Fazia tempo, aliás, fazia bastante tempo que não saía para uma viagem um pouco mais longa. Colocando na ponta do lápis, fazia mais de dois anos, desde que abri minha empresa e comecei a trabalhar como louca! Sim, nos primeiros meses eu achava que ia ter um treco de tanto trabalho que dá começar seu próprio negócio do zero.

Para quem já foi nômade vivendo cada hora num canto e viajando apenas com a passagem de ida, posso te dizer que esses dois anos pareceram uma eternidade! Por isso inventei uma viagem mais desafiadora, fugindo um pouco de rotas tão turísticas, que comecei pela Rússia, descendo parte da Transiberiana até a Mongólia, e depois continuando pela Ásia Central. Apenas três meses de viagem, mas já é algo, né?

Você não será o primeiro a perguntar como surgiu a ideia dessa viagem. Eu já sabia que em 2019 sim ou sim (como dizemos aqui no Chile, onde moro atualmente) eu faria uma viagem mais “longa”. E queria um lugar onde eu ficasse bastante tempo sozinha, para tentar voltar a escrever para o blog – eu ando num bloqueio criativo eterno que tá foda. Daí joguei no Google os melhores destinos para visitar em 2019 e descobri uma lista da Lonely Planet que, entre alguns lugares mais conhecidos, trazia o Quirguistão. Um lugar que eu nem tinha ouvido falar até então.

Quirguistão, Casaquistão, e o que mais?

Eita porra! Então quer dizer que o Quirguistão é legal? Dei zoom num mapa e “descobri” esse pequeno país na Ásia Central, e que está entre os mais seguros para se visitar no mundo. E o que tem ali por perto? Hum, olha só!, tem o Casaquistão. E será que lá vai ser perigoso? Bora lá, “Kazakistan is safe?”, enter. Uau, olha só essa capital chamada Astana! Super modera! Ops.. parece que já não tem mais esse nome e agora em 2019 passou a se chamar Nursultan – nome do antigo presidente que renunciou em Março. Mas essa história eu vou lá pessoalmente conhecer.

Check. Bora incluir esses dois países em meu roteiro. Ali do lado tem o Usbequistão, que é um pouquinho mais fechado. E o Tajiquistão, bem pequenininho. E também o Turcomenistão que, ih caraca, é tão fechado, ou mais, como a Coreia do Norte (e que acabou sendo o único do planejamento que eu não visitei). Entrar ali é difícil e caro. Mas… quem sabe? A pergunta que até então estava no ar era… Tá, mas e por onde começo essa viagem?

Rússia, Mongólia, China: a Transiberiana

Volto a fuxicar o Google Maps, arrasta pra cá, arrasta pra lá. Lembrei de uma vontade antiga de fazer a Transiberiana de trem. Com 9.289 km, abrangendo oito fusos horários e que precisa de vários dias para realizar uma viagem completa nessa rota. É o terceiro mais longo serviço contínuo do mundo. Hum… Olha ali a Rússia, bem em cima do Casaquistão. E eu queria um tempo sozinha comigo mesma para voltar a escrever, né? Parecia que as horas infinitas dentro de um trem russo seriam o cenário perfeito!

Foi nesse meio tempo que descobri que existem três rotas desse trem: a Transiberiana (mais conhecida), a Transmongoliana (para mim a mais interessante) e a Transmanchuriana (quase ninguém ouve falar). Como uma típica viajante que quer abraçar o mundo escolhi começar na Rússia, atravessar a Mongólia e terminar na China.

No entanto meus planos começaram a mudar quando fui vendo que o visto chinês seria mais complicadinho, além de caro. E que para tirá-lo eu já precisava das passagens de entrada e saída do país compradas, além de hospedagens reservadas. Cortei de vez a China do roteiro quando tentei diversas vezes comprar o trem de Ulan Bator, capital da Mongólia, para Pequim, e foi impossível concluir a compra pelo site.

Abri o Skype e liguei direto na companhia russa pra entender o que houve. Num inglês básico, me informaram que aquela rota estava temporariamente fechada. Dei um Google e não encontrei nenhuma informação a respeito. Perguntei a uma amiga que estava lá, e ela disse que não sabia de nada. Como faltavam apenas 3 semanas pra eu viajar (sim, comprei as passagens em cima da hora), desisti da China e decidi terminar minha rota de trem na Mongólia mesmo. Tá ruim não, né?

E o roteiro?

A verdade é que eu tinha o roteiro mais ou menos na minha cabeça, reservei pouquíssimas coisas e determinei o ritmo da viagem de acordo com minhas demandas de trabalho com a minha agência de turismo – meu motivo de tanta dedicação nos últimos 20 meses. Eu sabia os lugares que queria passar e tinha uma ideia dos trechos que deveriam ser feitos de trem, avião ou ônibus. Comprei com antecedência todos os trechos de trem internos da Rússia com a Russian Railways (direto pelo aplicativo deles para celular, que agora tem uma versão em inglês).

