Eu já tinha ouvido falar muuuito de Chiloé, o maior arquipélago do Chile. E finalmente pude visitar esse lugar lindo na Região dos Lagos chilena durante a minha viagem por terra do Deserto do Atacama até a Patagônia. Aliás, você sabia que Chiloé é a quinta ilha em tamanho da América do Sul? Aqui vivem cerca de 170.000 pessoas!

Você pode escolher apenas uma base em Chiloé, como Castro por exemplo, ou dormir em diferentes pontos da ilha. Eu escolhi a segunda opção, pois assim conheceria melhor os lugares que passasse. Minha estadia ficou dividida entre Castro (capital de Chiloé), Colé Colé (praia escondida e de difícil acesso) e Ancud (mais ao Norte, na entrada da ilha).

Um dos principais atrativos de Chiloé são suas Igrejas que são Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. São 16 no total espalhadas pelo arquipélago e que dão todo um charme ao lugar. Além disso, há outras tradições locais, como o curanto, as palafitas, a empanada de maçã, as festas costumbristas. Sem falar nos pinguins! Contarei tudinho ao longo desse artigo.

Essa parada em Chiloé foi parte da minha viagem de 4 meses sozinha pelo Chile indo por terra do Deserto do Atacama até a Patagônia.

Castro, em Chiloé

Castro é a base mais óbvia quando se planeja uma visita a Chiloé. Essa cidade fica bem central, e daqui é possível visitar diversos pontos espalhados pela ilha. Por isso acho legal se hospedar aqui durante toda a sua visita a Chiloé ou em pelo menos parte dela.

O que fazer em Castro

  • Igreja de San Francisco: na praça está uma das 16 Igrejas que são Patrimônio da Humanidade. Vale entrar pra conhecê-la por dentro! Aliás, aproveite pra passar no Centro de Informações Turísticas e pegar um mapinha da região. Quem tem documento chileno também pode pegar uma bicicleta emprestada por até três horas.
  • Mirador Gamboa: as palafitas são a marca registrada de Chiloe, e desde esse mirante você tem uma ótima vista delas!
  • Dalcahue, Tenaún, Cascada de Tocoihue: você pode fazer esse passeio com agência ou por conta própria (foi minha escolha). Pode não ser tão simples se locomover de ônibus entre esses lugarejos, então uma opção é pedir carona (comum aqui no Chile, em especial no Sul). Dalcahue é uma graça! Vale fazer o passeio pela orla, passar pela feirinha de artesanato e almoçar na Cocinería (também pode atravessar de barco até Achao). A próxima parada seria a Cascada de Tocoihue, que custa 1.000 pesos chilenos. O lugar tem um restaurante, onde provei a tal da empanada de maçã. Por último, dê uma passadinha por Tenaún pra conhecer sua Igrejinha que também é Patrimônio da Humanidade. Esse roteiro também pode ser feito de trás pra frente.
  • Nercón: fica bem pertinho de Castro (uns 3km) e tem uma Igreja que é Patrimônio da Humanidade. Dá até pra fazer no mesmo dia do item anterior. Quase em frente à igreja, na rua principal, está a cervejaria artesanal Pioneras – abre às 18h, então o ideal é visitar Nercón no final do dia.
  • Muelle de las Almas: é provavelmente o lugar mais visitado de Chiloé, e justamente por isso decidi não ir. Me contaram que chega a ter fila de no mínimo 40 minutos pra se aproximar e tirar fotos. O lugar parece de verdade lindo, mas há outros muelles para conhecer na ilha.

Onde comer em Castro

  • Sanguchería Patito: segura essa dica boa e barata! Sanduíches deliciosos onde você escolhe os ingredientes, o molho e o tamanho (se quer inteiro ou meia porção) a partir de 2.700 pesos chilenos. O vegetariano, com champignon, é uma delícia!
  • Heladería Picaflor: se você gosta de um sorvete artesanal, não pode deixar de vir aqui. Muito bem servido e com preço a partir de 1.600 pesos chilenos. Amei o sorvete de pistache!
  • Café Blanco: passei uma tarde aqui trabalhando! Ambiente agradável, comida boa e farta e ainda vendem os souvenirs mais fofos!

Extra: comidas típicas de Chiloe

  • curanto:
  • cazuela de cordero: tipo uma sopa de cordeiro.
  • milcao: tipo um salgado de batatas raladas e cozidas.
  • empanada de maçã: isso mesmo que você leu rsrs
  • caldillo de mariscos: tipo uma sopa mais aguada com mariscos que os chilotas comem no café da manhã.
  • chapalele: é tipo a sopaipilla, mas mais massuda e geralmente em formato quadrado.
  • salmão: em Chiloé você encontra esse peixe super fresco e com o melhor preço de todo Chile.

Onde ficar em Castro

Aqui a referência é a Plaza de Armas – então quão mais próxima dela você estiver, melhor. Eu fiquei no Hostal La Minga. Bem localizado, cama confortável, café da manhã básico incluído na diária e a dona é brasileira! Achei ótima opção e a Camila, a dona, ainda me emprestou uma barraca pra acampar em Cole Cole (conto mais abaixo).

