O Deserto do Atacama virou um dos destinos preferidos dos turistas que gostam de descobrir paisagens incríveis e ter um pouco de aventura sem comprometer o bolso. Com passagens aéreas para o Chile frequentemente em promoção, explorar as maravilhas desta região está cada vez mais acessível.

E embora as ruas de terra batida de San Pedro de Atacama sejam visitadas por um número crescente de brasileiros, muitas atrações desse enorme deserto permanecem completamente desconhecidas pelos turistas estrangeiros. E quando você vê as fotos desses lugares, certamente se pergunta o porquê.

Onde fica o Atacama?

Bom, para começar é importante esclarecer uma dúvida bastante comum entre aqueles que viajam para essa região do Chile. Muitos acreditam que o Deserto do Atacama se limita aos arredores do povoado de San Pedro de Atacama, hoje o principal centro turístico. 

De fato, boa parte da civilização atacamenha se desenvolveu nessa zona, por uma série de fatores geográficos, o que foi decisivo para a história do Atacama. 

Mas o deserto mais árido do mundo corresponde, na verdade, a uma área muito mais extensa. Ao todo, são mais de 100 mil quilômetros quadrados entre o extremo norte do Chile, próximo à fronteira com o Peru, até os arredores da cidade de Copiapó, a 833km de San Pedro.

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Vale a pena visitar outras atrações do Atacama?

É preciso considerar que muitos lugares no Deserto do Atacama são de difícil acesso e fora do eixo turístico. Por isso, quem viaja de avião de Santiago para Calama, principal aeroporto do Atacama, dificilmente tem a oportunidade de visitar esses locais.

Porém, quem faz o trajeto entre a capital e San Pedro de Atacama de carro, ou mesmo de ônibus, pode e deve cogitar fazer algumas paradas no caminho. Ainda mais se você considerar as longas distâncias: são cerca de 1630km, um trajeto de mais de 20h. É um ótimo pretexto para conhecer mais do território chileno. 

Outras atrações do Atacama

A seguir apresentamos algumas atrações menos conhecidas do Atacama, para mostrar que as belezas dessa região vão muito além de San Pedro.

Mão do Deserto

Talvez a atração lado B mais conhecida do Atacama seja a Mano del Desierto, uma escultura de mais de 10 metros de altura na forma de uma mão humana. Construída em 1992 pelo artista chileno Mario Irarrázabal, ela contrasta com a vastidão do deserto.

Outra obra desse mesmo artista também se tornou um atrativo em outro destino turístico na América do Sul. É a Mano de Punta del Este, na cidade de mesmo nome, no litoral uruguaio. 

A versão chilena se encontra na Ruta 5, a Rodovia Panamaricana, que vai do arquipélago de Chiloé, no Chile, até o Alaska, nos Estados Unidos. Está 75km ao sul de Antofagasta, uma cidade mineira na costa chilena sem muito charme. 

Antofagasta

Apesar de pouco atraente, Antofagasta, a 310 km de San Pedro de Atacama, é o maior centro urbano do norte do Chile. Tem como maior atrativo La Portada, uma formação rochosa no meio do mar que, devido ao processo de erosão ao longo de milhões de anos, acabou adquirindo o formato de portal. Essa parte do litoral, com falésias branquinhas, é particularmente bonita.

A cidade fica devendo um pouco nas praias urbanas, mas quem seguir de carro até as cidadezinhas de Mejillones e Hornitos, balneários tradicionais da região, poderá conhecer algumas praias do Atacama, com baías tranquilas de águas gélidas. 

Deserto Florido

Parece inacreditável, mas o deserto mais seco do mundo pode, sim, florescer! Esse fenômeno ocasional, conhecido como Desierto Florido, acontece nos meses de primavera do hemisfério sul após um regime de chuvas incomum no Atacama. É, eu sei, parece estranho, mas o Atacama tem um período de precipitações conhecido como Inverno Altiplânico, que é bastante potencializado pelo El Niño na Bolívia e no Chile.

Quando as chuvas são muito fortes, as sementes enterradas no solo desértico germinam e o solo é tomado por inúmeras espécies de flores coloridas. A mais chamativa é a pata de guanaco, que colore extensas áreas do deserto de um lindo tom de rosa. 

  • Em 2017 eu vi esse fenômeno de perto, e contei aqui no blog toda a minha experiência sobre o Deserto Florido no Chile

O principal lugar para presenciar o fenômeno é na região litorânea entre os parques nacionais Llano de Challe, 145 km ao sul de Copiapó, e Pan de Azúcar, na cidade de Chañaral. Agências em ambas as cidades, e também em Caldera, organizam passeios.

Pan de Azucar

Você achou que só o Rio de Janeiro tinha um Pão de Açúcar? Pois bem, os chilenos também têm o seu, embora ele seja bem diferente. O Parque Nacional Pan de Azúcar, localizado nas imediações da cidade litorânea de Chañaral, a 667 km de San Pedro de Atacama, é uma das principais áreas de proteção ambiental do Atacama.

As praias do parque, com areia fina e paisagem desértica, não são das mais agradáveis para banho, mas impressionam pela riqueza da vida animal. É possível ver dezenas de lobos marinhos e pinguins de Humboldt, que costumam formar suas colônias nas ilhas próximas. Nos passeios de barco, durante os meses de outubro a abril, é possível avistar também golfinhos e baleias com um pouquinho de sorte.

