Uma viagem pro Amazonas pode ser bem completa se você souber organizar quando ir, quanto tempo ficar e que lugares visitar. Depois de bastante tempo namorando esse estado no Norte do Brasil, eu me organizei para passar 10 dias entre Manaus, Presidente Figueiredo (o paraíso das cachoeiras) e um hotel de selva no coração da floresta amazônica.

Achei que o meu roteiro ficou bem redondinho e pode ser adaptado se você tiver mais ou menos dias. Aqui no meu blog você vai encontrar artigos específicos para cada um dos destinos que visitei, e a minha ideia nesse aqui que você está lendo é te dar um panorama geral do Amazonas. Comece planejando a sua viagem por aqui, e depois leia os artigos de cada destino, ok?

A seguir você vai encontrar informações completas da melhor época para visitar o Amazonas, o que comer (se prepare, a gastronomia amazonense merece destaque!), como dividir o seu roteiro, o que não pode deixar de visitar. Vamos lá?

Essa não foi minha primeira vez visitando a floresta amazônica brasileira! Leia aqui sobre a viagem de duas semanas que fiz no Acre há alguns anos atrás

Quando visitar o Amazonas

Primeiro você deve saber que no Amazonas o clima é dividido em duas fases: o período de chuvas, de Dezembro a Maio, é considerado o Inverno Amazônico; já o período de seca, de Junho a Novembro, é o Verão Amazônico. No entanto, saiba que pode sempre chover – apenas há uma diferença entre períodos com mais ou menos chuva. E os cenários mudam bastante entre um período e outro! Ah, e faz calor em qualquer época do ano, viu? Vou explicar melhor sobre essas duas estações.

Período de chuvas no Amazonas

De Dezembro a Maio é a estação chuvosa. Você tem chance de pegar chuva todos os dias, mas isso não significa que chove o dia inteiro. O clima muda muito rápido, e é comum ter períodos de sol forte entre pancadinhas de chuva. Uma curiosidade é que o nível dos rios chega a subir 15 metros, o que torna uma imersão nos hotéis de selva ainda mais especial. É quando se formam os igapós e igarapés, por exemplo.

De Fevereiro até meados de Março/Abril é quando as temperaturas ficam mais altas e as chuvas mais fortes – e os animais mais à solta na selva. De meados de Abril a Maio é quando os rios estão mais cheios, praticamente na altura da copa das árvores, e isso facilita a navegação. Em Agosto eles começam a baixar devido ao período de seca.

Período de seca no Amazonas

Entre Junho e Novembro chove pouco no Amazonas (mas ainda assim pode chover, viu) e as temperaturas são mais altas. Por ter um clima úmido, a sensação térmica é elevada, podendo passar dos 40 graus. Uma vantagem desse período é que no auge do Verão Amazônico, entre Outubro e Novembro, se formam as praias fluviais – quando o nível de água dos rios abaixa e se formam bancos de areia naturais. É também quando muitos animais se reproduzem e propício para pescaria. E saiba que, mesmo nessa época, pode chover. No entanto, chove menos que no Inverno. Em Dezembro as chuvas voltam com mais força e assim se reinicia o ciclo amazônico.

Como foi a minha experiência no Amazonas em Março

Eu viajei para o Amazonas no final de Março, época muito chuvosa! Sim, choveu quase todos os dias, porém isso não atrapalhou em nada os passeios. Como eu comentei antes, não chove o dia todo. Às vezes caíam umas pancadas de chuva fraquinha, às vezes uma chuva mais forte e rápida. E a temperatura ficou em torno dos 30 graus. Eu amei ver a cheia dos rios quando me hospedei no hotel na selva, por exemplo. E eu sempre sabia que a chuva não iria durar muito, então esperava um pouco e logo ela passava.

Qual a melhor época no Amazonas?

