Sobre saltar de bungee jumping e quebrar um braço na Croácia: a importância do seguro viagem

13

Neste momento estou digitando usando apenas meu braço esquerdo – uma eternidade me separa do ponto final dessa frase. Infelizmente meu primeiro post escrito já em terras europeias não é dos que eu gostaria de estar relatando nesse momento. Eu queria falar do pôr do sol incrível que vi na Grécia, ou da minha aventura para atravessar a Albânia de carro e ônibus, ou da grata surpresa que foi conhecer o litoral de Montenegro, ou das festas e praias incríveis da Croácia.

Mas vou falar sobre praticar esportes de aventura durante uma viagem e dos cuidados que devemos ter. No último domingo eu saltei de bungee jumping na incrível Zrce Beach, em Pag Island, a ilha mais animada da Croácia em termos de festa. Os insiders do verão europeu já sabem que aqui é a nova ferveção – já era Ibiza, já era Mykonos. Somando Novalja (onde fica Zrce Beach) e Hvar (outra cidade bombástica daqui), a Croácia virou a nova queridinha dos baladeiros e da galera mais jovem.

E eu estou namorando aquele bungee jumping de Zrce faz mais ou menos dois meses. Comecei vendo as fotos e, chegando lá, ficava hipnotizada com a galera saltando durante o pôr do sol. Cara, pense em vários beach clubs um ao lado do outro, muita música boa, uma galera linda, um bungee jumping de frente pra praia e com todo esse visual… O clima perfeito pro meu primeiro salto!

acidente bungee jumping-3

A tensão de estar lá no alto com todo mundo olhando pra cima esperando você descer é louca. Alguns gritos de “Goooo!”. O rapaz atrás de você contando “One, Two, Three, Go!”. E seu corpo não obedecendo. Ele recomeça a contagem. Você ouve mais um “Go!” e nada acontece. A perna começa a tremer. Você pensa que já está ali, já pagou, é uma oportunidade única, vários pularam antes de você. “One, Two, Three, Go!”. Você demora 1 minuto para pular. Aquele minuto parece voar em 10 segundos. E aí você fecha os olhos. Faz mais uma oração rápida enquanto escuta “One… Maria… Two… Porta do Céu.. Three…. Passa na Frente… Go!”. E solta seu corpo.

Não dá pra descrever. O corpo pega uma velocidade absurda, você perde a noção de distância e direção. As instruções que você recebeu para abrir os braços quando estiver descendo e cruzá-los na frente do corpo quando estiver quicando pra cima? Vixi! Na real? Não é fácil controlar. É muita tensão e informação ao mesmo tempo. E no primeiro tranco eu senti meu braço. É tudo tão rápido que você não pensa muito. Adrenalina louca no sangue, sua cabeça fervendo, as mãos dormentes. Achei que tinha dado um mal jeito. Continuei as instruções, esticar braços, cruzar braços, soltar os braços.

Quando desci e me deitaram no chão, meu braço direito parou de responder. E a dor foi tão forte e alucinante que eu pensei que fosse desmaiar. Mas só de pensar que se eu desmaiasse, o braço doeria ainda mais com a queda, eu me concentrava para me manter acordada. Eu suava, pressão baixa, boca seca. E o pessoal do Bungee Hrvatska totalmente despreparado, achando que não tinha acontecido nada, que eu devia apenas estar assustada (frescura de mulher, sabe – aliás, eu paguei para filmar meu salto e eles nunca me deram meu vídeo, não confie nessa empresa, filme seu próprio salto). Com alguma insistência eles chamaram a ambulância. Nesse meio tempo um bombeiro se aproximou e pediu pra ver se eu havia deslocado alguma coisa. Tocou meu ombro. Desistiu e se afastou. “Putz, foi coisa séria. Com essa dor, eu quebrei o braço”.

A ambulância chegou, me deu uma injeção para dor e me encaminhou para o hospital em Zadar, a 1h30 de carro dali – na ilha não havia hospital. Nessa hora agradeço a Deus por estar acompanhada de três amigos e por termos um carro alugado conosco (a ambulância não poderia me levar e eu teria que ir por conta própria). A cada tranco do carro na estrada, a fisgada no meu osso era sentida nos nervos. Chegamos a Zadar, esperei um pouco, fui atendida, fiz raio X e veio a confirmação: fratura. Cara! Fratura numa queda de bungee jumping. E no meu braço direito – o que eu uso para escrever e sobreviver! Parecia o pior pesadelo da minha vida. Mas poderia ter sido pior – sempre pode ser pior.