O parque, com mais de 40 mil hectares, também é lar para raposas, guanacos, roedores diversos, pelicanos e outros tipos de aves. A vegetação com diversos tipos de cactus, muitos deles endêmicos da região, contribuem para um visual único.

Bahía Inglesa

Em Bahía Inglesa, povoadinho a 6 km de Caldera e 75 km de Copiapó, se encontram algumas das praias mais bonitas do Chile. As águas transparentes de um turquesa profundo com areia branquinha criam cenários que mais lembram o Caribe ou o Mediterrâneo. 

Mas a temperatura da água é um grande lembrete de você que se encontra no Pacífico. Nem mesmo nos folhetos turísticos é comum ver muitas pessoas se banhando. De qualquer maneira, a paisagem, a deliciosa gastronomia com muitos frutos do mar e a atmosfera praiana valem a viagem.

Como boa cidade turística, Bahía Inglesa tem uma infraestrutura completa para os turistas e preços um pouco acima da média. Quem prefere economizar, pode se hospedar em Caldera, com opções de hospedagem mais em conta. Só não vale economizar na hora de comer: aqui é um dos melhores lugares para experimentar frutos do mar típicos da gastronomia chilena

Ojos del Salado

Do topo de seus 6893 metros, o Ojos del Salado é o vulcão mais alto do mundo. É também o segundo ponto mais alto da América e do hemisfério sul, atrás apenas do Aconcágua. Está situado numa região bastante inóspita da fronteira Chile-Argentina, a aproximadamente 280km de Copiapó. 

O nome do vulcão vem dos depósitos de sal que, na forma de lagoas, chamadas de “olhos”, surgem nos seus glaciares. Também está associado ao rio Salado, que nasce ali perto nos Andes e corre pelo território argentino.

Subir esse vulcão é o sonho de muitos montanhistas. Apesar da elevada altura, a subida não é considerada de grande dificuldade, já que é possível fazer uma aproximação em veículos 4×4 até cerca de 5200m de altitude e, com a exceção do último trecho, onde é necessário usar cordas, não exige muita técnica. 

O que é sim extremamente importante é o processo de aclimatação nos refúgios intermediários e nos cumes mais baixos para evitar o temido Mal de Altitude. É claro que, se tratando de uma montanha de quase 7 mil metros, você deve ter alguma experiência de montanhismo e uma boa preparação física. É recomendado fazer a subida com guias experientes e creditados.

Iquique

Poucos brasileiros já ouviram falar de Iquique. Muitos daqueles que a conhecem é devido à sua Zona Franca, um grande centro comercial sem impostos e, portanto, uns 20% mais barato que no resto do país. Isso faz com que Iquique cidade seja um destino popular para compras no Chile, mas a verdade é que essa cidade litorânea tem muito mais a oferecer.

Protegida pela Cordilheira da Costa e pelo Cerro Dragón, a maior duna de areia em zona urbana do mundo, Iquique é uma cidade costeira extremamente agradável, com um centro histórico bem preservado e uma orla moderna e bem cuidada. Várias casas antigas evidenciam a riqueza do lugar em princípios do século 20.

As praias urbanas de Iquique estão entre as melhores do Atacama. A Playa Cavancha é a maior e a mais popular de todas, enquanto a Playa Brava tem águas revoltas, geralmente apreciadas apenas pelos surfistas. Aliás, Iquique é popular entre viajantes que gostam de esportes radicais. Os mais populares são o voo de parapente e o sandboard nas dunas do Cerro Dragón.

Uma das atrações mais interessantes se encontra a 47km do centro de Iquique: Humberstone, uma curiosa cidade fantasma. Ela foi construída para abrigar os trabalhadores da indústria de extração de salitre, principal atividade da região no começo do século passado. No auge do seu desenvolvimento, a cidade chegou a ter 4 mil habitantes. É possível entrar nas casas, na igreja, na escola, no hospital, na usina… está tudo lá, aberto para visitação e bem conservado pelo clima seco e pela salinidade do Deserto do Atacama.

Parque Nacional Lauca

O Parque Nacional Lauca, no extremo norte do país, é o Atacama que ainda não foi descoberto e a cidadezinha de Putre, ainda bastante modesta nos serviços turísticos, seria o equivalente de San Pedro de Atacama. As paisagens do altiplano são muito similares, com muitos salares, lagos, vegetações rasteiras e fauna típica do Atacama.

Um dos grandes destaques do parque é o vulcão Parinacota, o perfeito estratovulcão (cônico) que habita o imaginário das pessoas, com 6.348 metros. Seu cume está sempre nevado e aos seus pés se encontra o Lago Chungará. Às margens do lago, muitos flamingos e vicunhas buscam o seu alimento, complementando esse cenário idílico. 

Ao sul do parque, distante 150km da cidade de Arica, quase na fronteira com o Peru, se encontra a Reserva Nacional Las Vicuñas, igualmente fantástica por sua beleza natural. Entre seus atrativos está o belíssimo Salar de Surire, que conta com uma das termais naturais mais bonitas do Chile, as Termas de Polloquere.

E aí, qual desses lugares despertou a sua curiosidade?

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