Mais de três meses depois da Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar Pandemia do COVID-19, como anda a vida das pessoas em diferentes países? Nos jornais e na internet vemos diariamente notícias de lugares que afrouxaram as medidas de isolamento e precisaram voltar atrás, como Portugal; ou cujos números de contágio não param de crescer apesar de duras medidas de lockdown, como o Chile; ou que já voltaram a uma rotina normal de novo (ou o “novo” normal, como têm dito) e seguem invictos sem nenhuma morte pelo vírus, como Vietnã.

A verdade é que dia após dia recebemos uma enxurrada de dados e números e gráficos que acabam nos deixando mais ansiosos e confusos sobre o que de verdade está rolando no mundo. Ou até numa cidade perto da nossa. Você também tem se sentido assim? As regras e a situação de cada destino parecem mudar a toda hora. E tem sido cada vez mais difícil se manter atualizado sobre o Coronavírus a nível global. Bom, pelo menos a minha cabecinha já está dando um nó.

E por causa das minhas muitas viagens, eu conheço pessoas que estão em tudo quanto é canto do planeta agora (ou quase isso, vai) e tem sido inevitável puxar papo com todos eles perguntando como está a situação em seus países ou onde se encontram agora. Digamos que é a minha maneira informal de ter uma visão mais global da pandemia, sem me ater somente ao que está rolando à minha volta ou à avalanche de notícias que chega nos grupos do zap ou outras redes sociais – fake news na maior parte das vezes.

Diários da Pandemia

Então essa semana me peguei pensando: pra que guardar isso só pra mim, né?, se eu posso compartilhar com vocês os relatos desses amigos e amigos de amigos sobre o que está acontecendo onde eles estão. Bati um papo com alguns para ver se estariam abertos a colocar em palavras suas experiências pessoais e, pra minha surpresa, todo mundo topou na hora (na verdade, uma única pessoa me disse que não)! Assim nasceu a ideia do Diários da Pandemia, onde cada dia é escrito por uma pessoa que está em um lugar diferente.

Portanto deixo aqui um convite: vamos ler um pouco sobre como está sendo a pandemia na prática por aí? Alguns desabafos podem deixar nossos corações apertadinhos de tristeza. Mas outros com certeza vão nos trazer um fio de esperança. 

Esclarecimentos

O Diários da Pandemia não tem o objetivo de trazer uma verdade absoluta sobre esse tema ou sobre qualquer destino. Não há um viés político. São textos escritos com base em diferentes experiências pessoais. Tampouco são necessariamente artigos com padrão jornalístico, visto que estou convidando pessoas de diferentes áreas de atuação para compartilhar seus relatos, e cada um escreve à sua maneira. Eu mesma estou fazendo as traduções de espanhol ou inglês para português nos casos de amigos que não são brasileiros.

Algumas informações contidas nos relatos naturalmente vão se desatualizar com o passar dos dias (talvez até mesmo de um dia para o outro). Continuem acompanhando jornais conhecidos e que fazem um trabalho ético, para assim se manterem atualizados sobre a Pandemia em todo o mundo. Também recomendo seguir a Agência Lupa nas redes sociais aqui e/ou aqui. Estão fazendo um excelente trabalho verificando o grau de veracidade das informações que circulam pelo país.

O que vem por aí no Diários da Pandemia

Estou selecionando a dedo as pessoas que eu convido pra ser parte dessa seção especial que estou começando no blog. E se você quer dar o seu relato ou conhece alguém que tem uma história interessante pra compartilhar, me diga aqui nos comentários ou me manda um email/direct. 

Esses são primeiros relatos que vocês podem encontrar aqui nos próximos dias:

  • Equador, escrito pelo Jorge, equatoriano e cunhado de uma amiga que está preso no Brasil desde Março sem poder retornar a seu país de origem devido à pandemia;
  • Vietnã, escrito pelo Renato, meu ex namorado e sócio, brasileiro, e que está nesse país que vem tendo uma rotina normal há semanas, mantendo em zero o número de mortos pelo vírus e baixíssimo o número de contagiados;
  • Argentina, escrito pela Júlia, uma amiga brasileira que está morando em Buenos Aires com seu namorado e a filha de menos de 1 ano; 
  • África do Sul, escrito pelo Kris, um amigo sulafricano que vive na Cidade do Cabo e namora uma brasileira;
  • Estados Unidos, escrito pela Luisa, uma amiga brasileira que mora em Miami e que está de mudança para viver em um motorhome nos próximos dias, e por isso está bem antenada sobre o que se pode ou não fazer nos EUA agora.
  • Tailândia, escrito pelo Danniel, um amigo brasileiro que está nesse país desde o início do ano e onde aparentemente tudo também está voltando ao normal.

Outros destinos previstos para entrar aqui na sequência: Uruguai, Portugal, Itália, Chile, Inglaterra, França, Rússia, China, Tajiquistão. A ideia é subir um diário novo por dia.

Onde eu, Carla, estou?

Muita gente tem perguntado onde raios eu estou durante essa pandemia, já que nem casa eu tenho – tente imaginar como é difícil para um nômade se identificar com a batida frase “Fique em Casa!”. Legal. Mas que casa?

Então vai aqui um rápido resumo. Vim ao Brasil no início do ano visitar a minha família e matar a saudade. Porém uns dez dias antes da data do meu voo de volta para o Chile foi declarada a Pandemia e todas as fronteiras e aeroportos começaram a fechar.

O Chile tem sido a minha base nos últimos três anos e já faz quase cinco que não moro no Brasil e nem fico em uma mesma casa por mais do que três meses. Foi uma tremenda coincidência eu estar por aqui quando tudo estourou. Meu voo de volta pro Chile segue cancelado por tempo indeterminado. E eu acabei alugando um espacinho temporário para mim na cidade onde meus pais moram, Itaperuna (RJ), para esperar as coisas esfriarem um pouco. E acabei até adotando temporariamente uma gatinha, a Paçoca!

Acredito que aqui no Brasil já passamos da fase de pensar que em duas semanas será o pico de casos, ou que no próximo mês a quarentena deve acabar. Já está mais que claro que ainda dura bastante. E, pela primeira vez em anos, estou tentando me planejar a longo prazo (seis meses para uma pessoa que não costuma saber onde estará na semana seguinte é bastante, vai por mim) e minha ideia é me estabelecer em outro lugar daqui a pouco – de preferência perto do mar.

Curtiram?

Espero que vocês gostem da série Diários da Pandemia, e, se puderem, compartilhem com seus amigos. É com muito carinho que estou selecionando os convidados e organizando os relatos que já recebi. Muita força a todos nesse momento delicado, e que o “antigo” normal volte para a nossa rotina o mais breve possível.

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