Eu estava apavorada à espera do quanto me cobrariam por aquele atendimento – já ouvi histórias de gente que precisou arranjar 5 mil, 10 mil euros da noite pro dia. E lá no hospital precisei pagar por todo o atendimento em dinheiro (sim, não aceitavam cartão). É claro que eu tinha meu seguro saúde, mas eles só aceitavam o pagamento e eu teria que pedir o estorno do valor direto à seguradora (isso é bem comum). Por sorte não foi um valor abusivo (500 kunas para o hospital e mais 500 kunas para a ambulância, totalizando cerca de 500 reais).

acidente bungee jumping-5

Mas aqui tem um detalhe importantíssimo: meu acidente foi praticando esportes radicais. Não são todos os seguros que cobrem esse tipo de prática. Eu já alertei sobre isso no meu post com dicas sobre o melhor seguro saúde para sua viagem: se você mergulha, anda de skate, faz ski ou snowboard, pula de bungee jumping e etc, etc, etc, tem que contratar um plano com esse tipo de cobertura! A gente acha que nunca vai acontecer com a gente, mas o meu acidente, por exemplo, foi o primeiro desse ano em Zrce Beach (foi o próprio pronto socorro que me deu essa informação)! Mais de 30 pessoas devem saltar por dia lá. Fui a primeira, talvez serei a única em um universo de gente. Então, meu amigo, seguro morreu de velho. Desembolsa esse dindim aí e se garante. Porque se vem uma bolada com mais de 4 dígitos pra pagar, e ainda sem direito a reembolso, ferrou!

O meu seguro foi feito com a Real Seguros (que é a seguradora que indico e vendo aqui no blog) e escolhi a empresa Assist Card. Meu plano, o Classic Europa, tinha cobertura de até 10 mil dólares em caso de acidentes em esportes radicais. Ele custou na época menos de 1.200 reais para o período de pouco mais de 5 meses na Europa. Uma grana muito bem investida!

Para solicitar o reembolso, é necessário ligar para o 0800 deles (se estiver no Brasil) ou a cobrar para o escritório. No meu caso eu pedi a uma pessoa que estava no Brasil para ligar. Na sequência eles informam quais os documentos são necessários para o estorno, você envia por e-mail e solicita o pagamento, que é feito em até 7 dias na sua conta (no momento estou aguardando essa última etapa e atualizo por aqui quando tudo estiver 100% resolvido). Atualizando: o reembolso foi feito direitinho! E eles também cobriram as dez sessões de fisioterapia a que eu tinha direito numa excelente clínica particular de Ortopedia em Zegreb, capital croata.

E tá achando que acabou por aqui? Não! Ainda teve mais! Duas semanas após esse incidente aí com o bungee jump eu precisei ser internada em um hospital, ainda na Croácia, devido a uma infecção urinária (socorro, bate na madeira! Sim, rolaram uns perrengues brabos nessa trip!). Fiquei seis dias no melhor hospital de infectologia da Croácia e não precisei tirar um centavo do bolso, além do que já havia pagado no meu plano da Assist Card (era um hospital público, mas como estrangeira eu precisaria arcar com os custos da minha internação, que ficariam em mais de 3 mil EUROS – naquela época 1 euro estava valendo quase 5 reais. Agora faça as contas do prejuízo que eu teria e me diz se não vale a pena contratar seu seguro viagem SEMPRE e evitar sustos como esse no seu bolso!).

A Assist Card cobriu tudinho, inclusive a medicação que precisei utilizar como tratamento pós internação. Essa eu comprei com meu cartão, solicitei reembolso e tudo fluiu direitinho. Já no hospital eu não precisei pagar nada.

Seguro viagem geral 728x90

Eu me lembro que logo antes de eu saltar no bungee jumping, uma amiga me falou assim “Bungee Jumping eu não tenho vontade não, mas skydiving eu faria”. Eu respondi pra ela que eu queria fazer todos, sem restrições. Agora vocês devem estar se perguntando se eu continuo firme nessa decisão. Bom… Vamos esperar essa dor diminuir e conversamos sobre isso em outro post. Me desejem sorte! E foi dada a largada de posts na Europa (com alguma cautela na escrita por motivos, ham,  óbvios) 😀

Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

Discussion13 Comentários

  1. Poxa Carla! 🙁 SInto muito… Espero que a dor passe logo… Tenho um amigo brasileiro que está aí na Croácia e tbm passou pelo hospital (mas o dele foi pedra no rim) e teve que fazer cirurgia.. Nem imagino quanto ele deve ter desembolsado pq não tem seguro nenhum… Tbm acho a dica do seguro mto importante!!!

    Melhoras!!!
    Bjs

  2. Boechat,

    Muitas vezes eu penso, quando dá alguma encrenca: melhor ter feito e encrencado, do que não ter feito. Estou repensando minha própria teoria agora mesmo! Melhoras, garotinha. Tenho certeza que isso aí não vai travar sua alegria e seus propósitos.
    Um beijo carinhoso,
    Lena Reis

  3. Triste o que aconteceu, mas o post ficou ótimo. Escrevi essa semana sobre viagem de aventura e os riscos das atividades ao ar livre. Seguro Viagem é master necessário!
    Boa recuperação, Carlota.
    Bjos

  4. Menina do céu, que história! Conheci seu blog através do Snapchat(e da RVVB), e vi que você estava com o braço quebrado, mas não sabia como. Realmente seguro de viagem é essencial. Eu já tive alguns problemas em viagem e a tranquilidade de ter um seguro é algo que não abro mão tb. Boa sorte na recuperação!

  5. Carlinha,
    Mais um obstáculo para superar e se surpreender, afinal não é todo mundo que viaja pela Europa com um só braço ne??? Rsrsrs Experiência única!!
    Continua mostrando p gnt no snap! ???

Leave A Reply