Agora você deve estar se perguntando: “Tá, mas quando é melhor ir para o Amazonas então?”. Pois saiba que não existe uma resposta pronta. Alguns atrativos serão mais vantajosos no Verão, outros no Inverno, pois os cenários mudam muito. Qualquer época é interessante para visitar o Amazonas. Em Fevereiro e Março pode chover bastante (mas, como você viu, eu viajei em Março e tive uma experiência ótima). Já Junho, Julho e Agosto são os meses com menos chance de chuva e que você ainda pega a cheia dos rios.

Separei abaixo duas datas importantes que você pode considerar ao planejar sua viagem:

  • Festival de Ópera: costuma acontecer entre Abril e Maio e conta com apresentações especiais no Teatro Amazonas
  • Festival de Parintins: costuma acontecer na última semana de Junho e é marcado pela rivalidade entre os bois Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho)

O que incluir num roteiro de viagem para o Amazonas

Os lugares mais visitados no estado do Amazonas costumam ser Manaus, Presidente Figueiredo e um hotel de selva. Foi exatamente o que incluí em meu roteiro de 10 dias e que vou compartilhar aqui com vocês.

Manaus

Manaus é por onde a maioria dos turistas chega. A capital amazonense tem uma linda arquitetura e muito o que conhecer, portanto separe de 2 a 3 dias inteiros em Manaus. Esses são alguns lugares que você pode visitar:

  • Teatro Amazonas
  • Mercado Municipal Adolpho Lisboa
  • Praia de Ponta Negra
  • Praia da Lua
  • MUSA
  • Museu do Índio
  • Museu do Seringal
  • Encontro dos rios Negro e Solimões (sem alimentar e nadar com botos, ok?)

Em Manaus eu me hospedei no Local Hostel. Localização impecável, café da manhã maravilhoso, vibe massa com viajantes do mundo todo e preços ótimos!

Leia aqui o artigo com as dicas mais completas e detalhadas de Manaus

Presidente Figueiredo

Presidente Figueiredo fica a 130km de Manaus e é o paraíso das cachoeiras. Já são mais de 150 cachoeiras catalogadas na região, sendo que mais de 30 estão abertas a visitação, por exemplo. Há atrativos suficientes para preencher mais de uma semana se você quiser. Indico reservar pelo menos três dias inteiros em Presidente Figueiredo. Fiz os passeios com o Juju Tour e recomendo de olhos fechados! Guias excelentes e que ajudam nas fotos, preocupação em visitar os lugares em horários mais vazios, bom preço, conhecem muitooo bem a região. Entre em contato por Whatsapp e mencione o cupom FUIGOSTEICONTEI para ganhar 10% de desconto.

Esses são alguns dos principais atrativos de Presidente Figueiredo:

  • Cachoeira da Neblina (tem trekking de 12km)
  • Cachoeira Pedra Furada
  • Fervedouro do Maranhão
  • Lagoa Azul do Maranhão
  • Lagoa Cristalina
  • Caverna do Maroaga
  • Gruta da Judeia
  • Cachoeira do Santuário
  • Lagoa Azul Park
  • Cachoeira Iracema
  • Cachoeira das Araras

Parece muito, né? Pois saiba que visitei todos esses atrativos em 3 dias inteiros, tudo organizadinho pelo Juju!

Em Presidente Figueiredo também me hospedei na unidade do Local Hostel. Quartos muito bons, viajantes do mundo todo, café da manhã maravilhoso, ótimos preços.

Hotel de selva no Amazonas

Ir ao Amazonas e não explorar o coração da selva amazônica é um pecado! Hoje em dia há muitos hotéis de selva com boa infraestrutura e para todos os bolsos. No geral, são oferecidos passeios de canoa, para pescar piranhas, de focagem de jacarés, trilhas, observação de pássaros, visita a família ribeirinha e até mesmo acampamento na floresta.

Eu passei 5 dias no Tupana Amazon Lodge, que fica a 4 horas de distância de Manaus. É um hotel de selva com bom custo benefício às margens do rio Tupana onde o pacote oferecido inclui transfer desde e para Manaus, hospedagem, todas as refeições e passeio acompanhado de guia. Se não tiver tanto tempo disponível, tente passar ao menos duas noites num hotel como esse. É uma experiência única e muito imersiva na selva amazônica.

