do Sul , e estou pensando em alugar um carro pois quero fazer o Kruger e de lá partir para a Suazilândia , seguindo para Draskenberg mountains e como ponto final Cape Town .

    O que você acha no caso de alugar um carro ?

    bjo

    • Ei, Ismael!
      Que bom que os relatos ajudaram 😀
      Quando eu estava lá, conheci uns brasileiros viajando de carro. Me disseram que a viagem foi super tranquila.
      As estradas na África do Sul era bem boas, então acho que pode ser uma ótima opção para você viajar por lá.
      Beijos

  8. Olá Carla

    Estou começando a ler seu Blog e já me apaixonei!

    Meu namorado e eu iremos à África do Sul e incluiremos a Garden Route no roteiro. Mas estamos divididos entre a mão inglesa e o Baz Bus!! Algumas questões… precisa de carro nessas cidadezinhas pra fazer os passeios? Há opções de transporte pra ir nas atrações, que não sejam caras demais? Caso optássemos pelo Baz Bus e considerando que há dias em que ele não passa nas cidades (2x por semana), quais seriam os lugares que você indicaria para passar dois dias?

    Muito obrigado!

    Bjs

    • Eiii Christian!!
      Ahaha que legal que está curtindo os posts da África!
      Olha, eu nao precisei de carro pra fazer quase nenhum passeio. Apenas o trekking que fiz em Stormsriver, mas o hostel me levou até o local e depois me buscou.
      Eu fiz tudo da maneira mais econômica possível, e achei bem de boa os preços.
      E o BazBus foi excellente opção. Tendo o calendário de funcionamento deles em Maos, da pra se programar.
      Eu escolheria passar dois dias em Jeffreys Bay (lá dá pra fazer sandboard, aula de surf, passeio a cavalo e a cidadezinha tem várias opçoes). Também AMEI Wilderness, que apesar de pequenininha, tinha um clima muito gostoso, para relaxar mesmo, sabe?
      Espero ter ajudado! Depois me conta como foi a viagem de vocês 😀

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