No entanto, tentei diversas vezes comprar o trecho internacional que cruza da Rússia para a Mongólia, porém por alguma razão meu cartão não estava sendo aceito (o mesmo que usei para comprar todos os trechos internos). Então deixei para comprar ao chegar em San Petesburgo e graças a Deus encontrei boas almas por lá que falavam inglês pra me ajudar – se você não sabe, na Rússia quase ninguém fala inglês. Na última vez em que estive lá, em 2016, foi perrengue atrás de perrengue para me comunicar. Mas o Google Tradutor tá aí pra isso, né?

Meu roteiro ficou assim:

  • 01/06: Santiago, Chile a São Petersburgo, Rússia de avião
  • 06/06: início da Transmongoliana, de San Petersburgo a Kazan
  • 10/06: de Kazan a Yekaterinburg de trem
  • 15/06: de Yekaterinburg a Krasnoiarsk de trem
  • 19/06: de Krasnoirsk a Irkutsk de trem
  • 24/06: de Irkutsk, Rússia, a Ulan Bator, Mongólia de avião
  • 03/07: da Mongólia pro Casaquistão (visitei Nursultan, Almaty e Kolsai Lake) em táxi e a pé
  • 15/07: do Casaquistão pro Quirguistão (visitei Bishkek, Khadi Saj, Karakol e Cholpon Ata) em táxi e a pé
  • 25/07: do Quirguistão pro Usbequistão (visitei Tashkent e Samarkand) de ônibus e a pé
  • 29/07: do Usbequistão pro Tajiquistão (visitei Panjakent, Fann Mountains, Khujand e Iskanderkul) de ônibus e a pé
  • 05/08: do Tajiquistão de volta pro Usbequistão (visitei Samarkand, Bukhara e Khiva) de táxi e a pé
  • 12/08: do Usbequistão de volta pra Rússia (visitei novamente São Petesburgo) de avião

Se liga no trajeto que fiz de trem fazendo a Transmongoliana:

Imprevistos antes da viagem

Cheguei no aeroporto ontem, dia 01/06, para pegar meu voo com a Alitalia, porém foi cancelado por problemas mecânicos e remarcado apenas para hoje. Estou aqui num hotel bem irado perto do aeroporto de Santiago bancado pela companhia aérea, esperando para embarcar amanhã. Isso apertou bastante o tempo que eu teria em San Petesburgo, então estou pensando na possibilidade de remarcar todos os meus trens da Transiberiana para não ser tão corrido.

Eu voltei em meados de Agosto para o Chile. Que, diga-se de passagem, foi cheia de emoção antes mesmo de começar!

Mão fraturada

Um dia antes de embarcar, saí para comprar dólares no centro de Santiago e, na volta, ao subir as escadas do metrô, tropecei em meu próprio chinelo e caí de mau jeito em cima da mão direita.

O resultado: fraturei o rádio, ossinho no punho e precisei ficar três semanas com o braço engessado. Não é a primeira vez que preciso imobilizar meu braço direito, e nem a segunda (a primeira foi em um acidente de carro no Brasil e a segunda ao saltar de bungee jumping na Croácia). Mas, graças a Deus, essa foi de longe a vez que foi mais tranquila. Tinha mobilidade, não doeu taaaanto e me virei suuuuper bem. O que fiz foi tirar mais coisas do meu mochilão para ele estar bem leve e ser mais fácil de carregar. E bola pra frente!

Rapaz, que falta de sorte a minha em viagens, né? Sempre quebro algo. A última vez tinha sido em 2018 ao escorregar numa escada de hostel na Costa Rica e fissurar um osso do pé. Qualquer dia desses meu nome estará na lista negra das empresas de seguro de viagem!

Rússia-transmongoliana

Voo cancelado

Pra completar, quando eu estava no aeroporto de Santiago esperando pra embarcar pra Roma e de lá pegar minha conexão pra Rússia, fui avisada que meu voo da Gol tinha sido cancelado. Não estava atrasado não, estava era cancelado mesmo.

Foi um super stress. Fomos levados para um hotel 5 estrelas sem muita informação, e no final das contas o voo foi remarcado para mais de 24 horas depois. Por causa disso eu tive que remarcar TODOS os meus trens da Transmongoliana que já estavam comprados. E, claro, paguei uma multa por isso.

Tirando os contratempos iniciais de minha viagem, e aí? O que achou do roteiro? E se quiser ver como foi essa trip, tá tudo salvo nos destaques do Instagram do blog!

11 Comentários

  1. Estou adorando ler sobre sua aventura.
    Tenho 71 anos e sempre sonhei fazer viagens como a sua.(sonho de uma noite de verão. Dos anos 70) Sendo assim estou viajando com vc.e curtindo muito.
    Amei sua maneira de escrever e aguardo ansiosa por novos capitulos.Sorte.Chegue bem.😘

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