Outra opção beeeem legal e muito procurada é o Palafitos Hostel – já que as palafitas são um clássico aqui, por que não se hospedar em uma, né?

Se você buscar algo intermediário, dê uma olhadinha no Palafito Waiwen e no Palafito Entre Mar y Tierra B&B. O 5 estrelas de Castro é o Enjoy Chiloe. Dê uma olhada também no OCIO Territorial Hotel para uma acomodação luxuosa.

Praia Cole Cole, Chiloé

Esse lugar roubou o meu coração e me mostrou um lado de Chiloé totalmente diferente da rota já batida de igrejas-muelles-feiras de artesanato. Cole Cole trata-se de uma praia escondida onde só se chega a pé e que fica no Parque Nacional Chiloe.

A rota mais conhecida (que na verdade não é tão conhecida assim) é um trekking de pelo menos 22km ida e volta. O mais aconselhável é acampar lá (foi o que eu fiz e conto aqui).

A trilha para Cole Cole

Se estiver em Castro, tome o ônibus que vai do Terminal Municipal para Cucao e peça para descer em Palihue – assim você economiza 5km de trilha! A partir dali, os primeiros 7km serão na beira da praia em areia durinha e depois mais 4km pra subir e descer um morro, totalizando umas 4 horas de caminhada. Só então você chegará na praia Cole Cole.

No Verão há alguns carros fazendo o trajeto de praia, então os mais preguiçosos pedem carona pra não precisar andar tanto. Dois carros pararam pra me oferecer carona e eu não quis, já que minha ideia era caminhar mesmo e estava adorando andar pela beira da praia. Mas fica a dica.

O trajeto é minimamente sinalizado, mas suficiente para não se perder. Para se sentir ainda mais seguro, aconselho ter o app Maps.me, onde você pode baixar o mapa offline da região.

Acampar ou fazer bate-volta a Cole Cole

Aconselho mil vezes acampar! Primeiro, pois fica menos cansativo. Você pode sair de Castro umas 11h da manhã e assim fazer a trilha tranquilo (se quiser, dá até pra sair mais cedo e passar no Muelle de las Almas antes). Eu peguei o ônibus das 11h e cheguei na área de camping de Cole Cole por volta de 17h. Segundo, pois o grande atrativo dessa praia é justamente o entardecer. Ver o sol se pondo no Pacífico é único! As fotos abaixo falam por si só. Eu cheguei a me emocionar.

Para acampar em Cole Cole eu levei: barraca, saco de dormir, tapete de yoga para servir de colchão fininho (tudo isso emprestado pela Camila, dona do La Minga Hostel), casaco quentinho, muda extra de roupa, chinelo, artigos básicos de higiene (lenço humedecido, escova e pasta de dente, desodorante, hidratante, protetor solar).

De alimentação, levei comida que pudesse ser comida fria (pão pita, já que não amassa na mochila, lata de atum, queso crema, frutos secos, chocolate) e água (levei 2 litros e comprei mais 1 litro numa vendinha no caminho na volta).

Caso você queira fazer o bate-volta, recomendo sair bem cedinho de Castro, tipo umas 8h da manhã. O último ônibus saía de Palihue para voltar a Castro às 20h. Nesse caso você só precisa levar algo de comida e água.

Infraestrutura da trilha para Cole Cole

Como eu já mencionei, a trilha até a praia Cole Cole é minimamente sinalizada, o suficiente pra não se perder. Já o camping está bem limpinho, mas a sua estrutura está abandonada. O banheiro, por exemplo, estava bem sujo (era melhor ir na natureza mesmo).

Se quiser comprar comida ou algo para beber, ao longo da trilha há pequenas vendinhas (abertas ao menos durante o Verão). Aconselho parar na vendinha da família que cobra a entrada para a praia de Cole Cole. Eles vendem empanada de marisco com queijo e frutos naturais, além de água gelada.

Custos da trilha para Cole Cole

Aqui vou detalhar os meus custos em Janeiro de 2020, ok? Já adianto que sai baratinho!

  • entrada Praia Cole Cole: 1.000 pesos chilenos
  • camping Praia Cole Cole: 2.000 pesos chilenos (por volta de 22h um senhor vai passar cobrando todo mundo)
  • ônibus Castro x Palihue: 2.000 pesos chilenos cada trecho
  • empanada de macha com quejo: 500 pesos chilenos
  • suco natural de melancia: 1.000 pesos chilenos
  • garrafinha de 500ml de água gelada: 1.000 pesos chilenos

Os insistentes tábanos

Se você fizer a trilha para a praia de Cole Cole durante o mês de Janeiro, como eu, vai ter a companhia dos insistentes tábanos – umas moscas gigantes que mais enchem o saco que picam. Não há remédio para eles. Eu comprei o repelente mais potente da farmácia e era como se não tivesse passado nada.