Em meu perfil no Instagram @fuigosteicontei mostrei a viagem completa pelo Amazonas. Você pode tanto assistir os stories salvos nos Destaques como se deslumbrar com algumas fotos que postei no feed.

O que comer e beber no Amazonas

A gastronomia amazônica merece um capítulo à parte. Definitivamente comer vai ser um dos grandes programas durante a sua viagem! Deixo abaixo algumas dicas pra você se deliciar:

  • Peixes de rio: tambaqui, pirarucu, dourada, tucunaré
  • Pato no tucupi
  • Açaí puro e com farinha de tapioca
  • Tacacá: leva tucupi, goma de mandioca, jambu e camarão
  • X Caboquinho: sanduíche de pão com queijo coalho, pupunha e banana frita
  • Tapioca de queijo com castanha
  • Frutas: taberepá, cupuaçu, babaçu, camapú, pupunha, abacaxi (o da Amazônia é muuuuuito docinho!)
  • Farinha: não tem comida sem farinha nessa região! Prove a de ovinha, que é mais grossa e crocante
  • Guaraná Baré
  • Cachaça de jambu: deixa a língua dormente

É caro conhecer o Amazonas?

Planejando sua viagem com antecedência, pesquisando bem o que fazer e usando os descontos aqui do blog é possível fazer uma viagem mais econômica para o Amazonas. A passagem aérea, por exemplo, de São Paulo para Manaus pode ser encontrada a partir de R$600 ida e volta (recomendo começar a pesquisar com pelo menos 4 meses de antecedência da sua viagem).

Em Manaus muitos passeios podem ser feitos por conta própria e utilizando transporte público ou Uber/99 taxi (as distâncias não são tão grandes e pode compensar principalmente se você tiver alguém pra dividir a corrida). Hoje também existem bons hostels nas principais cidades, como o Local Hostel onde me hospedei. E meu público ainda tem 10% de desconto nos passeios em Presidente Figueiredo do Juju Tour com o cupom FUIGOSTEICONTEI.

Para fazer um roteiro exatamente como o meu, por exemplo, de 10 dias no Amazonas visitando Manaus (3 noites), Presidente Figueiredo (3 noites) e num hotel de selva (4 noites), sai em torno de R$4.500 por pessoa. Esse valor inclui tudo: vôo desde e para São Paulo, hospedagem em quarto privado do hostel, alimentação, todos os passeios, hotel de selva, Uber, lembrancinhas. Dá pra ser mais econômico, mas eu comi em restaurantes legais, fiz todos os passeios que queria e fiquei várias noites no hotel de selva, o que pesa um pouco no orçamento.

O Turismo com animais no Amazonas

Muitos passeios no Amazonas incluem, claro, ver animais. O que é muito bacana, já que é uma oportunidade única de estar na maior floresta tropical do mundo e ter a sorte de se aproximar de alguns deles. No entanto, ainda existe uma exploração muito grande por parte de muitas empresas que querem atender a ansiedade do turista atrás da selfie perfeita com os bichos.

Alimentar e nadar com botos, pegar jacarés bebês nas mãos, pendurar uma arara nos ombros. Esses são alguns exemplos de turismo de exploração animal. Muitos turistas agem na inocência, por amar os bichos e sem pensar nos prejuízos que causa à fauna local, no entanto, com o acesso a informação que temos hoje em dia com a internet, podemos buscar causar impactos mais positivos nos destinos que visitamos.

O que (não) fazer então?

Uso aqui o meu espaço para abrir essa conversa de conscientização. Não compre passeio que leva, por exemplo, ao Encontro dos rios e que pára pra alimentar e nadar com botos (esse animal, tão lindo, não se aproxima de humanos de forma natural e ao tocá-lo você certamente vai machucá-lo). Converse com a agência que quer te vender o passeio, e veja se eles vão te levar apenas até o encontro. Se não der, sem problema, você pode ver o encontro dos rios por conta própria e pagando pouco (vou ensinar no artigo com as dicas de Manaus).

