Cruzeiro do Sul, Acre – vale a pena uma paradinha antes de seguir pra Serra do Divisor

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Cruzeiro do Sul é o segundo maior município do Acre, estando atrás apenas da capital, fica na região do Juruá e tem cerca de 80.000 habitantes. Costuma ser ponto de pernoite para quem vai para o Parque Nacional Serra do Divisor, o coração da Amazônia acriana que atrai turistas do mundo todo, já que tem voos diretos desde Rio Branco. Ainda vou escrever um post aqui beeeeem detalhadinho sobre esse parque, mas hoje vou falar apenas de Cruzeiro do Sul, que, muito mais que apenas um pernoite, merece que você dedique um tempinho de sua viagem aqui.

COMO CHEGAR A CRUZEIRO DO SUL

Para chegar a Cruzeiro do Sul, pode-se pegar o avião desde Rio Branco (com planejamento, dá pra achar passagem de ida e volta por uns 300 reais) ou enfrentar os quase 700km de estrada até lá, numa viagem que pode durar até mais de 20 horas, em especial na época de chuvas, em que o trajeto fica bastante prejudicado. Quem faz o trajeto é a TransAcreana, a passagem custa 120 reais cada perna e eles respondem bem rapidinho pela página deles no Facebook. O recomendado é levar comida para o tempo de viagem, pois me parece que eles não param para fazer refeições.

Olha, Cruzeiro do Sul não é um lugar tão facinho assim de chegar. Principalmente porque é bem comum voos serem cancelados lá devido ao mau tempo – aconteceu comigo, e, como a Gol é a única que opera lá e possui apenas um voo por dia (aliás, por madrugada), fui alocada para outro voo apenas dois dias depois do meu cancelamento. Na ocasião, o voo vinha de Brasília,  ia fazer escala em Cruzeiro do Sul e seguir para Rio Branco (que era meu destino final). Mas não conseguiu pousar. Nesse caso, a companhia arca com todos os custos (hotel, transporte e alimentação) até que você pegue um novo voo com eles.

Se você tem um tempo flexível durante sua viagem, esta situação não é uma grande preocupação (eu ganhei mais 2 dias em Cruzeiro com tudo pago e achei bem de boa. Mas no avião vinha, por exemplo, uma deputada de Brasília que ia participar de um evento na cidade, mas precisou cancelar sua presença). Portanto, se você está com tempo contadinho, vai ter que contar com a sorte. Minha dica é ir pra lá com pelo menos uns 2 dias de folga pra evitar contratempos – que aí, em último caso, você pega um busão no dia seguinte e enfrenta as 20 horas de estrada.

Deu pra entender um pouquinho como é a logística pra alguns lugares do Acre, né. Acho importante ter isso em mente, pois você estará visitando um lugar que é parte da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, e poderá enfrentar variações climáticas ou dificuldades logísticas. Em compensação, você estará numa das partes mais encantadoras do mundo. Se o perrengue valeu a pena??? Ô! Vocês não têm nem ideia. Vejam aí embaixo o que eu fiz por lá.

O QUE FAZER EM CRUZEIRO DO SUL

Bom, agora vamos falar sobre as maravilhas de Cruzeiro do Sul – e porque vale a pena, sim, ir pra lá. A cidade em si é pequena, e seus principais atrativos centrais são a Catedral (que é grandona e bem bonita), o mercado (indico ir pra comer tapioca, comprar farinha de tapioca, biscoitinhos, farinha de mandioca crocante), a praça de alimentação (indico o sorvete de açaí que fica na sorveteria de esquina e também visitar a lojinha de artesanatos locais), e o ateliê de marchetaria do Maqueson, artista conhecido mundialmente (sério, o trabalho dele é muito incrível e eu queria ter dinheiro pra comprar tu-do, principalmente as bolsas e capinhas de celular!).

Mas tem um lugar especial que vocês não podem deixar de ir: o rio Croa. Falando assim, parece nada demais, né. Mas trata-se de dos lugares mais visitados da região nos últimos anos e fica a uns 15 minutos de carro da cidade. São quase três mil hectares que guardam fauna e flora exuberantes junto a uma comunidade de 52 famílias que escolheram viver ali, mais isolados e em contato total com a natureza. Dá para passar o dia inteiro ali!

Chegando no estacionamento, é preciso pegar uma canoa para chegar a um dos restaurantes.

Eu conheci o do Jackson, um dos mais conhecidos da região, e que se chama Canto e Encanto Janaína. Ali é um centro espírita Ayahuasca e realiza sessões de cura espiritual e medicinal com plantas e raízes da floresta (certamente você já ouviu falar sobre o Santo Daime). Tem também uma pousada, para quem quer uma imersão maior. Quando estive lá, havia uma italiana morando lá já há algumas semanas para participar dos rituais.

O Santo Daime é uma manifestação religiosa criada na região amazônica, mais precisamente no Acre, no início do século XX. Seu nome original é Ayahuasca, mas também tem outras vertentes como a União do Vegetal. Trata-se de um chá que é tomado durante um ritual religioso. De acordo com pesquisas que fiz, o nome popular Daime veio dos desejos feitos durante a cerimônia, como “Dai-me luz, dai-me amor, dai-me firmeza”. Apesar do preconceito de muitas pessoas, é uma prática muito respeitada e comum no Acre. Conheci tanto pessoas que seguem a religião, como muitas que apenas experimentaram o chá por curiosidade. Por todo o Brasil há centros legalmente instituídos do Daime. É parte da cultura do Norte, e é muito importante entender e respeitar isso.

