A maioria das pessoas elimina a chuva das suas preocupações ao visitar um deserto, principalmente quando este é considerado o mais seco do mundo. Então qual não é a sua surpresa ao ouvir relatos ou testemunhar presencialmente chuvas torrenciais no Atacama?

A gente já tinha abordado o tema ao falar sobre a melhor época para visitar o Deserto do Atacama, mas diante das fortes tempestades deste ano e das suas consequências para o turismo na região, resolvemos explicar o fenômeno mais detalhadamente.

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Primeiro é preciso entender que o Deserto do Atacama corresponde a uma vasta área no norte do Chile. São mais de 100 mil quilômetros quadrados entre as quatro primeiras das 16 regiões chilenas — Arica, Tarapacá, Antofagasta e Atacama.

Enquanto algumas cidades não registram uma gota d’água sequer há décadas, outras têm índices pluviométricos mais expressivos. É o caso de San Pedro de Atacama, principal base turística para os atrativos naturais do deserto.

O que é o Inverno Altiplânico?

As chuvas são escassas porque as correntes marinhas do Oceano Pacífico são extremamente frias, impossibilitando a evaporação das águas que formam nuvens de precipitação. Além disso, na maior parte do ano, a Cordilheira dos Andes funciona como uma barreira para as massas de ar úmido que vêm da Amazônia.

A exceção ocorre justamente durante o Inverno Altiplânico, quando ventos no altiplano boliviano elevam essas massas e formam nuvens carregadas de água. Estas se concentram na região da cordilheira, entre as fronteiras do Chile e da Bolívia — San Pedro está a apenas 50km desse ponto.

Durante essa época, é comum ter chuvas de verão, geralmente no final da tarde, acompanhadas de intensas tormentas elétricas e ventos que podem alcançar velocidades de 100km/h.

Quando acontece o Inverno Altiplânico – ou: quando vem a chuva no Atacama?

Paradoxalmente, o fenômeno chamado Inverno Altiplânico ou Inverno Boliviano acontece durante os meses de verão, de dezembro a março. A tendência é ter um pouco de chuva entre a segunda quinzena de janeiro e meados de fevereiro – porém isso é totalmente incerto e não temos como garantir a data em que vai chover. Se você não quiser arriscar de modo nenhum pegar chuva no deserto, evite esses meses. Normalmente em março a situação já está normalizada.

Como a chuva no Atacama afeta os passeios?

A maior dificuldade é que a região tem poucos recursos para enfrentar tempestades e muitos problemas locais se agravam. Os rios próximos a San Pedro podem transbordar, estradas são fechadas, a energia pode ser interrompida, pode faltar água potável… Sem falar no barro por todos os lados. Afinal, a cidade é construída quase inteiramente de adobe.

A quantidade de chuva no Atacama varia bastante, e é difícil prever o quanto vai impactar a região. Às vezes é forte o suficiente para fechar todos os passeios de uma vez (como aconteceu agora no início de 2019), às vezes afeta apenas uma área pontual ou em altitudes mais elevadas, onde a água vem sob a forma de neve.

Alguns passeios podem fechar porque têm sua estrutura comprometida, como costuma ocorrer com as Termas de Puritama, mas a maioria é cancelada por causa das estradas interditadas. É comum os carabineros cortarem o acesso às rutas 23 e 27, respectivamente, o Paso Sico e o Paso Jama, que são as fronteiras com a Argentina.

Nessas épocas, os administradores dos sítios turísticos — as comunidades indígenas locais e a CONAF, a órgão responsável pelo monitoramento da Reserva Nacional Los Flamencos — avaliam diariamente as condições de acesso e informam se o local estará habilitado ou não. A Sernatur, órgão responsável pelo turismo chileno, reúne essas informações e as repassa para as agências e os operadores turísticos em San Pedro, que organizam as saídas dos passeios viáveis.

Tá chovendo no Atacama, e agora? O que eu faço?

Não tem como controlar a Mãe Natureza. Se todos os passeios foram suspendidos, o jeito é torcer para a chuva diminuir e algum setor ser habilitado, o que é raro não acontecer em um ou dois dias. Enquanto isso, vale descobrir a gastronomia atacamenha nos restaurantes de San Pedro e aproveitar os atrativos da cidade, como a igreja, a feira de artesanatos e o intrigante Museu do Meteorito.

Se as chuvas forem intensas e contínuas, você pode transformar a sua viagem para o Atacama em uma viagem para o Salar de Uyuni. Por causa das chuvas, o deserto de sal é transformado num enorme espelho d’água, criando paisagens absurdas. Não por acaso, essa é considerada uma das melhores épocas para visitar o Salar de Uyuni.

É raro que o acesso à Bolívia seja interrompido; mesmo quando a fronteira mais próxima de San Pedro está fechada, ainda é possível coordenar a ida ao salar por Ollagüe, um passo fronteiriço mais ao norte. No entanto, é preciso ter em mente que o itinerário pode ser adaptado e que alguns atrativos não são acessíveis.

Ainda ficou com alguma dúvida sobre o Inverno Altiplânico? Nos escreva nos comentários!

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5 Comentários

  1. Oi Carla, tudo bem? Amo seus posts ♥️
    To com viagem marcada para o Atacama do dia 13/12 – 20/12 e fiquei meio preocupada com as chuvas…na internet não encontrei nenhum relato delas em dezembro mas to morrendo de medo! Me joga a real…já viu chuva em dezembro aí? Ou já viu o tempo ficar feio nublado? Queria tanto um solzinho hahahaha um bjo

    • eii, Carol! Tudo bem?
      Ahhh que legal que gosta! Escrevo com muito carinho!!!
      Olha, não costuma chover em Dezembro não! A chuva costuma vir mesmo no final de Janeiro.
      Acho que Dezembro pode ser um mês seguro pra você planejar a sua viagem.
      você já está em contato com uma pessoa de nossa equipe?
      Vou pedir pra te ecsrever, assim te ajudamos com qualquer dúvida mais que você tenha!
      Qualquer coisa veja seu Spam.
      Um beijo!

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