Algumas pessoas me disseram que o ideal para afastar os tábanos é não usar roupas escuras, outras disseram que eu não deveria usar roupa muito colorida. Mas a verdade é que eles só dão folga mesmo à noite ou na sombra (que é pouca durante a trilha). Arranque um raminho pequeno de árvore e leve com você pra espantá-los.

Ancud, em Chiloé

Eu fui a Ancud com um único objetivo: ver pinguins! Há dois lugares no arquipélago de Chiloé onde se pode avistar pinguins, Ancud e Quellón. A primeira é mais barata e fica já na saída (ou entrada) de Chiloé, então foi minha escolha perfeita. Dormi duas noites em Ancud, mas na verdade você precisa de no mínimo uma para fazer esse passeio.

O que fazer em Ancud

  • Baía de Puñihuil: esse é “o” lugar para ver pinguins próximo a Ancud. São uns 40 minutos de distância e você pode tanto ir por conta própria (de ônibus ou pedindo carona) ou em tour. Eu fechei o passeio no meu hostel e não me arrependo (quem levou foi a Chiloexperience). Custou 15.000 pesos (só um pouco mais caro que ir por conta própria) e durou cerca de 3 horas. Eu comprei o passeio que sai de manhã, mas fiquei tão amiga do dono do hostel que ele me convidou pra ir de novo à tarde. Dizem que à tarde se vê mais pinguins, mas te conto que de manhã também vi muitos (passe na lojinha Pinguino Feliz pra comprar os souvenirs mais lindos!). Os melhores horários para vê-los são por volta de 10h ou 17h. E anota aí os meses em que eles pode ser avistados: de Setembro a Março!
  • Muelle el Caleuche: todo mundo que visita Chiloé quer visitar o Muelle de las Almas, mas o que pouca gente sabe é que existem outros muelles na ilha e que são bem menos procurados. Esse, por exemplo, fica abem ali na Baía de Puñihuil e você pode conjugar com o passeio dos pinguins. A entrada custa só 1.000 pesos e é super lindo!
  • Praia Lechagua: com certeza a melhor praia da região para curtir o mar no Verão, já que quase não tem ondas. Mas não se engane: a água do mar no Chile sempre é fria!
  • Igreja San Francisco: é uma das 16 Igrejas Patrimônio da Humanidade de Chiloé. Ou pelo menos era. No dia seguinte que a visitei, ela pegou fogo e foi completamente destruída. Não sei se será possível fazer algum reparo nela.
  • Mercado de Artesanía: é o lugar ideal para comprar lembrancinhas e também para conhecer um pouco da cultura local.

Dica extra!

Você ouviu falar do Pasaporte de La Ruta de las Iglesias? É uma ideia nova e bem legal em Ancud! Custa 1.000 pesos chilenos e é realmente um passaporte com informações das igrejas patrimoniais onde você preenche e carimba a data que você esteve em cada igreja. Além de isso estimular que queiramos visitar todas as 16 Igrejas reconhecidas pela UNESCO em Chiloé, o passaporte também dá prêmios de acordo com as que você visitou.  

Onde comer em Ancud, Chiloe

  • Mercado de Ancud: aqui ficam diversos restaurantes pequenos (ou cocínerias) com ótimo preço e peixes/mariscos fresquinhos. Você pode chegar, olhar o menú de cada uma e escolher a que mais gostar.
  • L`Chinchel: estive aqui para jantar um dia, mas a verdade é que a pegada é mais noitada. Fica a dica pra quem quiser agito! Era uma segunda-feira e meia noite ia começar o DJ.
  • Café Blanco: da mesma rede do Blanco de Castro, é uma ótima pedida. Aproveite pra tomar o sorvete artesanal Pudú vendido ali!

Onde ficar em Ancud, Chiloe

O ideal pra estar muito bem localizado é se hospedar próximo da Plaza de Ancud. Mas eu optei por um hostel um pouquinho mais afastado (15 minutinhos andando, mas com subida) pelas fotos que vi no Booking.

Foi o Submarino Amarillo e não me arrependo nem um pouco! Além de ser muito cômodo e incluir café da manhã, conta com uma varanda com uma vista linda de Ancud. O dono, o Cristian, foi super receptivo. Outra opção econômica e muito recomendada é o 13 Lunas Hostel.

Para uma hospedagem intermediária, dê uma olhada no Cabañas Kompatzki, que oferece bicicletas gratuitas e sauna aos hóspedes. Já a opção mais luxuosa de Ancud fica por conta do lindíssimo Hotel y Terrazas Cabañas Vista al Mar.

Quantos dias ficar em Chiloé?

Eu fiquei seis noites em Chiloé. Recomendo que o mínimo sejam quatro noites, para que você possa conhecer pelo menos os principais lugares da ilha!

Quando visitar Chiloé?

A melhor época para visitar Chiloé com certeza é no Verão, pois é quando faz mais calor (mas ainda assim a temperatura é amena) e é a época menos chuvosa. No Inverno faz frio de verdade, e muitos hotéis e atrativos ficam fechados.

E aí! Curtiu as dicas de Chiloé? Faltou alguma coisa? Conta aí nos comentários que é um prazer ajudar!

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