Se você quiser conhecer o ritual, pode ser uma boa oportunidade. Para isso, o indicado é dormir na pousada, pois as cerimônias acontecem à noite e duram até de madrugada. O recomendado é estar 3 dias sem beber álcool, sem fazer sexo e sem comer carne vermelha.

Uma das pousadas da Canto e Encanto Janaína

Eu não conheci. Mas aproveitei a oportunidade para cheirar rapé. Caaalma, eu não me droguei não rsrs. Cheirar rapé é algo beeem mais comum do que você imagina no Acre. Dá pra experimentar até no mercado velho de Rio Branco. Tem gente que sente uma irritação, outras espirram bastante. Eu não senti quase nada, apenas meus olhos lacrimejarem (em breve vou postar o vídeo no YouTube pra vocês verem!).

O rapé é o tabaco em pó com outras ervas para inalar. Seu aspecto mais interessante é o uso pelas tribos indígenas e pelos caboclos da floresta, que o utilizam para diversos fins, entre eles medicinais e cerimoniais. É outra parte da cultura do Acre, e lá a maioria das pessoas já experimentou, e há muitas que o usam com frequência (em especial em tribos indígenas). Leiam esta matéria do jornal O Globo.

No entanto, se isso não é a sua praia, não se preocupe. Sua ida ao Croa não vai mudar em nada. A maioria das pessoas visitam o restaurante para passar o dia, tomar banho de rio, passear de canoa, almoçar, fazer trilha, tirar fotos perto da Samaúma, a árvore mais alta da floresta amazônica (olha essa foto aí embaixo!). O lugar é uma delícia! Se der sorte de pegar o famoso tapete verde no rio, melhor ainda.

Na Canto e Encanto Janaína, com R$20 por pessoa eles te buscam no estacionamento em uma canoa, depois o Jackson faz uma trilha rápida pelo seu terreno, com direito a música e violão, e ainda tem um passeio guiado rapidinho de canoa pelo rio Croa. Para comer, o PF custa R$15 por pessoa. Já um tambaqui assado que serve umas 5 pessoas custa R$100, e vem com muitos acompanhamentos: arroz, macarrão, mandioca, chips de banana, farofa, sucos naturais, mugunzá e açaí. É bem servido e delicioso!

ONDE FICAR EM CRUZEIRO DO SUL

Eu acabei conhecendo três hotéis na cidade. O primeiro foi o Nosso Hotel, o mais simples de todos, mas com um café da manhã bem gostoso.

Quase em frente fica o Swamy Hotel, considerado o melhor da cidade. Ele é mais bonito sim, mas não espere por luxo. O quarto era apertadinho e o café da manhã era ok. Foi o hotel que a Gol me alocou quando meu voo com eles foi cancelado. Ambos ficam numa rua atrás da pracinha principal da cidade.

Por fim, também conheci o Hotel Cruzeiro, mais simples que o último, mas que eu achei que tinha o melhor custo-benefício. Fica exatamente em frente à praça, os quartos eram maiores e com varanda, o café da manhã era bem gostoso.

Para pesquisar mais hospedagens em Cruzeiro do Sul, clique aqui.

ONDE COMER EM CRUZEIRO DO SUL

Tomar um café da manhã no mercado é um programa baratinho e delícia (tapioca com queijo e ovo e café passado na hora: é amor demais!).

Também gostei da Mister Burguer, bem arrumadinha e com boas opções (experimentem o hambúrguer que leva banana! Muito bom).

Tinha também uma sorveteria de esquina, na praça de alimentação da cidade. Ali vendia um sorvete de açaí com banana e farinha de tapioca que era sensacionaaaaal! Mas não consigo me lembrar do nome dela, e nem estou achando no Google.

Ah, e tem a Canto e Encanto Janaína no Croa, né! Que é um programão!

Por fim, não indico o Restaurante e Pizzaria Napolitana, que foi onde a Gol nos cedeu as alimentações nos 2 dias em que fiquei lá enquanto esperava pelo meu próximo voo. Apesar de ser o segundo colocado no TripAdvisor dentre os restaurantes de Cruzeiro, em todas as minhas refeições lá eu achei cabelo na comida (sério, achamos cabelo até no sorvete!).

Vejam o fim de tarde incrível que peguei em Cruzeiro do Sul!

Quero agradecer à secretária Dayana, ao Alexandre e à Anitta e sua filha que nos receberam tão bem e foram tão atenciosos conosco no tempo em que estivemos na cidade. À Késsia, da afiliada local do SBT, que me entrevistou para contar um pouquinho da minha viagem pelo Acre. E também à Duda, minha seguidora no Instagram e que foi quem me mandou várias fotos do Croa e me deixou doida de vontade de ir lá.

Próximo post do Acre por aqui: TUDINHO sobre a Serra do Divisor! Esse post vem completíssimo, com informações que não achei no Google em site algum. Aguardem 😉

Leia também:

Tudo que você precisa saber para visitar Rio Branco, a capital do Acre

Pronta pra mais uma aventura: só com passagem de ida pela América do Sul

Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação – e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

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  1. Pingback: Parque Nacional Serra do Divisor – TU-DO que você precisa saber pra conhecer a amazônia acreana | Fui, gostei, contei | por Carla Boechat

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