Dicas de Paris por uma insider – Parte 2: Gastronomia

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Uma grande amiga está fazendo uma série de posts incríveis com dicas de Paris. Quem vem acompanhando, já leu o primeiro com dicas de passeios (nem tão) turísticos na cidade luz. Hoje é a vez da Gisele compartilhar as suas dicas de restaurantes da capital francesa. Eu adorei esse em que você escolhe os pratos por umas plaquinhas pendentes no teto. Já está na minha listinha na próxima vez eu que eu for a Paris. Vejam abaixo o que mais a Gi tem pra contar pra gente!
No quesito gastronomia, selecionar dicas é uma missão ainda mais difícil. A gente já sabe que Paris é a capital da gastronomia e que você vai ficar perdido na hora de escolher o que e onde comer todas as delícias que ela oferece. Vou apresentar algumas dicas para você entreter seu paladar durante sua estadia.
A primeira dica é a mais óbvia: varie. São tantas opções, então tenta escolher uma diferente a cada refeição. Uma segunda sugestão minha seria: experimente. Ok, tem coisas que vão além do razoável para algumas pessoas, mas ouse sempre que possível. Eu também aconselho a buscar lugares autênticos. Ou seja, se vai comer um prato francês, vá num restaurante francês. Tá bom, essas dicas valem para qualquer pessoa em qualquer lugar, mas em Paris essa regra deveria ser seguida mais à risca.
O antro da degustação da comida francesa de qualidade em Paris para mim é um mini bar de tapas francesas próximo à estação Odéon, chamado L’avant Comptoir (“em frente ao balcão” numa tradução direta para o português). É essa a ideia: num corredor de no máximo 10 metros de comprimento e 2 de largura as pessoas se acomodam de pé em frente a um balcão. Do outro lado dele, os atendentes te chamam pelo nome, recomendam o vinho e viram seus amigos no final da noite. A maior diversão é escolher as opções do cardápio, até porque ele é composto de plaquinhas pendentes do teto que ficam espalhadas pelo salão(zinho). Após idas e vindas, ginástica e leitura à distância, você faz o pedido e poucos minutos depois recebe suas porções(zinhas). Mesmo elas sendo pequenas, o mais legal é pedir várias e dividir entre o grupo ou casal. Assim você consegue experimentar um pouquinho de cada. Eu amo esse bar porque ele proporciona uma experiência sensorial muito diferente, que não fica só no paladar – lembra que não é “o que” você faz, mas o “como”.
Ah, já ia esquecendo, o cardápio é da seleção do chef Yves Camdeborde, um dos mais renomados chefs franceses e dono do restaurante. Ele também é o dono e responsável pela cozinha do restaurante Le Comptoir, cuja reserva é uma das mais disputadas da cidade. Gostou da ideia? Pois é, ela fez tanto sucesso que no início do ano o chef abriu um outro bar ao lado do L’avant Comptoir, aos mesmos moldes, mas completamente dedicado ao mar: L’avant Comptoir de la Mer. Eu sou um pouco suspeita para falar minha preferência porque gosto mais de carnes e queijos do que de frutos do mar. Mas mesmo achando o primogênito melhor, também adorei o caçula. Por via das dúvidas, vai nos dois. Não vai se arrepender.
Dica de frequentador: A não ser que você esteja disposto a gastar, evite visitar os bares com muita fome. Você pode levar um susto na hora da conta. As tapas variam de uns 3 a 15 euros.
Seguindo a linha das especialidades francesas, mas passando para os restaurantes, um bem francês e pertinho dos anteriores é o Au Père Louis. Não faço ideia do grau de conhecimento dele por parte dos locais, mas tive uma experiência muito agradável. Ele pareceu ser um restaurante de bairro e acho que é uma boa opção para provar um dos práticos típicos franceses. O tartar é uma delícia.
O Le Vieux Bistrot é ótimo para degustar as delícias savoyardes sem gastar muito. A culinária savoyarde é originária da Sabóia, nos Alpes. O restaurante fica na Rue Mouffetard – lembra que falei dela no post Saídas?. Próximo a ele você pode encontrar outras opções parecidas, mas escolhi ele e adorei. Um menu com entrada, prato e sobremesa foi 17 euros no jantar. A comida é muito boa e o cardápio é bastante variado. Vale pedir pelo menos uma das especialidades: tartiflette, raclette, fondue, salade savoyarde…
Já o Chez Gladines é um restaurante de comida basca, região de fronteira da França com a Espanha. Essa culinária é caracterizada por fortes temperos e utiliza muitos ingredientes pouco ou nada convencionais para a culinária brasileira. Por ser tão diferente do que conhecemos, o restaurante já vale uma visita. Aliado a isso ele ainda tem um bom serviço e uma clientela que lota o lugar – por isso, não chegue muito tarde. Existem três Chez Gladines em Paris, mas o original é ao lado da Rue de la Butte aux Cailles (30 Rue des cinq Diamants).
Ah, você também não pode ir à Paris e não experimentar um típico brunch de domingo. Opções não faltam, mas se você quiser comer um brunch caseiro e confortável – e comer até dizer chega -, vá ao Le Café qui Parle. Prepare sua boca e seu estômago para receberem altas doses de prazer. Só tome cuidado para não pesar na consciência – nada que uma caminhada até a Sacré-Coeur não alivie depois.
No quesito doces as indicações são infinitas, mas não deixe de provar:
  • os suspiros da Aux Merveilleux (esses bonitões da foto)
  • os macarrons diferentões da Pierre Hermé – tem sabor de caviar, trufa e foie gras  
  • os chocolates artesanais da Jeff de Bruges.
Bônus:
  1. Coma pelo menos uma baguette e um pain au chocolat de uma verdadeira boulangerie francesa. Mas o mais legal é escolher uma diferente a cada vez para achar a sua favorita. Lembre-se de escolher as que parecem mais autênticas. Serão provavelmente as mais gostosas.
  2. Vá à Grande Mosquée de Paris, que fica do lado do Jardin des Plantes, e tome um dos melhores chás da sua vida. De que? Não me pergunte. Eles só servem um tipo e de um jeito. Você entra, o garçom te serve, você paga e aproveita. O sabor e o ambiente são maravilhosos. Você se sente no oriente.
Não esqueça de acompanhar os outros posts do guia com dicas (nem tão) turísticas de Paris da Gisele! 😉

Carla Boechat é jornalista, mestranda, curiosa que só, carioca da clara, inquieta e turista por vocação - e criação. Sempre com a mochila e um sorriso prontos, aposta que toda estrada pode esconder uma dica em potencial. E aqui é assim: se ela foi e gostou, virou post!

Discussion9 Comentários

  1. Pingback: Dicas de Paris por uma insider – Parte 3: Vida Noturna | Fui, gostei, contei | por Carla Boechat

  2. Falou em comida falou comigo. Já disse que adorei a invasão da Gisele né? Rs
    Cara adorei este bar de tapas. Fiquei morta de vontade de conhecer, e a mais ainda o do brunch. Até porque se é pra comer até dizer chega eu tô dentro. =)

  3. Pingback: Viagem em família na França: Paris, Aquitaine e Midi-Pyrénées – com pit stop em Lisboa | Fui, gostei, contei | por Carla Boechat

  4. Carla, Sou uma grande admiradora do seu blog sempre estou vendo as sus dicas, Em breve estou indo de ferias para Florenca e esta sendo muito util. As dicas de ontem foram otimas, pois por coincidencia estou no Palazzo Guicciardini na via Di Santo Spirito.

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