Evite focagem noturna onde jacarés bebês são retirados da natureza pelos guias e passados de mão em mão pra quem quiser ver de perto (o guia do hotel de selva onde me hospedei fez isso e eu fiquei atônita! Perguntei se aquilo não causava danos ao animal, e ele disse que só causa se jogar lanterna nos olhos dele – e aí jogou pra demonstrar como era). Depois eu conversei diretamente com a dona do hotel sobre o ocorrido. Pegar jacarés bebês nas mãos inclusive é proibido hoje em dia, pois além do trauma que causa ao animal, o barco pode ser atacado pela mãe, por exemplo, se ela estiver perto. Quem me falou sobre essa proibição foi a secretária de Turismo de Careiro-AM.

Não alimente um animal só pra ele chegar perto de você, pois isso também causa tantos danos! Não pegue arara na mão, nem macaquinhos, nem bicho nenhum que deveria estar solto. No hotel de selva havia uma arara que todos adoravam ficar pegando para fotos, mas saiba que ela atacou vários dos turistas por ficar estressada com essa atitude invasiva.

Fez sentido aí?

Se você ainda não tinha esse olhar crítico sobre o turismo envolvendo animais, espero ter feito você refletir sobre o assunto. Eu mesma já alimentei um turismo prejudicial aos bichos. Eu não tinha essa consciência e achava que estava abafando com as fotos que tirava. Mas sigo aprendendo, me informando e vejo a importância de trazer esse assunto à tona.

Privilegie passeios onde apenas há observação do animal, sem interação, alimentação ou perturbação. Claro que não devemos deixar de considerar, por exemplo, os costumes locais onde há uma interação natural com os animais. Mas quando isso vira lucro e turismo, as proporções são outras. Eu te garanto que é 100% possível fazer uma viagem incrível para o Amazonas sem forçar interação com os bichos. Seja a pessoa que deixa coisas boas quando se vai, não a que causa danos.

Passo a palavra para a Luisa Ferreira, do blog Janelas Abertas, e que escreveu um excelente artigo sobre turismo animal

Vamos conversar sobre isso? Me conta nos comentários o que você acha, e também se ainda ficou com alguma dúvida para planejar uma viagem ao Amazonas. Aqui no blog você encontra artigos bem detalhados com as dicas completas dos destinos que visitei por lá!

8 Comentários

  1. Oi, Carlinha! Que artigo sensacional!
    Morro de vontade de voltar pro Amazonas e conhecer melhor a região. As informações que compartilhou serão de grande valia!
    Em 2007, trabalhei para um hotel de selva e tive oportunidade de realizar o sonho de conhecer a Floresta Amazônica. Amei a culinária local e me surpreendi com tantas frutas diferentes.
    Uma pena ver que, 15 anos depois, com toda evolução da internet e popularização do acesso à informação, ainda haja exatamente o mesmo tipo de exploração animal.
    Espero que a luz que você joga sobre o assunto ajude a conscientizar os visitantes a respeito.
    Parece mais difícil mudar o modus operandi de agências e guias locais.
    Adoro seu trabalho!
    Beijos

    • Ei, Grazi!
      Que massa você ter tido a oportunidade de trabalhar em um hotel de selva, deve ser uma experiência única!
      Mas, sim, infelizmente ainda há muito turismo envolvendo animais e de uma maneira negativa e enraizada.
      Obrigada pela visita! Um beijo!

  2. Nossa, eu amo a forma como você escreve. É um texto que, além de absurdamente informativo, te leva para o lugar e ainda te abraça! Obrigado, Carla!!! Fiquei com muita vontade de conhecer e vou me programar. 🙂

  3. Oi carla, adorei o post! Doida pra fazer esse passeio!
    Tentei acessar a pagina da Juju Tour e está indisponível. Teria outro contato ?
    um abraço (:

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